16.8.08

ELES ESTÃO DE VOLTA

Eles voltaram. Seus nomes estão nos muros da cidade, nos carros de som, nas camisetas, nos “santinhos”. É impossível ficar despercebidos com a presença deles. Você pode até os encontrar pessoalmente nas esquinas das ruas, geralmente discutindo sobre as melhorias que a cidade precisa. Eles são assim, desprendidos: pegam nas mãos de todos que chegam perto; acena para quem olha; distribuem sorrisos; sobem morro; caminham nas ruas lamacentas; acolhem abraços de desconhecidos; conversam com quem não conhecem. Estão à caça de votos. É gente sedenta de trabalho comunitário, e que não vê o momento em que poderá, finalmente, ajudar o povo em suas mazelas diárias; gente preocupada com o bem estar da população; cheias de boas intenções e nenhum interesse pessoal. O que os move para essa tão árdua e sacrificante vida pública é o desejo ardente de servir o povo. É uma gente que procura estar bem com sua consciência ao deitar no travesseiro e ter a certeza do dever cívico cumprido.

Eles não estão nem um pouco preocupados com os salários e os benefícios que irão receber custeados pelo povo que paga seus impostos para sustentar a vida dura que eles, como representantes do povo, levam. Eles fazem questão de se desdobrarem em cima de discussões profícuas nem que para isso tenham que convocar assembléias extraordinárias mais de uma vez por mês. Mas não pense que é pelos honorários que eles têm direito quando isso acontece, de jeito nenhum. É porque eles querem aprovar leis que melhorem a vida da população o mais rápido possível. E quando eles dificultam para o poder executivo em algumas questões não é porque não gostam de quem estar no cargo, é porque estão avaliando melhor as condições do município.

Como nós não os compreendemos. Eles não dão a mínima para as bajulações que recebem, aliás, eles reprovam isso com veemência; não estão atrás dos aplausos; não estão preocupados com o reconhecimento que alguns desavisados e desenformados dos seus deveres como políticos fazem ao colocar seus nomes em faixas de agradecimento por alguma benfeitoria realizada na cidade. Isso não é necessário, pois estas coisas não são nenhum status pessoal para eles, pelo contrário, eles entendem como obrigação!

Nós não damos o devido valor a eles por se colocarem de coração aberto e dispostos a serviço do povo. Precisamos valorizar a decência deles em não fazer conchavos para garantir prestigio; precisamos valorizar a capacidade que eles têm de não transformar a política do bem comum para todos em barganhas para obter apoio com gente que não detém nenhum espírito público. É incrível como nós não valorizamos a honestidade que eles têm em não aceitar ofertas escusas que venha aumentar seu patrimônio ou beneficiar interesses de terceiros.

Precisamos elogiar a intelectualidade deles porque conhecem a base filosófica da política na sociedade ocidental. Eles sabem que a raiz do nosso conceito político veio da Grécia Antiga, e que foi os gregos que inventaram este sistema de representatividade, tirando das mãos dos tiranos e déspotas da época o domínio sobre o povo, há mais de 2.500 anos antes de Cristo. É claro que eles sabem que o berço da democracia, que quer dizer governo do povo, se deu na Grécia. Eles até já leram Aristóteles, o filósofo que teorizou a política pública grega, e sabem muito bem que os ideais de sua filosofia política visam exclusivamente o bem estar da população e a preocupação em melhorar as condições dos cidadãos buscando sempre o interesse da coletividade. Dominam e muito a capacidade de formular leis e projetos.

Quem disse que eles fazem politicagem, aquela maneira suja e nojenta de privilegiar os interesses próprios em vez do povo. De jeito nenhum, isso não existe. Depois de eleitos pelo voto da maioria eles governam e legislam para todos, independentemente de quem tenha votado.

Eles estão de volta, e precisam do reconhecimento da população de que são homens e mulheres que se colocam com um propósito bem especifico e definido: servir aos interesses da população. O que eles mais querem é aquilo que muitos antes de nós lutaram e deram o sangue para conseguir – o voto.

Pr. Alonso Gonçalves
Iporanga/SP

3 comentários:

Joel Jr. disse...

Ótimo texto, Alonso. Ironia e perspicácia na medida certa. Parabéns. Eles são incompreendidos, coitados.

Diogo disse...

Não poderia dizer que você deveria colocar como título "Eles ainda vão voltar", por quê as eleições estão aí, bem próximas, e nós vemos nossos "Heróis" a torto e a direito.

É muito interessante que não hajam corruptos (Pelo menos aqui onde vivo) com as características contraditórias as essas citadas no seu texto (Eles Estão de Volta), pois onde moro achamos que todos somos honestos, já que as pessoas nem pensam direito em quem vão votar.

É disso que precisamos cada vez mais e mais em nossa sociedade, acreditar só no que vemos, para então abrirmos os olhos de verdade e passarmos a enxergar o mundo da política como ele realmente é.

E talvez, uma vez na vida raciocinar com inteligência superior seja tão fácil quanto respirar, é que nem um filosofo sobre o qual eu estudei uma vez, que disse: só podemos entender o mundo através das experiências vividas através dele, mas nem me recordo de seu nome (talvez meu professor de filosofia seja muito ruim).

Não discordo da idéia de que GRANDES HERÓIS existem, mas não acho que devemos dar tanta liberdade a eles, e devemos observar cada passo eles dão, e sempre que possível criticar suas ações, o poder corrompe a pessoa, a torna egoísta, a faz se sentir superior, só pensa nela e em realizar seus sonhos, o que é totalmente contraditório a sua profissão.

A pessoa vive e existe por algum motivo (realizar sonhos para quem considerar), e é isso que o poder faz, trás seus sonhos, seu motivo de existência para mais perto da pessoa, o que a leva a abusar do poder que lhe foi investido, Esta é minha resposta para a questão número um.

Até mais, e que eu tenha mais ataques de criticas como esse, nem sei se estou certo, mas esta é minha visão no momento, e ela pode ser alterada a qualquer instante.

Só posso dizer parabéns, pois caí na sua jogada e perdi muito tempo escrevendo isso.

flaviocre disse...

Você tem razão em seu texto quando fala sobre os politicos. Eu e a maioria das pessoas somos "insensiveis" ao ver os candidatos em ano eleitoral parando seu carro e nos comprimentando e nos chamando de amigo e mostrando disposição para ajudar as questões da nossa comunidade.

Que Deus nos faça reconhece-los de fato e com consciencia dando resposta a cada um desses "herois" na urna...
Abraços a Familia