10.2.13

UMA IGREJA ASSIM? SÓ MATEUS MESMO

O texto é Mateus 20,1-16.

Compartilhei com a comunidade este texto neste domingo.

Geralmente todos conhecem este texto como a parábola da vinha. Na verdade, seguindo Joachim Jeremias, a parábola é do bom patrão.

A parábola do bom patrão quer tratar, peculiaridade de Mateus, a relação de graça de Deus com a comunidade de fé, e, neste sentido, as questões que Mateus levanta nós, hoje, enfrentamos.

O primeiro ponto é entender a graça de Deus. As pessoas tendem a colocar Deus dentro de uma redoma, com suas ideias, preconceitos e valores, e julgam que Deus não ultrapassa aquele perímetro. A maneira de se relacionar das pessoas é baseada no mérito; a maneira de Deus se relacionar é baseada na graça.

Se a parábola é endereçada à comunidade de fé (os discípulos), o problema é a graça do bom patrão, os trabalhadores das primeiras horas e o pagamento igualitário. O desenrolar da estória é conhecida.

Seria o problema de Mateus com àquelas pessoas que já pertenciam a comunidade de fé e a relação com os novos membros? Estaria Mateus tentando responder: quem chegou primeiro tem a preferência, tem a primazia?

Minha conclusão é de que Mateus está dizendo que todos são iguais, porque a graça de Deus iguala a todos! Isso é assim queriam ou não! Não importa quem chegou nas primeiras horas e quem só apareceu na última hora de trabalho. Todos são iguais!

Haverá aqueles que sempre vão querer questionar a bondade de Deus por ele fazer questão de igualar a todos, sem distinção. Na comunidade de Mateus é assim: não importa quem chegou por último ou primeiro, todos são tratados com igualdade. Mas sempre  haverá na comunidade de fé pessoas que, por estarem primeiro, irão querer se aproveitar disso para dizer o que pode, o que não pode, o que deve ser assim e o que não deve! Sempre haverá àqueles que irão apontar o dedo e dizer: "ele/a não pode fazer isso, ele/a chegou depois".

A igreja no Evangelho de Mateus é assim: não há primeiros e nem últimos; os últimos não estarão atrás, nem os primeiros estarão na frente. Na igreja de Mateus havia pessoas que se incomodavam com a graça de Deus, mas a questão não é com a bondade de Deus, mas sim com os olhos que estão contaminados com a falta de misericórdia e amor aos irmãos.

4 comentários:

Noemi Tavares disse...

Uma vez Alonso, sempre Alonso.
É isso aí Pr. Aprender essa verdade torna o cristianismo muito mais perto do que significa ser CRISTÃO.
Abraços!

Anônimo disse...

Que satisfação ter a Noemi comentando meu texto!
Em cima do que você comentou, digo que, infelizmente, muitos ainda não conseguem conceber a matemática da graça de Deus, ou seja, com Deus 2+2 não é 4.
Grato por suas palavras.
Pr. Alonso Gonçalves

Marcos Schnabel disse...

convidado Marcos da Lidia)
Prezado Pastor Alonso
Gostaria de mais uma vez tecer considerações, como um leigo, em seu Blog.
Quero sublimar sua frase “As pessoas tendem a colocar Deus dentro de uma redoma, com suas ideias, preconceitos e valores e julgam que Deus não ultrapassa aquele perímetro” ponto!

É..., eu vejo dentro deste tipo de comportamento, tanto no conciente ou mesmo no inconciente, na realidade, uma consequência trágica, pois acaba cerceando a visão do SER, de seu próprio “SER ESPIRITUAL”. O impede de progredir espiritualmente. Tolhe seu entendimento para acima dos horizontes da compreensão da Verdade Universal que quer ser “descoberta”, ou seja, “tirar a coberta” ou “redoma”.

Neste sentido, por exemplo, se alguém reside em um grande vale cercado de montanhas e jamais saiu de lá, poderia se dizer que esta com seus “horizontes” cerceados. Esta como “que em uma redoma”, pois vê sempre, só as montanhas ao seu rededor. Ele ate pode, conceber que o mundo acaba decima das montanhas, como no passado se imaginava que a Terra era um disco e que depois do horizonte no mar se caia no espaço!!!.
Contudo, se este alguém um dia decide sair do “seu vale” e “ver” o que há depois das montanhas, se ele se mover e escalar estas escarpas e olhar por cima delas, vera neste instante sua visão se dilatar para acima desta “redoma” e vera a “verdade” da paisagem acima de seus arredores. Vera o seu vale, mas também vera o mundo com seus novos horizontes, onde haverá muito para se descobrir e conhecer.
Estas novas paisagens serão provavelmente DIFERENTES dos seus conceitos de sua imaginação, daquilo que ele acreditava que deveria ser segundo os seus preconceitos e valores, enquanto estava cerceado em seu “vale” em sua “redoma”. Vê que o mundo não se restringe em apenas um “vale” o “seu vale” e não pode fazer rodar o mundo “dentro do seu vale”.

Assim vejo, que em primeira linha, teve que haver uma decisão pessoal e posteriormente um “movimento”, ou seja, esta pessoa que vivia no vale teve que se “impulsionar”, teve que se “mover” para acima das montanhas. Ela teve que querer, uma decisão de seu livre arbítrio e depois teve que “fazer”, ou seja ,escalar.
Na realidade são 3 ações: o reconhecer, o decidir e o executar.
Ora, da mesma maneira vejo o desenvolvimento do entendimento espiritual de cada ser humano, rompendo com o seu querer, seu livre arbítrio, os limites desta redoma que porventura tenha estado. Parafraseando o Sr. Pastor: “O primeiro ponto é entender a graça de Deus...” e ”A maneira de se relacionar das pessoas é baseada no mérito; a maneira de Deus se relacionar é baseada na graça”. É... não é o mérito de escalar a montanha como no nosso exemplo, mas a graça de RECONHECER! Quem sabe... as vezes nem se vê as montanhas...!!!

Marcos Schnabel disse...

Continuando, coloco aqui a outra frase: “Minha conclusão é de que Mateus está dizendo que todos são iguais, porque a graça de Deus iguala a todos!“
É... vejamos bem... a diferença então não esta na Graça de Deus! Jamais!
A Graça de Deus É! Desde o inicio dos tempos ate toda a eternidade. Nunca mudará, assim sempre será! Plena e grandiosa, igual para todos.
E continuando em suas palavras: “mas a questão não é com a bondade de Deus, mas sim com os olhos que estão contaminados com a falta de misericórdia e amor”.
Pois é... ai esta a diferença! Não de Deus para nós, mas sim de nós para Deus.
Isto não deve dar a cada um o que pensar?!

Mas tudo tem um caminho, uma solução. Deus enviou seu Filho Jesus para trazer a Verdade, a Luz para a Terra. Assim, se cada qual, no seu momento mais intimo, colocar sua verdadeira fé, intensa, límpida e profunda aos pés do Criador do Universo, sem pré-conceitos ou valores pré-concebidos, Deus lhe conduzira ao reconhecimento para o caminho “acima do vale”. E lembrando das palavras do Pastor Alonso neste domingo acerca do “fardo que carreguemos”. Segundo entendi Jesus disse: “venham a mim, que meu fardo é Leve e Manso”.
Que palavras incisivas! Por quê? Porque somente nos será “dado exatamente aquilo que podemos suportar”, compreender, executar e será dado com amor.

Pois então nada nos impede de caminhar confiantes ampliando nossos horizontes no reconhecimento de Deus, Pai todo Poderoso que criou a Terra e nos também para o engrandecimento.

A única coisa que nos impede somos nós mesmos!

Um GRANDE abraço!