“É preciso lembrar a igreja que ela não é senhora nem serva do Estado, mas, sim, a consciência dele. A igreja tem o dever de o criticar e o orientar, sem nunca se tornar para ele num instrumento”.
Martin Luther King Jr.
Prêmio Nobel da Paz
Quando chega esta época é a mesma coisa. Os políticos fazem suas alianças, combinam suas barganhas, prometem o impossível e compram alguns votos, infelizmente. No cenário evangélico chega a ser até mesmo bizarro algumas coisas. Os pretensos “eleitos do Senhor” usam o púlpito, transformando-o em palanque e com a conivência do líder/pastor, despeja um punhado de asneiras para convencer o povo de Deus de que ele e não outro é o “escolhido de Deus” para o cargo. Já vi este filme: sacos de cimento são “doados”; tijolos comprados e latas de tinta adquiridas tudo em nome da “providência divina” que ouviu as orações da igreja. Chega a ser hilário.
O uso da religião para fins eleitoreiros não é de hoje. No primeiro mandato do Presidente Lula muito se ouviu que o PT iria fechar igrejas caso o Lula ganhasse. Fez-se um verdadeiro terrorismo em cima disso. Hoje os mesmos que criticaram lá atrás dão o púlpito para a sua pretensa sucessora falar em “nome de Deus”, pertencendo a um partido que tem ideias claras quanto ao aborto, união civil de homossexuais, o chamado Programa Nacional de Direitos Humanos que será alvo de discussões na próxima legislatura. Para participar do poder se vende princípios, se esquece da orientação bíblica. É sabidamente que igrejas ganham eleição. É por isso que no Congresso Nacional há diversos parlamentares defendendo os interesses coorporativos de sua denominação. Para ganhar votos o discurso é o mesmo: “irmão vota em irmão”; “Deus não nos colocou para sermos calda, mas cabeça”. Em alguns lugares há até mesmo “revelação” de Deus confirmando o candidato X. Em algumas igrejas o candidato leva a igreja de “porteira fechada” e aí daquele que não cumprir com os “propósitos de Deus”. Cidadania, direito de votar em quem quiser não existe.
Reina no inconsciente eleitoral tido como evangélico a figura de um messias, alguém que irá salvar a sociedade brasileira. Essa tendência de teocratizar o Estado não é de hoje. Calvino, por exemplo, pretendia estabelecer em Genebra um sistema totalitário onde pudesse controlar a vida dos cidadãos usando como pressuposto a Bíblia. Ele queria na verdade uma aristocracia dos eleitos, para isso queimou pessoas contrarias as suas pretensões. A perseguição religiosa promovida pela monarquia inglesa foi legitimada pela Igreja Anglicana, surgindo daí grupos contrários à união Igreja-Estado, dentre eles os batistas levantando a bandeira da separação entre Igreja e Estado no século XVII. Parece que em época de eleições o povo evangélico respira ares teocráticos. O candidato tem como legitimação a “vontade de Deus” e sendo assim Deus irá fazê-lo ganhar. Não é democracia onde o povo elege seus representantes pelo seu plano de governo e biografia pública, mas é teocracia, Deus movendo os eleitores para eleger o irmão que é “servo do Senhor”.
Deus não tem título de eleitor e muito menos preferência partidária. É preciso entender que a história é conduzida por homens e suas decisões têm consequências. Durante muito tempo se ouvia em nossas igrejas que cristão não se envolvia com política, é por isso que a classe política do país é menos respeitada de todas as instituições. O não envolvimento levou a igreja a uma profunda omissão na vida política do país. Na Bíblia há diversos exemplos de homens que lutaram contra um sistema político que marginalizava e oprimia as pessoas. Os profetas: Jeremias, Amós, um Isaías. Em comum há uma mensagem profética de repúdio as práticas desumanas e parciais dos reis! João Batista no Novo Testamento, não ficou calado diante da corrupção e imoralidade de Herodes, perdeu a cabeça por conta disso. O próprio Jesus que contrario os poderosos sacerdotes quando expulsou os ladrões que abusavam da boa fé do povo no templo de Jerusalém.
A frase que sempre se ouve para justificar os desmandos, a corrupção, a falta de atendimento adequado do Estado para a população foi: “o mundo jaz do maligno mesmo”. O cristão é cidadão e como tal deve zelar pelas leis e o pleno desenvolvimento humano da sociedade; a igreja, como voz profética, não pode ficar quieta e calada com atrocidades envolvendo o dinheiro público. Não foi Deus quem colocou Hitler no poder que por sua vez dizimou milhares de judeus e marcou a história humana com uma desgraça sem precedentes; não foi Deus quem colocou George W. Bush no poder, aliás, foi em nome dele que ele conseguiu o segundo mandato, um Presidente desastroso e responsável por duas guerras no mundo. Gandhi ficou decepcionado com o Cristianismo por ver os protestantes ingleses oprimir o povo indiano; os protestantes holandeses foram os responsáveis pela segregação racial criminosa na África do Sul.
Deus não tem título de eleitor muito menos partido, nós sim! A história humana é conduzida por homens. A corrupção nasce no coração humano; é o homem que se acha no direito de subjugar o próximo. Não cabe a igreja dizer em quem se deve votar ou não, aliás, como batista isto é inadmissível. Um dos nossos princípios é a liberdade de opinião e consciência, portanto, seria infringir este princípio impelindo o povo a votar nesse ou naquele. Agora cabe a igreja ser voz ativa e quando for do interesse da sociedade denunciar ou ajudar o Estado no bem comum do povo, porque isso é avançar com os valores do Reino de Deus.
Ser de uma igreja X ou Y não credencia ninguém a cargo político, muito menos a pedir votos em nome de Deus. Ser cidadão e cristão comprometido com a justiça, com o bem comum do povo, com os valores do Reino de Deus, sim.
"Escrever é construir, através do texto, um modelo específico de leitor" (Humberto Eco)
5.9.10
MAIS DO MESMO? NÃO!
Estamos em um momento ímpar no país. Embora o povo não se envolva com a política do país como se envolve com a Copa do Mundo, o fato é que no dia três de outubro vamos todos a urna eleger um presidente para conduzir o país nos próximos anos. Considerando que o horário obrigatório eleitoral é uma verdadeira maquiagem dos candidatos, além é claro de nos fazer rir e muito, o fato é que temos uma ideologia dominante no país: o metalúrgico que nunca trabalhou e nem mesmo estudou, consegue a proeza de ter 80% da aprovação popular. A sua pupila quer continuar o seu suposto legado.
Uma das características da democracia é a alternância no poder. Um projeto que vise à perpetuação no poder nunca será bom para o desenvolvimento da democracia e o fortalecimento das instituições do país.
Se o povo aceitar Dilma estará aceitando continuar mais do mesmo. Os mesmos nomes que apoiaram Lula como José Sarney e seus crimes encobertos pelo PT, blindando o presidente do Senado; ainda teremos mais do mesmo um Fernando Collor; Renan Calheiros e seus escândalos, coronel em Alagoas; José Dirceu estará de volta; Palocci nem se fala. O grande problema é que a sociedade brasileira tem amnésia, sofre de memória desgastada. Não se lembra que o mensalão envolveu todos esses e apenas o presidente assegurou que não sabia: o que é pior saber ou não saber que seus companheiros estão arquitetando um plano para se perpetuar no poder?
Essas eleições parecem que há somente duas opções: mais do mesmo, Dilma; mais do antigo, Serra. Formou-se no imaginário político no país a ideia de que há somente dois partidos, PSDB e PT. Aqui não é os Estados Unidos! Há outras opções e não passa por quem está no poder e quer continuar, a qualquer custo, e aqueles que querem retornar, a qualquer custo também.
As pesquisas de intenção de voto apontam a candidata petista na frente, ganhando ainda no primeiro turno, o que seria uma catástrofe para a democracia brasileira. É sinal de que o Lula conseguiria eleger até mesmo um poste, se quisesse. As pesquisas exercem uma sensação psicológica incrível sobre as pessoas e instaura a velha ideia: “xiiii, já ganhou”. Enquanto isso predomina, as pessoas não conseguem enxergar que há outra opção, de que não temos apenas dois candidatos com chance de ganharem, mas sim três!
Eu não quero mais do mesmo. Quero saber o que este governo fez durante esses oito anos; quero saber se houve desvios de verbas no famoso PAC, embora não tenha dúvidas disso; quero pelo menos tentar com outro presidente, para ver se a tributação diminui e se o governo pode controlar gastos e aplicar melhor os recursos que tem, que não são poucos.
Uma das características da democracia é a alternância no poder. Um projeto que vise à perpetuação no poder nunca será bom para o desenvolvimento da democracia e o fortalecimento das instituições do país.
Se o povo aceitar Dilma estará aceitando continuar mais do mesmo. Os mesmos nomes que apoiaram Lula como José Sarney e seus crimes encobertos pelo PT, blindando o presidente do Senado; ainda teremos mais do mesmo um Fernando Collor; Renan Calheiros e seus escândalos, coronel em Alagoas; José Dirceu estará de volta; Palocci nem se fala. O grande problema é que a sociedade brasileira tem amnésia, sofre de memória desgastada. Não se lembra que o mensalão envolveu todos esses e apenas o presidente assegurou que não sabia: o que é pior saber ou não saber que seus companheiros estão arquitetando um plano para se perpetuar no poder?
Essas eleições parecem que há somente duas opções: mais do mesmo, Dilma; mais do antigo, Serra. Formou-se no imaginário político no país a ideia de que há somente dois partidos, PSDB e PT. Aqui não é os Estados Unidos! Há outras opções e não passa por quem está no poder e quer continuar, a qualquer custo, e aqueles que querem retornar, a qualquer custo também.
As pesquisas de intenção de voto apontam a candidata petista na frente, ganhando ainda no primeiro turno, o que seria uma catástrofe para a democracia brasileira. É sinal de que o Lula conseguiria eleger até mesmo um poste, se quisesse. As pesquisas exercem uma sensação psicológica incrível sobre as pessoas e instaura a velha ideia: “xiiii, já ganhou”. Enquanto isso predomina, as pessoas não conseguem enxergar que há outra opção, de que não temos apenas dois candidatos com chance de ganharem, mas sim três!
Eu não quero mais do mesmo. Quero saber o que este governo fez durante esses oito anos; quero saber se houve desvios de verbas no famoso PAC, embora não tenha dúvidas disso; quero pelo menos tentar com outro presidente, para ver se a tributação diminui e se o governo pode controlar gastos e aplicar melhor os recursos que tem, que não são poucos.
UMA "NOVA" ESPIRITUALIDADE
Leituras em Marià Corbí Quiñonero e Dietrich Bonhoeffer
É claro que aqui não é a Europa. Por lá o Cristianismo passou por um processo de secularização decorrente das duas guerras mundiais. O surgimento da Filosofia da Vida e a preocupação de teólogos como Paul Tillich dentre outros, buscaram fazer uma ponte entre aquela realidade e o Cristianismo. A contribuição de Tillich no debate Cristianismo e Cultura foram essenciais.
Os dois pensadores do subtítulo em questão fizeram o mesmo caminho: compreender a realidade e buscar pontes, meios para um diálogo entre Religião e Sociedade, mais especificamente com a pós-modernidade. Bonhoeffer foi encarcerado no regime totalitário de Adolf Hitler a partir de cinco de abril de 1943. O seu templo foi a prisão, seu gabinete pastoral foi uma cela, suas ovelhas foram os presos, sua espiritualidade era para os não-religiosos. Bonhoeffer faz questão de frisar que Jesus nunca, e nem se quer deixou, a impressão de mostrar às pessoas que elas eram realmente piores quando na verdade eram de fato; com os ladrões na cruz ele não fez nenhuma tentativa de convencimento, até que um deles dirigiu a palavra a ele. Essa tentativa de ser mais religioso que Deus é pedantismo espiritual. É por isso que o luterano preferia a companhia de “não-crentes” à de piedosos que só falavam a respeito de Deus.
Outro pensador é Marià Corbí Quiñonero. Para Corbí a espiritualidade hoje precisa passar por novos modelos. Partindo sobre os pressupostos de que o mundo passa/ou por transformações e mudanças culturais, Marià Corbí entende que vivemos um grande trânsito cultural, não há mais condições para um etnocentrismo ou o fundamentalismo coexistir com esta dinâmica, ainda que haja em países e culturas esta mentalidade, mas, segundo ele, será inevitável a superação dessas formas de vê o mundo pela globalização e a secularização. Entendendo que as religiões foram desenvolvidas em uma época pré-industrial, e, que, portanto, as crenças e a maneira de ver o mundo passa pelo mito, pelos símbolos, pelas narrações sagradas, Corbí acredita que esta maneira de ver o mundo foi superada ocorrendo a primeira secularização. Esta se deu quando o cristianismo travou sangrentas guerras em nome de Deus, de forma inevitável, a secularização abarcou o Estado e a vida pública das pessoas, deixando a opção religiosa sob a escolha de cada um. Este processo teve como impulsionador o Iluminismo. Com isso Corbí entende que as religiões entraram numa crise de sentido por não saber dialogar ou se inserir neste processo, surgindo então dois caminhos: postura conciliatória de diálogo e compreensão dos novos tempos ou fundamentalismo, se fechando para o mundo e suas transformações. Mas isso não é tudo nesta crise religiosa, o espanhol entende que a segunda secularização é pior que a primeira. Na primeira é dado ao indivíduo escolher, ainda uma religião institucional, a segunda secularização passa pela espiritualidade, ou seja, é quando o indivíduo entende que não precisa da mediação institucional ou ortodoxa para vivenciar a sua espiritualidade. Desse modo a religião e a espiritualidade não são mais inseparáveis, são dicotômicas de fato.
Recentemente a Revista Época publicou uma reportagem intitulada “A nova reforma protestante”. Além de ouvir alguns pastores/teólogos sobre o tema, a revista trouxe uma reportagem sobre o senhor Rani Rosique. Um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. Este homem reúne-se periodicamente com vizinhos, conhecidos e amigos, umas quinze pessoas ao todo, para falar sobre a Bíblia, orar e cantar na área de uma casa. Depois a confraternização: chá com bolachas. Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Para a Revista Época, Rani pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estou em uma cidade pequena em que a religiosidade ainda é uma marca. Mas já vivenciamos discursos claros que envolvem a separação entre espiritualidade e o pertencimento a uma igreja. Penso que é um momento de reformular mesmo os modelos e a forma que entendemos um grupo de pessoas que se reúne periodicamente entre quatro paredes. Se não surgir um Cristianismo que propõe o seguimento de Jesus, a comunhão de fato, a maneira de vivenciar a fé e sua incrível necessidade de diálogo, irá surgir cada vez mais grupos como o do senhor Rani Rosique, o que é salutar também.
É claro que aqui não é a Europa. Por lá o Cristianismo passou por um processo de secularização decorrente das duas guerras mundiais. O surgimento da Filosofia da Vida e a preocupação de teólogos como Paul Tillich dentre outros, buscaram fazer uma ponte entre aquela realidade e o Cristianismo. A contribuição de Tillich no debate Cristianismo e Cultura foram essenciais.
Os dois pensadores do subtítulo em questão fizeram o mesmo caminho: compreender a realidade e buscar pontes, meios para um diálogo entre Religião e Sociedade, mais especificamente com a pós-modernidade. Bonhoeffer foi encarcerado no regime totalitário de Adolf Hitler a partir de cinco de abril de 1943. O seu templo foi a prisão, seu gabinete pastoral foi uma cela, suas ovelhas foram os presos, sua espiritualidade era para os não-religiosos. Bonhoeffer faz questão de frisar que Jesus nunca, e nem se quer deixou, a impressão de mostrar às pessoas que elas eram realmente piores quando na verdade eram de fato; com os ladrões na cruz ele não fez nenhuma tentativa de convencimento, até que um deles dirigiu a palavra a ele. Essa tentativa de ser mais religioso que Deus é pedantismo espiritual. É por isso que o luterano preferia a companhia de “não-crentes” à de piedosos que só falavam a respeito de Deus.
Outro pensador é Marià Corbí Quiñonero. Para Corbí a espiritualidade hoje precisa passar por novos modelos. Partindo sobre os pressupostos de que o mundo passa/ou por transformações e mudanças culturais, Marià Corbí entende que vivemos um grande trânsito cultural, não há mais condições para um etnocentrismo ou o fundamentalismo coexistir com esta dinâmica, ainda que haja em países e culturas esta mentalidade, mas, segundo ele, será inevitável a superação dessas formas de vê o mundo pela globalização e a secularização. Entendendo que as religiões foram desenvolvidas em uma época pré-industrial, e, que, portanto, as crenças e a maneira de ver o mundo passa pelo mito, pelos símbolos, pelas narrações sagradas, Corbí acredita que esta maneira de ver o mundo foi superada ocorrendo a primeira secularização. Esta se deu quando o cristianismo travou sangrentas guerras em nome de Deus, de forma inevitável, a secularização abarcou o Estado e a vida pública das pessoas, deixando a opção religiosa sob a escolha de cada um. Este processo teve como impulsionador o Iluminismo. Com isso Corbí entende que as religiões entraram numa crise de sentido por não saber dialogar ou se inserir neste processo, surgindo então dois caminhos: postura conciliatória de diálogo e compreensão dos novos tempos ou fundamentalismo, se fechando para o mundo e suas transformações. Mas isso não é tudo nesta crise religiosa, o espanhol entende que a segunda secularização é pior que a primeira. Na primeira é dado ao indivíduo escolher, ainda uma religião institucional, a segunda secularização passa pela espiritualidade, ou seja, é quando o indivíduo entende que não precisa da mediação institucional ou ortodoxa para vivenciar a sua espiritualidade. Desse modo a religião e a espiritualidade não são mais inseparáveis, são dicotômicas de fato.
Recentemente a Revista Época publicou uma reportagem intitulada “A nova reforma protestante”. Além de ouvir alguns pastores/teólogos sobre o tema, a revista trouxe uma reportagem sobre o senhor Rani Rosique. Um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. Este homem reúne-se periodicamente com vizinhos, conhecidos e amigos, umas quinze pessoas ao todo, para falar sobre a Bíblia, orar e cantar na área de uma casa. Depois a confraternização: chá com bolachas. Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Para a Revista Época, Rani pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estou em uma cidade pequena em que a religiosidade ainda é uma marca. Mas já vivenciamos discursos claros que envolvem a separação entre espiritualidade e o pertencimento a uma igreja. Penso que é um momento de reformular mesmo os modelos e a forma que entendemos um grupo de pessoas que se reúne periodicamente entre quatro paredes. Se não surgir um Cristianismo que propõe o seguimento de Jesus, a comunhão de fato, a maneira de vivenciar a fé e sua incrível necessidade de diálogo, irá surgir cada vez mais grupos como o do senhor Rani Rosique, o que é salutar também.
10.8.10
BATISTAS NA POLÍTICA
As relações do protestantismo com a política sempre foi ambígua. Lutero, por exemplo, não queria uma separação Igreja-Estado; Calvino foi prefeito de Genebra e governou a cidade com mãos de ferro, para ele a cidade seria uma aristocracia dos eleitos de Deus (Rubem Alves). Apenas um ramo do protestantismo, o inglês naturalmente e entre eles os batistas, sempre pontuou a separação Igreja-Estado.
Notadamente, os batistas têm na separação Igreja-Estado um dos seus principais princípios. Ocorre que a defesa da separação Igreja-Estado nunca significou omissão e desinteresse pela política. No Brasil os principais fatores que levaram os protestantes a se omitir na vida política do país foi(e é) uma teologia fatalista como o pré-milenismo. Pregou-se muito sobre o lar no céu, cantou-se muitos hinos sobre o futuro no Paraíso causando um completo desinteresse no aqui e agora, na vida cotidiana e suas mazelas. Juntamente com o pré-milenismo há o fundamentalismo bíblico que só se preocupou em interpretar a doutrina e enclausurar a igreja dentro dela mesma! A Igreja se esqueceu de que todo ato humano é ato político e desassociou o discurso bíblico da realidade política e social do país. A Igreja quando precisou se manifestar se calou, foi conivente e até mesmo entregou teólogos, porque tinha um discurso “subversivo” demais para a Igreja, ao regime militar que tanto humilhou, torturou e matou quem era contrário a Ditadura Militar.
Com a Teologia da Libertação e seu engajamento político, houve críticas, e logo muitos protestantes se posicionaram contra esta teologia por ver uma ligação muito forte com o marxismo. Mais uma vez, portanto, fica de fora de uma efetiva participação política no país.
Muito se ouve sobre a Igreja Católica e sua estreita relação com o Estado. É verdade! A própria Igreja Católica é um Estado. Mas nem por isso eles deixam de atuar politicamente no país. Recentemente o Congresso Nacional aprovou o Projeto da Ficha Limpa, iniciativa da CNBB que arrecadou mais de um milhão de assinaturas para o projeto entrar em discussão na Câmara dos Deputados e ser aprovado, impedindo assim diversos candidatos com processos, até mesmo criminais, se candidatarem. A Igreja Católica não apóia candidato X ou Y! Enquanto isso pentecostais e neopentecostais apóiam abertamente candidatos, fazem reuniões com candidatos para fechar número de votos! Eles detêm uma ideologia sobre o grupo que os qualifica dizer quem deve votar em quem! Quando surgem os escândalos como os “Sanguessugas” e dinheiro em cuecas, ou deputados estaduais orando “agradecendo a Deus” a propina recebida, colocam todos no mesmo pacote.
Estou acompanhando candidatos batistas. É salutar a iniciativa, até porque algum tempo atrás se ouvia muito nas igrejas: “crente não se mete em política”. Enquanto este discurso predominou, muitos entraram nas esferas do poder e não representaram de fato o povo, pelo contrário, buscaram o seu interesse em primeiro lugar, isso não é nenhuma novidade.
É legítimo pleitear uma vaga quer a nível municipal, estadual ou federal. Uma das coisas que gosto na Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira é o item ORDEM SOCIAL que diz: “Como sal da terra e luz do mundo, o cristão tem o dever de participar em todo o esforço que tende ao bem comum da sociedade em que vive”. Uma dessas formas de buscar o bem comum da sociedade é ver a política como ferramenta, aliás, ela é a única ferramenta de transformação numa sociedade democrática que tem no sistema de governo republicano a eleição de representantes. Portanto, nada mais natural, do que servir a população com um mandato sério e competente.
O que se espera de candidatos, batistas naturalmente, é que façam valer o voto não para defender interesses corporativos, muito menos com um discurso de que “tem que ter gente nossa lá”. Temos que ter candidatos com diferencial, não nos moldes dos pentecostais ou neopentecostais que movem céus e terras para eleger gente que irá defender os interesses da igreja X ou Y. O candidato batista precisa ter em mente que o seu mandato irá contribuir para o avanço dos valores do Reino de Deus na sociedade e a sua governabilidade é para todos e nunca, em hipótese nenhuma, para batistas, mas para uma sociedade que está cansada de mentiras e promessas fraudulentas. Somente assim é possível justificar apoio, do contrário será mais um tentando usar da política como trampolim para o poder, para o foro privilegiado, para os benefícios enormes que a classe política desse país usufrui.
Notadamente, os batistas têm na separação Igreja-Estado um dos seus principais princípios. Ocorre que a defesa da separação Igreja-Estado nunca significou omissão e desinteresse pela política. No Brasil os principais fatores que levaram os protestantes a se omitir na vida política do país foi(e é) uma teologia fatalista como o pré-milenismo. Pregou-se muito sobre o lar no céu, cantou-se muitos hinos sobre o futuro no Paraíso causando um completo desinteresse no aqui e agora, na vida cotidiana e suas mazelas. Juntamente com o pré-milenismo há o fundamentalismo bíblico que só se preocupou em interpretar a doutrina e enclausurar a igreja dentro dela mesma! A Igreja se esqueceu de que todo ato humano é ato político e desassociou o discurso bíblico da realidade política e social do país. A Igreja quando precisou se manifestar se calou, foi conivente e até mesmo entregou teólogos, porque tinha um discurso “subversivo” demais para a Igreja, ao regime militar que tanto humilhou, torturou e matou quem era contrário a Ditadura Militar.
Com a Teologia da Libertação e seu engajamento político, houve críticas, e logo muitos protestantes se posicionaram contra esta teologia por ver uma ligação muito forte com o marxismo. Mais uma vez, portanto, fica de fora de uma efetiva participação política no país.
Muito se ouve sobre a Igreja Católica e sua estreita relação com o Estado. É verdade! A própria Igreja Católica é um Estado. Mas nem por isso eles deixam de atuar politicamente no país. Recentemente o Congresso Nacional aprovou o Projeto da Ficha Limpa, iniciativa da CNBB que arrecadou mais de um milhão de assinaturas para o projeto entrar em discussão na Câmara dos Deputados e ser aprovado, impedindo assim diversos candidatos com processos, até mesmo criminais, se candidatarem. A Igreja Católica não apóia candidato X ou Y! Enquanto isso pentecostais e neopentecostais apóiam abertamente candidatos, fazem reuniões com candidatos para fechar número de votos! Eles detêm uma ideologia sobre o grupo que os qualifica dizer quem deve votar em quem! Quando surgem os escândalos como os “Sanguessugas” e dinheiro em cuecas, ou deputados estaduais orando “agradecendo a Deus” a propina recebida, colocam todos no mesmo pacote.
Estou acompanhando candidatos batistas. É salutar a iniciativa, até porque algum tempo atrás se ouvia muito nas igrejas: “crente não se mete em política”. Enquanto este discurso predominou, muitos entraram nas esferas do poder e não representaram de fato o povo, pelo contrário, buscaram o seu interesse em primeiro lugar, isso não é nenhuma novidade.
É legítimo pleitear uma vaga quer a nível municipal, estadual ou federal. Uma das coisas que gosto na Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira é o item ORDEM SOCIAL que diz: “Como sal da terra e luz do mundo, o cristão tem o dever de participar em todo o esforço que tende ao bem comum da sociedade em que vive”. Uma dessas formas de buscar o bem comum da sociedade é ver a política como ferramenta, aliás, ela é a única ferramenta de transformação numa sociedade democrática que tem no sistema de governo republicano a eleição de representantes. Portanto, nada mais natural, do que servir a população com um mandato sério e competente.
O que se espera de candidatos, batistas naturalmente, é que façam valer o voto não para defender interesses corporativos, muito menos com um discurso de que “tem que ter gente nossa lá”. Temos que ter candidatos com diferencial, não nos moldes dos pentecostais ou neopentecostais que movem céus e terras para eleger gente que irá defender os interesses da igreja X ou Y. O candidato batista precisa ter em mente que o seu mandato irá contribuir para o avanço dos valores do Reino de Deus na sociedade e a sua governabilidade é para todos e nunca, em hipótese nenhuma, para batistas, mas para uma sociedade que está cansada de mentiras e promessas fraudulentas. Somente assim é possível justificar apoio, do contrário será mais um tentando usar da política como trampolim para o poder, para o foro privilegiado, para os benefícios enormes que a classe política desse país usufrui.
4.8.10
PASTORES EXECUTIVOS
Estou cada vez mais impressionado com o vocabulário empresarial nas igrejas. Até mesmo a CBESP anualmente promove encontros com especialistas em administração, gestão de negócios. Conversando com um amigo ele me dizia que hoje os pastores deveriam fazer um curso de gestão, de como administrar bem uma igreja, como uma empresa mesmo (palavras dele), em que todos os departamentos apresentassem seus avanços e a igreja trabalhasse o seu produto (entendi que seria o “evangelho”). Outro dia conversando com um colega ele perguntou: “e aí já batizou quantos esse ano?” Minha resposta foi que este ano ainda nenhum, ele arrematou: “xiiii tá fraca a produção”. Este tipo de conceitos está cada vez mais invadindo as igrejas que trabalham com estratégias, conhecendo seu público-alvo, metas e programas.
Congressos, palestras, livros, gurus “evangélicos” e tantas outras coisas estão aparecendo por aí com uma ideia fixa, fazer a igreja crescer a partir das diretrizes empresariais. O pastor, mero administrador, executivo mesmo. Alguém que trabalha com gestão de negócios e não com pessoas; alguém ávido por resultados; alguém que fixa metas para serem alcançadas a médio e longo prazo, como se o Espírito Santo fosse mais um funcionário dessa empresa!
Estamos sendo engolidos cada vez mais pela mentalidade mercadológica. Por esses dias fiquei sabendo que há igrejas que requisitam currículo para pastores candidatos a sucessão ministerial, e outras que até mesmo colocam no mural os currículos dos pretendentes à vaga!
A concorrência é desleal. Hoje é possível ver no mesmo quarteirão de um bairro diversas igrejas, uma concorrendo com a outra por membros, ou melhor, clientes. Aquele que apresenta um diferencial no produto final leva vantagem sobre os outros.
É incrível como nas livrarias tidas como evangélicas encontra-se mais livros de liderança nos moldes empresarial do que temas como justiça social, política brasileira etc. Há uma verdadeira invasão de títulos estrangeiros sobre o assunto, cada um dando sua receita milagrosa.
Os pastores executivos frequentam congressos empresariais; estão ouvindo líderes do mercado sobre crescimento de empresa. O foco deixou de ser as pessoas e passou a ser a instituição que por um acaso ainda se chama igreja. Eugene Peterson faz um alerta em um de seus livros: “os pastores se transformaram em um grupo de gerentes de lojas, sendo que os estabelecimentos comerciais que dirigem são as igrejas. As preocupações são as mesmas dos gerentes: como manter os clientes felizes, como atraí-los para que não corram para a loja concorrente, como embalar os produtos de forma que os consumidores gastem mais dinheiro com eles”.
Quando um amigo sugeriu que as faculdades ou seminários teológicos deveriam ter matérias de gestão de negócios, disse a ele que igreja não é empresa; o Espírito Santo não é um funcionário; Jesus Cristo não é empreendedor, embora alguns o considerem como um.
O vocabulário na igreja dever ser substituído: em vez de produção, transformação; em vez de gerência de departamentos, dons espirituais; vez de executivo, pastor.
Congressos, palestras, livros, gurus “evangélicos” e tantas outras coisas estão aparecendo por aí com uma ideia fixa, fazer a igreja crescer a partir das diretrizes empresariais. O pastor, mero administrador, executivo mesmo. Alguém que trabalha com gestão de negócios e não com pessoas; alguém ávido por resultados; alguém que fixa metas para serem alcançadas a médio e longo prazo, como se o Espírito Santo fosse mais um funcionário dessa empresa!
Estamos sendo engolidos cada vez mais pela mentalidade mercadológica. Por esses dias fiquei sabendo que há igrejas que requisitam currículo para pastores candidatos a sucessão ministerial, e outras que até mesmo colocam no mural os currículos dos pretendentes à vaga!
A concorrência é desleal. Hoje é possível ver no mesmo quarteirão de um bairro diversas igrejas, uma concorrendo com a outra por membros, ou melhor, clientes. Aquele que apresenta um diferencial no produto final leva vantagem sobre os outros.
É incrível como nas livrarias tidas como evangélicas encontra-se mais livros de liderança nos moldes empresarial do que temas como justiça social, política brasileira etc. Há uma verdadeira invasão de títulos estrangeiros sobre o assunto, cada um dando sua receita milagrosa.
Os pastores executivos frequentam congressos empresariais; estão ouvindo líderes do mercado sobre crescimento de empresa. O foco deixou de ser as pessoas e passou a ser a instituição que por um acaso ainda se chama igreja. Eugene Peterson faz um alerta em um de seus livros: “os pastores se transformaram em um grupo de gerentes de lojas, sendo que os estabelecimentos comerciais que dirigem são as igrejas. As preocupações são as mesmas dos gerentes: como manter os clientes felizes, como atraí-los para que não corram para a loja concorrente, como embalar os produtos de forma que os consumidores gastem mais dinheiro com eles”.
Quando um amigo sugeriu que as faculdades ou seminários teológicos deveriam ter matérias de gestão de negócios, disse a ele que igreja não é empresa; o Espírito Santo não é um funcionário; Jesus Cristo não é empreendedor, embora alguns o considerem como um.
O vocabulário na igreja dever ser substituído: em vez de produção, transformação; em vez de gerência de departamentos, dons espirituais; vez de executivo, pastor.
21.7.10
FIM DE TARDE... UM DIÁLOGO
Nesta semana fui brindado com um encontro. Fim de tarde, na calçada de uma rua lá estávamos a conversar. Encontro de duas formas de ver o Cristianismo, de entender teologia, de praticar o sacerdócio, de vivenciar a liturgia. Um diálogo fraterno, respeitoso e inteligente. Conversava com o Pe. Jaime. Veio do Norte do país, Pará. Seu sotaque não nega suas origens. Estudou teologia e filosofia. Durante os quase trinta minutos falamos sobre quase todos os assuntos que envolvem o Cristianismo hoje, quer católico ou protestante. O diálogo girou em torno das formas de ser da Igreja hoje; dos jovens e sua dificuldade em se inserir nas atividades da Igreja; das barreiras que criamos para nos dividir e separar cada vez mais; da necessidade de diálogo para um bem comum.
Algum tempo atrás este tipo de conversa seria impossível. Aliás, para muitos ainda é. Não se pode conversar com católico, são “adoradores” de imagem. A tradição protestante sempre viu no católico alvo de salvação. Quando estabelecidos no Brasil, os protestantes de missão (presbiterianos, metodistas, batistas) viram no catolicismo o atraso do país e a barreira para um Estado laico onde a separação Igreja- Estado fosse de fato possível. É claro que a história da Igreja no Brasil conta com inúmeras investidas da Igreja Católica para silenciar, dificultar a inserção protestante por aqui. Houve sim perseguição. Não poderia ser diferente! A Igreja Católica era a religião oficial do Império; a matriz religiosa do país tem no catolicismo seu modo de ser; a cultura religiosa brasileira passa pelo catolicismo.
Minha conversa com o Pe. Jaime mostra o quanto é possível um diálogo fraterno e respeitoso em que se coloca o ponto de vista de um determinado assunto. Em tempos de pluralismo religioso, é imprescindível o diálogo. Ele será possível quando perdemos aquele sentimento de predomínio sobre os outros, de achar que somos mais corretos, mais santos, donos da verdade absoluta. É claro que as divergências quanto à fé haverá! Há pontos no catolicismo que são impossíveis de aceitar, como por exemplo, a infalibilidade do papa, a assunção de Maria dentre outras coisas. Acontece que o fundamentalismo nos ensinou durante anos de que nós (protestantes) estamos sempre com a razão! Isso nos imobilizou quanto ao diálogo; tornou-nos turrões; incapazes de ver a graça de Deus em outras manifestações religiosas. Ocorre que o fundamentalismo está perdendo terreno e uma nova mentalidade está surgindo. Uma mentalidade de que é possível ver convergência na divergência; uma mentalidade que tem como base a espiritualidade de Jesus que nutriu comunhão com os espoliados da sua sociedade; sentou-se a mesa com pecadores, com aqueles que ninguém gostaria de conversar, principalmente os fariseus, donos da verdade e do juízo!
Não é mais possível um apartheid religioso. É preciso ter, acima de tudo, o amor para com o próximo, pois somente ele pode nos libertar de preconceitos e incoerências com o Evangelho.
Algum tempo atrás este tipo de conversa seria impossível. Aliás, para muitos ainda é. Não se pode conversar com católico, são “adoradores” de imagem. A tradição protestante sempre viu no católico alvo de salvação. Quando estabelecidos no Brasil, os protestantes de missão (presbiterianos, metodistas, batistas) viram no catolicismo o atraso do país e a barreira para um Estado laico onde a separação Igreja- Estado fosse de fato possível. É claro que a história da Igreja no Brasil conta com inúmeras investidas da Igreja Católica para silenciar, dificultar a inserção protestante por aqui. Houve sim perseguição. Não poderia ser diferente! A Igreja Católica era a religião oficial do Império; a matriz religiosa do país tem no catolicismo seu modo de ser; a cultura religiosa brasileira passa pelo catolicismo.
Minha conversa com o Pe. Jaime mostra o quanto é possível um diálogo fraterno e respeitoso em que se coloca o ponto de vista de um determinado assunto. Em tempos de pluralismo religioso, é imprescindível o diálogo. Ele será possível quando perdemos aquele sentimento de predomínio sobre os outros, de achar que somos mais corretos, mais santos, donos da verdade absoluta. É claro que as divergências quanto à fé haverá! Há pontos no catolicismo que são impossíveis de aceitar, como por exemplo, a infalibilidade do papa, a assunção de Maria dentre outras coisas. Acontece que o fundamentalismo nos ensinou durante anos de que nós (protestantes) estamos sempre com a razão! Isso nos imobilizou quanto ao diálogo; tornou-nos turrões; incapazes de ver a graça de Deus em outras manifestações religiosas. Ocorre que o fundamentalismo está perdendo terreno e uma nova mentalidade está surgindo. Uma mentalidade de que é possível ver convergência na divergência; uma mentalidade que tem como base a espiritualidade de Jesus que nutriu comunhão com os espoliados da sua sociedade; sentou-se a mesa com pecadores, com aqueles que ninguém gostaria de conversar, principalmente os fariseus, donos da verdade e do juízo!
Não é mais possível um apartheid religioso. É preciso ter, acima de tudo, o amor para com o próximo, pois somente ele pode nos libertar de preconceitos e incoerências com o Evangelho.
5.7.10
ELEIÇÕES 2010: OS BASTIDORES DO PODER
É o mesmo filme outra vez: política e religião uma combinação perfeita. Estamos nos aproximando das eleições presidenciais e já começou uma verdadeira luta pelo poder, pela hegemonia da ideologia que predomina no país. De um lado a candidata do governo Lula, que, aliás, será a primeira eleição que não disputará depois da redemocratização do país. Do outro lado está o candidato da “oposição”. Com o lema o Brasil pode mais não convenceu a maioria, se pode mais por que não continuar com o mesmo? Resta a terceira opção, Marina Silva. Nem mesmo aparece nas pesquisas. O fato mesmo é a presença de igrejas querendo mais uma vez participar do poder, quer diretamente ou indiretamente.
A candidata Dilma Roussef (PT) tem sido a preferência das igrejas pentecostais e neopentecostais. Acontece que Dilma vai de acordo com o vento. No Programa Roda Viva, da TV Cultura, defendeu o casamento homossexual: "Sou a favor da união civil. Acho que a questão do casamento é religiosa. Eu, como indivíduo, jamais me posicionaria sobre o que uma religião deve ou não fazer. Temos que respeitar”. A candidata não se pode dar o desfrute de perder alguns votos entre os homossexuais.
Sociólogos como Paul Freston e Ricardo Mariano pesquisam o apadriamento e o clientelismo dos pentecostais e neopentecostais com a política brasileira. Essas igrejas têm um sucesso eleitoral considerável. Ao lado da Assembleia de Deus a Universal e a Internacional contam com deputados e distribuem apoio a diversos políticos. Agora é a vez da Mundial seguir a mesma cartilha da sua igreja mãe (Universal), buscar um lugar ao sol com o discurso de que tem que ter gente “deles” para defender os interesses corporativos da igreja, apenas isso. As igrejas Assembleia de Deus, Universal e Internacional estão juntas a favor de Dilma. O apoio declarado da Assembleia de Deus tem encontrado resistência dentro da denominação de muitos fiéis, mas isso não é um problema.
Dilma está correta quando defende o casamento homossexual, afinal de contas ela não tem nenhum compromisso com os valores cristãos; ela está correta em aceita subir no púlpito da Assembleia de Deus e dizer que preza pelos valores cristãos, afinal de contas deram a ela esta oportunidade; está correta também em tomar um banho de axé com os pais de santo na Bahia; não há problema nenhum em participar da romaria do Círio de Nazaré. O Estado não tem religião e uma candidata precisa participar de todas as dimensões culturais e religiosas do país. Correto mesmo é uma igreja sabendo das suas propostas e mesmo assim dar apoio irrestrito.
O fato é que não importa muito se Dilma é contra ou a favor do casamento homossexual; se vai ou não em reuniões do Candomblé ou no Círio de Nazaré. O fato é o velho clientelismo com os políticos e o voto de cabresto dessas igrejas com o mesmo discurso messiânico de sempre. A intenção é clara, não é o compromisso com o país e seu desenvolvimento social; não é com os desmandos de políticos corruptos; não é com a fiscalização imparcial de políticas públicas. A intenção sempre foi em participar dos bastidores do poder e ter futuros benefícios como concessão de TV e rádio. O mais interessante nisso é o caso de Marina Silva, que não tem apoio nem mesmo de sua denominação, e já rachou o PV por não concordar com as propostas dos homossexuais e se recusar a tirar fotos com a bandeira do movimento LGBT.
Não é em defesa de Marina ou contra Dilma que este pequeno texto foi escrito. A questão é o conluio de igrejas com candidatos; a questão é que tais igrejas perdem a oportunidade de serem respeitadas pelas motivações corretas.
A candidata Dilma Roussef (PT) tem sido a preferência das igrejas pentecostais e neopentecostais. Acontece que Dilma vai de acordo com o vento. No Programa Roda Viva, da TV Cultura, defendeu o casamento homossexual: "Sou a favor da união civil. Acho que a questão do casamento é religiosa. Eu, como indivíduo, jamais me posicionaria sobre o que uma religião deve ou não fazer. Temos que respeitar”. A candidata não se pode dar o desfrute de perder alguns votos entre os homossexuais.
Sociólogos como Paul Freston e Ricardo Mariano pesquisam o apadriamento e o clientelismo dos pentecostais e neopentecostais com a política brasileira. Essas igrejas têm um sucesso eleitoral considerável. Ao lado da Assembleia de Deus a Universal e a Internacional contam com deputados e distribuem apoio a diversos políticos. Agora é a vez da Mundial seguir a mesma cartilha da sua igreja mãe (Universal), buscar um lugar ao sol com o discurso de que tem que ter gente “deles” para defender os interesses corporativos da igreja, apenas isso. As igrejas Assembleia de Deus, Universal e Internacional estão juntas a favor de Dilma. O apoio declarado da Assembleia de Deus tem encontrado resistência dentro da denominação de muitos fiéis, mas isso não é um problema.
Dilma está correta quando defende o casamento homossexual, afinal de contas ela não tem nenhum compromisso com os valores cristãos; ela está correta em aceita subir no púlpito da Assembleia de Deus e dizer que preza pelos valores cristãos, afinal de contas deram a ela esta oportunidade; está correta também em tomar um banho de axé com os pais de santo na Bahia; não há problema nenhum em participar da romaria do Círio de Nazaré. O Estado não tem religião e uma candidata precisa participar de todas as dimensões culturais e religiosas do país. Correto mesmo é uma igreja sabendo das suas propostas e mesmo assim dar apoio irrestrito.
O fato é que não importa muito se Dilma é contra ou a favor do casamento homossexual; se vai ou não em reuniões do Candomblé ou no Círio de Nazaré. O fato é o velho clientelismo com os políticos e o voto de cabresto dessas igrejas com o mesmo discurso messiânico de sempre. A intenção é clara, não é o compromisso com o país e seu desenvolvimento social; não é com os desmandos de políticos corruptos; não é com a fiscalização imparcial de políticas públicas. A intenção sempre foi em participar dos bastidores do poder e ter futuros benefícios como concessão de TV e rádio. O mais interessante nisso é o caso de Marina Silva, que não tem apoio nem mesmo de sua denominação, e já rachou o PV por não concordar com as propostas dos homossexuais e se recusar a tirar fotos com a bandeira do movimento LGBT.
Não é em defesa de Marina ou contra Dilma que este pequeno texto foi escrito. A questão é o conluio de igrejas com candidatos; a questão é que tais igrejas perdem a oportunidade de serem respeitadas pelas motivações corretas.
Assinar:
Postagens (Atom)