A pluralidade é um paradigma
da cultura pós-moderna. A capacidade de aglutinar a diversidade e o diferente é
uma característica do comportamento da sociedade que tem como marca a secularização, ou seja, não há uma
hegemonia de raciocínio ou força mobilizadora única. Segundo Peter Berger houve
o fim do monopólio religioso e ideológico. Neste sentido então, o pluralismo
torna-se um princípio para o diálogo
a partir da alteridade, ou seja, olhar o outro
com suas convicções e tradições e estabelecer uma relação fraterna e respeitosa
ao ponto de um mútuo enriquecimento. Isso é possível, segundo Claude Geffré,
por ser o pluralismo um paradigma
teológico.
Por esses dias tivemos mais uma
oportunidade de vivenciar um diálogo fraterno e cordial entre a Aliança Batista
Mundial (ABM), representada por Timothy
George, deão da Beeson Divinity School, da Universidade de Stamford, em
Birmingham, estado do Alabama, EUA, e presidente da
Comissão de Doutrina e União Cristã da Aliança Batista Mundial, que
participou de um sínodo no Vaticano, e foi recebido pelo Papa Bento XVI.
Na recepção à delegação da ABM, Bento XVI se dirige aos batistas da seguinte
maneira:
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Queridos amigos:
Dou-vos minhas cordiais boas-vindas, membros da comissão internacional
patrocinada pela Aliança Mundial Batista e pelo Conselho Pontifício para a
Promoção da Unidade dos Cristãos. Agrada-me que tenhais escolhido como lugar
para vosso encontro esta cidade de Roma, onde os apóstolos Pedro e Paulo
proclamaram o Evangelho e coroaram seu testemunho do Senhor ressuscitado
derramando seu sangue. Espero que vossas conversas tragam abundantes frutos
para o progresso do diálogo e o crescimento do entendimento e da cooperação
entre católicos e batistas.
O tema que haveis escolhido para esta fase de contatos, «A Palavra de
Deus na vida da Igreja: Escritura, Tradição e Koinonia», oferece um contexto
promissor para examinar estas questões historicamente controvertidas, como a
relação entre Escritura e Tradição, a compreensão do Batismo e dos sacramentos,
o lugar de Maria na comunhão da Igreja e a natureza do primado na estrutura
ministerial da Igreja.
Para conseguir nossa esperança de reconciliação e uma maior fraternidade
entre batistas e católicos, é necessário enfrentar juntos temas como estes, com
um espírito de abertura, respeito recíproco e fidelidade à verdade libertadora
e ao poder salvador do Evangelho de Jesus Cristo.
Como crentes em Cristo, nós o reconhecemos como o único mediador entre
Deus e a humanidade (1 Timóteo 2,
5), nosso Salvador, nosso Redentor. Ele é a pedra angular (Efésios 2, 21; 1 Pedro 2:4-8); e a cabeça do corpo,
que é a Igreja (Colossenses 1,
18). Neste período do Advento, atendemos sua vinda em espera e oração. Hoje o
mundo precisa mais que nunca de nosso testemunho comum de Cristo e da esperança
trazida pelo Evangelho. A obediência à vontade do Senhor nos estimula constantemente
a alcançar essa unidade tão emotivamente expressa em sua oração sacerdotal:
«Que todos sejam um... para que o mundo creia» (João 17, 21). A falta de unidade entre os cristãos «contradiz
abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também
prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a criatura».
Queridos amigos, eu vos transmito meus melhores desejos e vos asseguro
minhas orações para a importante obra que empreendestes. Invoco os dons do
Espírito Santo de sabedoria, entendimento, força e paz sobre vossas conversas,
sobre cada um de vós e sobre vossos entes queridos.
Traduzido por Élison Santos
***
O batista norte-americano tem alguns
textos publicados no Brasil sendo o principal deles Teologia dos reformadores (Vida Nova). Um estudioso das religiões, Timothy George salientou no encontro que os “bVisite: Gospel +, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospelatistas e católicos
divergem em temas teológicos e eclesiásticos, mas estão comprometidos em
buscar maior entendimento mútuo através de um processo de diálogo amoroso e
respeitoso”.
O encontro pontuou questões de evangelização
e a capacidade de diálogo, além de alertar para a necessidade de olhar para
países onde a liberdade religiosa (um dos principais princípios dos batistas)
está sendo cerceada por autoridades e governos autoritários. Sobre a
evangelização o teólogo batista completou de que todos os batistas confessam
uma “fé vigorosa no único Deus trino, que
em sua grande misericórdia e amor nos fez participantes da sua vida divina
através de Jesus Cristo, o grande evangelizador, que nos salvou somente por sua
graça”.
O ecumenismo sempre fez parte da agenda da ABM.
Os batistas, de um modo geral, sempre preservaram a relação ecumênica,
principalmente na Europa. Há, inclusive, no Conselho Mundial de Igrejas (CMI), batistas.
O mesmo não ocorre no país de Timothy George. A Convenção Batista do Sul dos
EUA, uma das maiores do mundo, por diversas vezes, recusou convites para fazer parte do CMI
e da própria ABM.
Os batistas deveriam ser os principais
a protagonizar o diálogo ecumênico exatamente por conta de seus princípios. Como
lembra muito bem Zaqueu Moreira de Oliveira, o diálogo é possível desde que os princípios não sejam feridos.
A pluralidade é um elemento de
unidade porque permite aos batistas, por não serem tutelados por nenhum
segmento eclesiástico ou denominacional, pensar diferente e poder construir
caminhos com outros irmãos.