4.10.10

SURPRESA? NÃO, DEMOCRACIA!

A minha solidariedade para com os eleitores de Marina Silva

Alguns chamaram de “zebra”; outros de surpresa. O fato é que a candidata à presidência da República, Marina Silva (PV), foi destaque na imprensa internacional e dentro do país. Os analistas, cientistas políticos, sociólogos, estão falando da Marina e não de Dilma ou Serra.

Permita-me, meus poucos leitores, tentar fazer uma radiografia dos eleitores de Marina. Primeiro, eles são independentes. São eleitores que não se importaram nenhum pouco se iria ou não “perder” o voto votando nela; são eleitores suprapartidários, não estão vinculados a nenhum partido de hegemonia como PT ou PSDB; esses eleitores foram os únicos que votaram com inteligência, pois compreenderam de que esse sistema PT-PSDB não é a única opção, portanto, entenderam que essa eleição não era um plebiscito; além do mais, foram esses quase 20 milhões de eleitores que provocaram o 2º turno, o Serra deveria agradecer de joelhos a ela.

A candidata do PT teve que assumir: “quero parabenizar a candidata Marina Silva pelo ótimo desempenho no pleito”. Foi ótimo mesmo, é verdade. Foi ótimo porque um partido pequeno, como o PV, com o tempo mais que reduzido de TV, com a falta de marketing pesado, em comparação às outras candidaturas, conseguiu quebrar a prepotência daqueles que achavam que essa eleição estava garantida logo no 1º turno, isso foi ótimo. Os eleitores de Marina foi uma pedra no meio do caminho, parafraseando o grande poeta Carlos Drummond de Andrade.

É claro que a dinâmica dos partidos políticos é chegar ao poder, por isso não causaria nenhum espanto o PV decidir apoia um dos candidatos, ainda que seja improvável isso acontecer, mas acredito que não vou ter o desprazer de ver Marina no palanque com Dilma, praticamente impossível, ou com Serra falando assim: “vocês votando nele/a é o mesmo que está votando em mim”, aliás, essa frase me lembra alguém..., mas deixa isso pra lá. Marina não associaria a sua imagem a nenhum dos que restaram para o 2º turno, afinal de contas, os dois são bem parecidos, como bem dizia ela.

Aos eleitores de Marina a minha solidariedade. Não adiantou pastor, político ou qualquer celebridade ofuscar a sua candidatura. Não foi surpresa, foi o pleno exercício da democracia. Aos seus eleitores a confiança, 2014 ela estará de volta e aí “no meio do caminho tinha uma pedra (...) tinha uma pedra no meio do caminho (...) tinha uma pedra (...) no meio do caminho tinha uma pedra”. E que pedra...

5 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pela matéria Pastor. Agora, enquanto quase 20 milhões de cidadãos tiveram opinião e consciência, o que me diz dos mais de 1 milhão e trezentos mil que votaram no "tiririca"? Voto de Protesto, de identificação, falta da educação política, ou reflexo do que virou nosso cenário político (um verdadeiro circo)? O que será que os candidatos à segundo turno pretendem fazer para resolver os problemas da previdência, da educação de pessíma qualidade, da infra estrutura dos grandes centros, do meio ambiente degradado pelas queimadas e ações humanas......enfim...será que teremos propostas no segundo turno, ou veremos novas denúncias, escândalos e acusações? Sinceramente, estou pensando se ligo a tv no horário eleitoral?

(Jean Carlos)

Pr. Alonso Gonçalves disse...

Jean, muito obrigado pela participação.

Quanto ao Tiririca, o próximo texto será sobre isso.

Sinceramente eu espero que vejamos propostas concretas, afinal de contas a política ainda é a única forma de reivindicarmos os nossos direitos.

Grato.

Claudinei Fernandes disse...

Alonso. Eu também acho que deveríamos ter uma terceira opção, além dos blocos PT/PSDB. Lamento que milhões de pessoas ainda não conseguem ser politizados. O cenário político brasileiro há tempo precisa de mudanças. A começar pelo sistema eleitoral. Muitos religiosos votaram por conta de um certo terrorismo moral, não por consciência política. A ameaça de pressupostos religiosos falaram mais alto que muitos problemas, tais como: Previdência, educação, moradia, saneamento etc. Marina, mesmo sendo evangélica se mostrou equilibrada. Mas é isso, enquanto não houver maturidade política em nosso país, estamos sujeitos a Tiriricas e outros fenômenos. Valeu!

Sindy S. Lima disse...

Como bem disse um livro que li "O que importa não são os resultados".
Marina foi a personificação de quem teve uma linha de raciocínio para votar, uma ideologia, quimera todos pensassem e agissem da mesma forma. Mas o que mais me surpreende é o RECONHECIMENTO do voto consciente... E vamos ao segundo turno, pena que não teremos mais a opção do "certo"!!!

Pr. Alonso Gonçalves disse...

Obrigado pela participação.

A politização é um processo educacional. Só teremos eleitores conscientes quando eles deixarem de ser alienados pela mídia de massa. Até lá, muitas coisas estranhas irão acontecer, como, por exemplo, um palhaço se tornar deputado federal.