Nesta semana fui brindado com um encontro. Fim de tarde, na calçada de uma rua lá estávamos a conversar. Encontro de duas formas de ver o Cristianismo, de entender teologia, de praticar o sacerdócio, de vivenciar a liturgia. Um diálogo fraterno, respeitoso e inteligente. Conversava com o Pe. Jaime. Veio do Norte do país, Pará. Seu sotaque não nega suas origens. Estudou teologia e filosofia. Durante os quase trinta minutos falamos sobre quase todos os assuntos que envolvem o Cristianismo hoje, quer católico ou protestante. O diálogo girou em torno das formas de ser da Igreja hoje; dos jovens e sua dificuldade em se inserir nas atividades da Igreja; das barreiras que criamos para nos dividir e separar cada vez mais; da necessidade de diálogo para um bem comum.
Algum tempo atrás este tipo de conversa seria impossível. Aliás, para muitos ainda é. Não se pode conversar com católico, são “adoradores” de imagem. A tradição protestante sempre viu no católico alvo de salvação. Quando estabelecidos no Brasil, os protestantes de missão (presbiterianos, metodistas, batistas) viram no catolicismo o atraso do país e a barreira para um Estado laico onde a separação Igreja- Estado fosse de fato possível. É claro que a história da Igreja no Brasil conta com inúmeras investidas da Igreja Católica para silenciar, dificultar a inserção protestante por aqui. Houve sim perseguição. Não poderia ser diferente! A Igreja Católica era a religião oficial do Império; a matriz religiosa do país tem no catolicismo seu modo de ser; a cultura religiosa brasileira passa pelo catolicismo.
Minha conversa com o Pe. Jaime mostra o quanto é possível um diálogo fraterno e respeitoso em que se coloca o ponto de vista de um determinado assunto. Em tempos de pluralismo religioso, é imprescindível o diálogo. Ele será possível quando perdemos aquele sentimento de predomínio sobre os outros, de achar que somos mais corretos, mais santos, donos da verdade absoluta. É claro que as divergências quanto à fé haverá! Há pontos no catolicismo que são impossíveis de aceitar, como por exemplo, a infalibilidade do papa, a assunção de Maria dentre outras coisas. Acontece que o fundamentalismo nos ensinou durante anos de que nós (protestantes) estamos sempre com a razão! Isso nos imobilizou quanto ao diálogo; tornou-nos turrões; incapazes de ver a graça de Deus em outras manifestações religiosas. Ocorre que o fundamentalismo está perdendo terreno e uma nova mentalidade está surgindo. Uma mentalidade de que é possível ver convergência na divergência; uma mentalidade que tem como base a espiritualidade de Jesus que nutriu comunhão com os espoliados da sua sociedade; sentou-se a mesa com pecadores, com aqueles que ninguém gostaria de conversar, principalmente os fariseus, donos da verdade e do juízo!
Não é mais possível um apartheid religioso. É preciso ter, acima de tudo, o amor para com o próximo, pois somente ele pode nos libertar de preconceitos e incoerências com o Evangelho.
"Escrever é construir, através do texto, um modelo específico de leitor" (Humberto Eco)
5.7.10
ELEIÇÕES 2010: OS BASTIDORES DO PODER
É o mesmo filme outra vez: política e religião uma combinação perfeita. Estamos nos aproximando das eleições presidenciais e já começou uma verdadeira luta pelo poder, pela hegemonia da ideologia que predomina no país. De um lado a candidata do governo Lula, que, aliás, será a primeira eleição que não disputará depois da redemocratização do país. Do outro lado está o candidato da “oposição”. Com o lema o Brasil pode mais não convenceu a maioria, se pode mais por que não continuar com o mesmo? Resta a terceira opção, Marina Silva. Nem mesmo aparece nas pesquisas. O fato mesmo é a presença de igrejas querendo mais uma vez participar do poder, quer diretamente ou indiretamente.
A candidata Dilma Roussef (PT) tem sido a preferência das igrejas pentecostais e neopentecostais. Acontece que Dilma vai de acordo com o vento. No Programa Roda Viva, da TV Cultura, defendeu o casamento homossexual: "Sou a favor da união civil. Acho que a questão do casamento é religiosa. Eu, como indivíduo, jamais me posicionaria sobre o que uma religião deve ou não fazer. Temos que respeitar”. A candidata não se pode dar o desfrute de perder alguns votos entre os homossexuais.
Sociólogos como Paul Freston e Ricardo Mariano pesquisam o apadriamento e o clientelismo dos pentecostais e neopentecostais com a política brasileira. Essas igrejas têm um sucesso eleitoral considerável. Ao lado da Assembleia de Deus a Universal e a Internacional contam com deputados e distribuem apoio a diversos políticos. Agora é a vez da Mundial seguir a mesma cartilha da sua igreja mãe (Universal), buscar um lugar ao sol com o discurso de que tem que ter gente “deles” para defender os interesses corporativos da igreja, apenas isso. As igrejas Assembleia de Deus, Universal e Internacional estão juntas a favor de Dilma. O apoio declarado da Assembleia de Deus tem encontrado resistência dentro da denominação de muitos fiéis, mas isso não é um problema.
Dilma está correta quando defende o casamento homossexual, afinal de contas ela não tem nenhum compromisso com os valores cristãos; ela está correta em aceita subir no púlpito da Assembleia de Deus e dizer que preza pelos valores cristãos, afinal de contas deram a ela esta oportunidade; está correta também em tomar um banho de axé com os pais de santo na Bahia; não há problema nenhum em participar da romaria do Círio de Nazaré. O Estado não tem religião e uma candidata precisa participar de todas as dimensões culturais e religiosas do país. Correto mesmo é uma igreja sabendo das suas propostas e mesmo assim dar apoio irrestrito.
O fato é que não importa muito se Dilma é contra ou a favor do casamento homossexual; se vai ou não em reuniões do Candomblé ou no Círio de Nazaré. O fato é o velho clientelismo com os políticos e o voto de cabresto dessas igrejas com o mesmo discurso messiânico de sempre. A intenção é clara, não é o compromisso com o país e seu desenvolvimento social; não é com os desmandos de políticos corruptos; não é com a fiscalização imparcial de políticas públicas. A intenção sempre foi em participar dos bastidores do poder e ter futuros benefícios como concessão de TV e rádio. O mais interessante nisso é o caso de Marina Silva, que não tem apoio nem mesmo de sua denominação, e já rachou o PV por não concordar com as propostas dos homossexuais e se recusar a tirar fotos com a bandeira do movimento LGBT.
Não é em defesa de Marina ou contra Dilma que este pequeno texto foi escrito. A questão é o conluio de igrejas com candidatos; a questão é que tais igrejas perdem a oportunidade de serem respeitadas pelas motivações corretas.
A candidata Dilma Roussef (PT) tem sido a preferência das igrejas pentecostais e neopentecostais. Acontece que Dilma vai de acordo com o vento. No Programa Roda Viva, da TV Cultura, defendeu o casamento homossexual: "Sou a favor da união civil. Acho que a questão do casamento é religiosa. Eu, como indivíduo, jamais me posicionaria sobre o que uma religião deve ou não fazer. Temos que respeitar”. A candidata não se pode dar o desfrute de perder alguns votos entre os homossexuais.
Sociólogos como Paul Freston e Ricardo Mariano pesquisam o apadriamento e o clientelismo dos pentecostais e neopentecostais com a política brasileira. Essas igrejas têm um sucesso eleitoral considerável. Ao lado da Assembleia de Deus a Universal e a Internacional contam com deputados e distribuem apoio a diversos políticos. Agora é a vez da Mundial seguir a mesma cartilha da sua igreja mãe (Universal), buscar um lugar ao sol com o discurso de que tem que ter gente “deles” para defender os interesses corporativos da igreja, apenas isso. As igrejas Assembleia de Deus, Universal e Internacional estão juntas a favor de Dilma. O apoio declarado da Assembleia de Deus tem encontrado resistência dentro da denominação de muitos fiéis, mas isso não é um problema.
Dilma está correta quando defende o casamento homossexual, afinal de contas ela não tem nenhum compromisso com os valores cristãos; ela está correta em aceita subir no púlpito da Assembleia de Deus e dizer que preza pelos valores cristãos, afinal de contas deram a ela esta oportunidade; está correta também em tomar um banho de axé com os pais de santo na Bahia; não há problema nenhum em participar da romaria do Círio de Nazaré. O Estado não tem religião e uma candidata precisa participar de todas as dimensões culturais e religiosas do país. Correto mesmo é uma igreja sabendo das suas propostas e mesmo assim dar apoio irrestrito.
O fato é que não importa muito se Dilma é contra ou a favor do casamento homossexual; se vai ou não em reuniões do Candomblé ou no Círio de Nazaré. O fato é o velho clientelismo com os políticos e o voto de cabresto dessas igrejas com o mesmo discurso messiânico de sempre. A intenção é clara, não é o compromisso com o país e seu desenvolvimento social; não é com os desmandos de políticos corruptos; não é com a fiscalização imparcial de políticas públicas. A intenção sempre foi em participar dos bastidores do poder e ter futuros benefícios como concessão de TV e rádio. O mais interessante nisso é o caso de Marina Silva, que não tem apoio nem mesmo de sua denominação, e já rachou o PV por não concordar com as propostas dos homossexuais e se recusar a tirar fotos com a bandeira do movimento LGBT.
Não é em defesa de Marina ou contra Dilma que este pequeno texto foi escrito. A questão é o conluio de igrejas com candidatos; a questão é que tais igrejas perdem a oportunidade de serem respeitadas pelas motivações corretas.
26.6.10
AS CONSEQUÊNCIAS DO PRÉ-MILENISMO
Lá pelo ano de 2001 estava eu em um Concílio Examinatório na cidade de Americana/SP. Para os leitores que não são batistas vai aí uma explicação. Concílio Examinatório é uma reunião de pastores em que sabatinam o candidato ao Ministério Pastoral na área teológica, eclesiológica etc. Se o candidato for aprovado, durante aquelas longas horas de perguntas, o Concílio aprova-o e recomenda a sua Ordenação à Igreja, do contrário ele será reprovado e um novo Concílio pode ser feito depois de 180 dias. É um procedimento válido. Bem, estava eu neste Concílio e na parte final do exame em teologia foi feita a seguinte pergunta: “qual a posição do candidato em relação ao Milênio, é pré, pós ou amilenista?” O candidato pensou, pensou e respondeu: “não defini ainda o que sou”. Bastou isso para que dois pastores começassem a discutir suas “posições escatológicas”. Um requeria saber de qualquer jeito o que o candidato era e outro apenas valorizava a posição do candidato de não ter nenhuma posição.
Está é apenas uma prova do quanto a questão do Milênio fez a cabeça e o imaginário religioso no protestantismo. Há pastores que fazem amizades e desfazem dependendo da interpretação sobre o Milênio! Seminários teológicos são expressamente pré-milenistas e ensinam a doutrina claramente. Bíblias de estudo, como a Scofield, por exemplo, trabalham a interpretação bíblica a partir do pré-milenismo dispensacionalista do Gênesis ao Apocalipse.
Segundo Antonio Gouvêa Mendonça, um dos principais pesquisadores do protestantismo no Brasil falecido em 2007, a disputa entre pré-milenismo e pós-milenismo começou nos EUA por volta do século XIX. Enquanto o pós-milenismo tinha como pano de fundo o mito do progresso social, em que entendia que havia a possibilidade de uma vida de perfeita santidade, o que significava uma melhoria progressiva e constante da sociedade através dos indivíduos aperfeiçoados, esse progresso, portanto, viria pela ação normal da igreja que prepararia a segunda vinda de Cristo. O grande pregador do pós-milenismo foi Jonathan Edwards no século XVIII que, assim, incentivou as campanhas missionárias nos EUA e em outros países. Na concepção do pós-milenismo, o Reino de Deus, já a caminho, devia ser compartilhado com outros povos. Já o pré-milenismo é totalmente diferente, este entende que o Homem é incapaz de se aperfeiçoar. Assim, o Milênio (Reino de Deus) só seria possível com a volta de Cristo para implantá-lo. Essa concepção ganhou grande força a partir dos anos 70 do século XIX. O resultado foi o progressivo distanciamento entre a Igreja e o mundo, incompatibilizando-a com projetos de melhoria social. A Igreja, voltada para si mesma, concentrou-se na evangelização e nas missões estrangeiras. O pré-milenismo chocou-se de frente com o Evangelho Social, assim como contra qualquer forma de compromisso com mudanças estruturais da sociedade. O pós-milenismo foi inteiramente superado no Brasil pelo pré-milenismo.
Com o pré-milenismo assegurado no Brasil protestante, os livros de maior sucesso por aqui sempre foram os de escatologia, de péssimo gosto, diga-se de passagem. Recentemente Ricardo Quadros Gouvêa escreveu um artigo em que aponta os quarenta livros mais lidos pelos evangélicos durante quarenta anos (Revista Ultimato, Viçosa, ed. 315, nov./dez. 2008). Entre os autores estão: Hall Lindsay A agonia do grande planeta Terra; Frank Peretti, Este mundo tenebroso. O livro de Hall Lindsay produziu uma verdadeira paralisia da Igreja em relação ao mundo. A partir da concepção pré-milenista, com forte ênfase no fim do mundo, o livro de Lindsay partiu de uma hermenêutica literalista, algo que é clássico na postura fundamentalista, e empolgou uma porção de gente com o “fim do mundo” e a instauração do Milênio. Resultado disso: uma apatia quanto à atuação da Igreja na sociedade e sua participação política.
Criticou-se muito a Teologia da Libertação porque olhava para a dimensão social e pregava em cima das mazelas do povo. No caso da Teologia Protestante, o pré-milenismo tem/teve um efeito paralisante na Igreja. Logo no protestantismo que tem na sua razão de ser a crítica, a liberdade de consciência, a atuação no mundo para a glória de Deus. Com o pré-milenismo produziu-se a indiferença pelo mundo e pela sociedade. Até mesmo a ação no mundo do crente pregado pelo puritanismo como vocação divida o pré-milenismo solapou!
Como consequência do exagero dessa posição escatológica, colhemos um povo apático e desmotivado para encarar a sociedade. Quando o Reino de Deus ficou lá, o aqui parece que não conta mais. Vai demorar a mudar este imaginário fatalista, mas é preciso começar.
Está é apenas uma prova do quanto a questão do Milênio fez a cabeça e o imaginário religioso no protestantismo. Há pastores que fazem amizades e desfazem dependendo da interpretação sobre o Milênio! Seminários teológicos são expressamente pré-milenistas e ensinam a doutrina claramente. Bíblias de estudo, como a Scofield, por exemplo, trabalham a interpretação bíblica a partir do pré-milenismo dispensacionalista do Gênesis ao Apocalipse.
Segundo Antonio Gouvêa Mendonça, um dos principais pesquisadores do protestantismo no Brasil falecido em 2007, a disputa entre pré-milenismo e pós-milenismo começou nos EUA por volta do século XIX. Enquanto o pós-milenismo tinha como pano de fundo o mito do progresso social, em que entendia que havia a possibilidade de uma vida de perfeita santidade, o que significava uma melhoria progressiva e constante da sociedade através dos indivíduos aperfeiçoados, esse progresso, portanto, viria pela ação normal da igreja que prepararia a segunda vinda de Cristo. O grande pregador do pós-milenismo foi Jonathan Edwards no século XVIII que, assim, incentivou as campanhas missionárias nos EUA e em outros países. Na concepção do pós-milenismo, o Reino de Deus, já a caminho, devia ser compartilhado com outros povos. Já o pré-milenismo é totalmente diferente, este entende que o Homem é incapaz de se aperfeiçoar. Assim, o Milênio (Reino de Deus) só seria possível com a volta de Cristo para implantá-lo. Essa concepção ganhou grande força a partir dos anos 70 do século XIX. O resultado foi o progressivo distanciamento entre a Igreja e o mundo, incompatibilizando-a com projetos de melhoria social. A Igreja, voltada para si mesma, concentrou-se na evangelização e nas missões estrangeiras. O pré-milenismo chocou-se de frente com o Evangelho Social, assim como contra qualquer forma de compromisso com mudanças estruturais da sociedade. O pós-milenismo foi inteiramente superado no Brasil pelo pré-milenismo.
Com o pré-milenismo assegurado no Brasil protestante, os livros de maior sucesso por aqui sempre foram os de escatologia, de péssimo gosto, diga-se de passagem. Recentemente Ricardo Quadros Gouvêa escreveu um artigo em que aponta os quarenta livros mais lidos pelos evangélicos durante quarenta anos (Revista Ultimato, Viçosa, ed. 315, nov./dez. 2008). Entre os autores estão: Hall Lindsay A agonia do grande planeta Terra; Frank Peretti, Este mundo tenebroso. O livro de Hall Lindsay produziu uma verdadeira paralisia da Igreja em relação ao mundo. A partir da concepção pré-milenista, com forte ênfase no fim do mundo, o livro de Lindsay partiu de uma hermenêutica literalista, algo que é clássico na postura fundamentalista, e empolgou uma porção de gente com o “fim do mundo” e a instauração do Milênio. Resultado disso: uma apatia quanto à atuação da Igreja na sociedade e sua participação política.
Criticou-se muito a Teologia da Libertação porque olhava para a dimensão social e pregava em cima das mazelas do povo. No caso da Teologia Protestante, o pré-milenismo tem/teve um efeito paralisante na Igreja. Logo no protestantismo que tem na sua razão de ser a crítica, a liberdade de consciência, a atuação no mundo para a glória de Deus. Com o pré-milenismo produziu-se a indiferença pelo mundo e pela sociedade. Até mesmo a ação no mundo do crente pregado pelo puritanismo como vocação divida o pré-milenismo solapou!
Como consequência do exagero dessa posição escatológica, colhemos um povo apático e desmotivado para encarar a sociedade. Quando o Reino de Deus ficou lá, o aqui parece que não conta mais. Vai demorar a mudar este imaginário fatalista, mas é preciso começar.
23.6.10
OS EQUÍVOCOS EM RELAÇÃO AO REINO
Não é novidade nenhuma na exegese contemporânea da teologia bíblica do Novo Testamento de que a mensagem principal, primeira, primordial de Jesus foi o Reino de Deus. Ele inicia sua caminhada na Galiléia pregando sobre o Reino de Deus (Mc 1,14-15). Dentro da perspectiva do Antigo Testamento sobre o reinado de Deus, Jesus materializa a presença do Reino a partir das suas ações e pastoral: acolhe os marginalizados da sociedade; expulsa o mal pelo poder de Deus; leva as boas novas do Evangelho. Jesus respira o Reino; sua vida está em função do Reino.
Como é incrível a total desconsideração da teologia protestante (se é que podemos chamar assim) quanto a temática do Reino de Deus. Apenas para levantamento: quantas literaturas para a EBD há sobre o Reino de Deus? Livros? Autores/teólogos que escrevem e dão palestras sobre o tema? Quase nada! É um tema relegado, desconsiderado. No cenário religioso brasileiro temos algumas manifestações que nem mesmo cogitam sobre o Reino. Entre os neopentecostais a ênfase está na prosperidade, no dinheiro como instrumento de bênção de Deus, embora a IURD tenha no seu nome “Reino de Deus”, mas é puramente no sentido financeiro e territorial. Entre os pentecostais o tema nunca foi enfatizado, pois a preocupação era (e é) com o Espírito Santo, o poder, a unção.
O protestantismo (batistas) olhou para Jesus apenas sob a perspectiva do berço, da cruz e da pedra. A história da teologia protestante ignorou completamente o aspecto do Reino de Deus na vida de Jesus. A discussão e maior preocupação foi sobre sua divindade, homem ou Deus? O aspecto pastoral da ação de Jesus foi omitido. Quantos livros sobre o Reino de Deus temos? Nas teologias sistemáticas que tantos gostam o Reino de Deus, na área de cristologia, não aparece! Apenas na discussão sobre o Milênio o Reino irá aparecer, mas ainda em cima de uma discussão inútil: ainda virá, já está aqui, é pré, pós ou a?
Alguns equívocos que fizeram com que o Reino de Deus fosse marginalizado na vida da Igreja. Faço apenas alguns apontamentos. O primeiro deles foi, indubitavelmente, confundir Reino de Deus com expansionismo: essa é uma prática que vêm desde o catolicismo português e passa pelos missionários protestantes no século XIX. Reino de Deus ficou sendo abrir templos; levar o nome da Igreja era o mesmo que expandir o Reino de Deus; conquistar território era o Reino de Deus. Onde não houvesse uma determinada denominação era preciso ter, pois era a expansão do Reino de Deus. Vem daí a nossa dificuldade em entender que em outras vertentes do Cristianismo o Reino de Deus também se manifesta. É claro que o fundamentalismo é o segundo fator de marginalização do Reino de Deus. Com a excessiva preocupação com a “sã doutrina” como a inerrância da Bíblia, a hermenêutica literalista do texto, esqueceu-se do principal, o Evangelho.
O terceiro elemento que marginalizou a concepção do Reino de Deus na Igreja foi o pré-milenismo. O pré-milenismo proliferou na teologia protestante, livros, palestras, seminários, como o PV, Bíblias como a Scofield e a Anotada, além dos pentecostais com suas teorias mirabolantes sobre o “fim do mundo”. Jesus virá, estabelecerá o seu Reino por mil anos, o mal será extirpado e aí haverá paz. Com essa assertiva o pré-milenismo imprimiu no imaginário religioso um final feliz nos fins dos tempos, portanto, o povo é apenas espectadores aqui, vendo as coisas acontecerem e aguardando o céu. Canta-se isso: “sou peregrino aqui, em terra estranha estou...”. Resultado: omissão política e social; desvalorização da cultura.
O Reino de Deus tem uma dupla dimensão: aqui e lá, o famoso já e ainda não. Ele tem o seu início com Jesus e a continuação com a Igreja. Esta, a Igreja, nunca poderá ser confundida com o Reino, ele tem dimensões próprias, mas o Reino será propagado com a ajuda e mediação da Igreja.
Como é incrível a total desconsideração da teologia protestante (se é que podemos chamar assim) quanto a temática do Reino de Deus. Apenas para levantamento: quantas literaturas para a EBD há sobre o Reino de Deus? Livros? Autores/teólogos que escrevem e dão palestras sobre o tema? Quase nada! É um tema relegado, desconsiderado. No cenário religioso brasileiro temos algumas manifestações que nem mesmo cogitam sobre o Reino. Entre os neopentecostais a ênfase está na prosperidade, no dinheiro como instrumento de bênção de Deus, embora a IURD tenha no seu nome “Reino de Deus”, mas é puramente no sentido financeiro e territorial. Entre os pentecostais o tema nunca foi enfatizado, pois a preocupação era (e é) com o Espírito Santo, o poder, a unção.
O protestantismo (batistas) olhou para Jesus apenas sob a perspectiva do berço, da cruz e da pedra. A história da teologia protestante ignorou completamente o aspecto do Reino de Deus na vida de Jesus. A discussão e maior preocupação foi sobre sua divindade, homem ou Deus? O aspecto pastoral da ação de Jesus foi omitido. Quantos livros sobre o Reino de Deus temos? Nas teologias sistemáticas que tantos gostam o Reino de Deus, na área de cristologia, não aparece! Apenas na discussão sobre o Milênio o Reino irá aparecer, mas ainda em cima de uma discussão inútil: ainda virá, já está aqui, é pré, pós ou a?
Alguns equívocos que fizeram com que o Reino de Deus fosse marginalizado na vida da Igreja. Faço apenas alguns apontamentos. O primeiro deles foi, indubitavelmente, confundir Reino de Deus com expansionismo: essa é uma prática que vêm desde o catolicismo português e passa pelos missionários protestantes no século XIX. Reino de Deus ficou sendo abrir templos; levar o nome da Igreja era o mesmo que expandir o Reino de Deus; conquistar território era o Reino de Deus. Onde não houvesse uma determinada denominação era preciso ter, pois era a expansão do Reino de Deus. Vem daí a nossa dificuldade em entender que em outras vertentes do Cristianismo o Reino de Deus também se manifesta. É claro que o fundamentalismo é o segundo fator de marginalização do Reino de Deus. Com a excessiva preocupação com a “sã doutrina” como a inerrância da Bíblia, a hermenêutica literalista do texto, esqueceu-se do principal, o Evangelho.
O terceiro elemento que marginalizou a concepção do Reino de Deus na Igreja foi o pré-milenismo. O pré-milenismo proliferou na teologia protestante, livros, palestras, seminários, como o PV, Bíblias como a Scofield e a Anotada, além dos pentecostais com suas teorias mirabolantes sobre o “fim do mundo”. Jesus virá, estabelecerá o seu Reino por mil anos, o mal será extirpado e aí haverá paz. Com essa assertiva o pré-milenismo imprimiu no imaginário religioso um final feliz nos fins dos tempos, portanto, o povo é apenas espectadores aqui, vendo as coisas acontecerem e aguardando o céu. Canta-se isso: “sou peregrino aqui, em terra estranha estou...”. Resultado: omissão política e social; desvalorização da cultura.
O Reino de Deus tem uma dupla dimensão: aqui e lá, o famoso já e ainda não. Ele tem o seu início com Jesus e a continuação com a Igreja. Esta, a Igreja, nunca poderá ser confundida com o Reino, ele tem dimensões próprias, mas o Reino será propagado com a ajuda e mediação da Igreja.
9.6.10
IGREJA: ENTRE A MASSA E A MINORIA
Vendo esses dias o blog Genizah, vejo a seguinte notícia: Igreja Mundial Renovada. É a mais nova cisão da Igreja Mundial do Poder de Deus. O braço direito do então Valdemiro Santiago, o senhor Roberto Damásio, fundou a Igreja Mundial Renovada com os mesmos caracteres da sua antiga igreja, a IMPD. Não tenho nenhum interesse em saber quem está traindo quem, quem está abrindo mais uma casa de espetáculo. O que achei interessante na matéria do Genizah é a frase do mais novo pop star do mundo das celebridades bizarras. Ele disse: “A Igreja que fundei e abri é melhor do que a primeira de onde vim! A gloria será minha, a igreja é minha, eu sou o dono dela e ninguém me tira”. Palavras de profunda sabedoria espiritual.
Segundo o sociólogo Ricardo Mariano (mestre e doutor em Ciências Sociais pela USP) no seu livro Neopentecostais, sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Loyola, 1999), o neopentecostalismo é um empreendimento profundamente lucrativo. Abrir igrejas é um negócio como outro qualquer. A clientela é vasta; o produto muda apenas de mão, de bispo para apóstolo; a propaganda é feita pela TV com slogan chamativo. As pretensões é crescer, crescer e crescer.
É interessante a diversidade do Evangelho neste país. Enquanto prego na minha tranquila e abençoada comunidade sobre ser semelhante à Cristo, amar o irmão, dialogar com aquele que discordamos, os membros vê na TV pastor vendendo semente; missionário pedindo para comprar uma tal de “Nossa TV” extorquindo o povo em nome de uma pretensa programação “santa”; outro com seus milagres e unções reivindicando a mão de Deus. Já estou cheio disso e acho que você também.
Lendo um dos teólogos mais importantes da América Latina, Juan Luis Segundo, o seu livro Teologia aberta para o leigo adulto: essa comunidade chamada Igreja (Loyola, 1976), Segundo faz uma observação: a Igreja sempre será minoria. Ele faz uma distinção entre massa e minoria. A Igreja de fato será sempre aquela em que pessoas que seguem de fato a Jesus Cristo, participam do seu projeto chamado Reino de Deus e transmitem aos outros a fé recebida. Segundo coloca que Jesus nunca pretendeu alcançar a massa; Paulo nunca teve intenção de conquistar um império. Para o teólogo uruguaio, Igreja será aquela em que o amor ao próximo seja a primeira e principal doutrina. Igreja será minoria sempre, porque nem todos estão interessados em diminuir para que o outro cresça.
A massa pode ser manipulada (e é). A minoria pode mudar algumas coisas, mas não tem a pretensão de mudar o mundo, mas a sua volta. A Igreja de Cristo é minoria. É a dificuldade de relacionamento dos Doze; é a possibilidade dos fortes carregarem as fraquezas dos fracos; é a mutualidade na compaixão e no amor cristão.
Acho que estou fadado a lidar sempre com a minoria, pois é nela que me identifico como pastor.
Segundo o sociólogo Ricardo Mariano (mestre e doutor em Ciências Sociais pela USP) no seu livro Neopentecostais, sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Loyola, 1999), o neopentecostalismo é um empreendimento profundamente lucrativo. Abrir igrejas é um negócio como outro qualquer. A clientela é vasta; o produto muda apenas de mão, de bispo para apóstolo; a propaganda é feita pela TV com slogan chamativo. As pretensões é crescer, crescer e crescer.
É interessante a diversidade do Evangelho neste país. Enquanto prego na minha tranquila e abençoada comunidade sobre ser semelhante à Cristo, amar o irmão, dialogar com aquele que discordamos, os membros vê na TV pastor vendendo semente; missionário pedindo para comprar uma tal de “Nossa TV” extorquindo o povo em nome de uma pretensa programação “santa”; outro com seus milagres e unções reivindicando a mão de Deus. Já estou cheio disso e acho que você também.
Lendo um dos teólogos mais importantes da América Latina, Juan Luis Segundo, o seu livro Teologia aberta para o leigo adulto: essa comunidade chamada Igreja (Loyola, 1976), Segundo faz uma observação: a Igreja sempre será minoria. Ele faz uma distinção entre massa e minoria. A Igreja de fato será sempre aquela em que pessoas que seguem de fato a Jesus Cristo, participam do seu projeto chamado Reino de Deus e transmitem aos outros a fé recebida. Segundo coloca que Jesus nunca pretendeu alcançar a massa; Paulo nunca teve intenção de conquistar um império. Para o teólogo uruguaio, Igreja será aquela em que o amor ao próximo seja a primeira e principal doutrina. Igreja será minoria sempre, porque nem todos estão interessados em diminuir para que o outro cresça.
A massa pode ser manipulada (e é). A minoria pode mudar algumas coisas, mas não tem a pretensão de mudar o mundo, mas a sua volta. A Igreja de Cristo é minoria. É a dificuldade de relacionamento dos Doze; é a possibilidade dos fortes carregarem as fraquezas dos fracos; é a mutualidade na compaixão e no amor cristão.
Acho que estou fadado a lidar sempre com a minoria, pois é nela que me identifico como pastor.
22.5.10
COMUNICAÇÃO BATISTA E RELIGIOSIDADE MIDIÁTICA
Neste domingo comemora-se o Dia da Comunicação Batista. Não temos muito que comemorar sobre neste dia. Os meios de comunicação que a CBB dispunha foram todos extintos. A JUERP praticamente todos conhecem a história que envolve incompetência e apadrinhamento político. A JURATEL, divisão de rádio e TV, não existe mais. Aliás, a Faculdade Teológica Batista de Campinas penou e muito para assumir o espaço da JURATEL, e uma instituição teológica dos batistas pagava, até pouco tempo atrás, aluguel do espaço físico, isso que é visão de Reino, mas deixa isso pra lá. O caso é que os meios de comunicação da CBB são escassos. O Jornal Batista agora chega a todas as igrejas batistas do Brasil, mas é um meio doméstico de comunicação. Fora este, há sites e outros meios de menor alcance. É claro que o sistema batista de governo, autônomo e democrático, favorece que igreja, com um maior poder aquisitivo, mantenha programa de rádio e TV em sua localidade, mas continua sendo regional. Uma vez se falou nos bastidores da CBESP a possível idealização de um programa de TV, vinculou até mesmo uma revista para bancar o projeto, mas não deu em nada.
A questão é a seguinte. Vivemos em uma sociedade do espetáculo, onde o que vende e atrai é o show. A cultura do consumo e a cultura da mídia são duas dessas manifestações da sociedade. Entenda-se por cultura do mercado o modo de vida determinado pelo consumo, onde o produto deve ser apreciado e visualizado, daí o marketing ser pesado. A comunicação é que vende o produto hoje, a propaganda, definitivamente, é a “alma do negócio”.
A sociedade do espetáculo aderiu a mais um produto no mercado, o Evangelho. Não sei se verdadeiro ou não, mas há pessoas, e muitas, construindo verdadeiros impérios político-econômico-social em cima da fé dos outros. Aderiram completamente o lema da sociedade de consumo e vende o seu produto com mensagens assim: “Deus me chamou para ganhar almas, somente isso”. Mas esta não é mais uma verdade. Nos anos 80, como mostra um estudo do teólogo Hugo Assmann que inaugurou o termo “Igreja Eletrônica”, foi-se o tempo em que os meios de comunicação eram usados para atrair pessoas às igrejas. Hoje a ênfase da mensagem transmitida não é da “Igreja” e na adesão a ela, mas no cultivo de uma religiosidade que não depende da Igreja, mas que é intimista e autônoma, com uma característica totalmente individualizada. O que se enfatiza não é a Igreja, mas a experiência religiosa mediada pelo meio TV ou rádio, isto é, o meio possibilita o cultivo da religiosidade, independente da adesão a uma comunidade de fé. Daí o crescente número de membros de nossas igrejas que se transformam em patrocinadores do Show da Fé. A mensagem atrelada é sobre produtos e patrocínio. Os pastores televisivos vendem seus produtos e compram seus jatinhos em cima de um conceito de mercado: produto + propagando = dinheiro. Por isso há uma verdadeira batalha entre os neopentecostais por espaço na mídia, estão se gladiando no ar em busca de clientes, digo, fiéis.
Neste universo de internacionais, mundiais e universais e outros peixes pequenos, nós não entramos. O sistema batista não permite, não há nenhuma franquia de igrejas para sustentar horas e horas de programa para vender “milagres” e “curas”. O que nos resta? Será que precisamos mesmo de um sistema de comunicação como os católicos fizeram para confrontar com os neopentecostais? Será que temos necessidade de fazer parte da frutífera e salutar edificação aos sábados de manhã da Rede TV? Que tipo de comunicação precisamos ter? Um jornal apenas? Não se importar com essa guerra midiática e continuar onde estamos é o melhor a fazer? O que fazer?
A questão é a seguinte. Vivemos em uma sociedade do espetáculo, onde o que vende e atrai é o show. A cultura do consumo e a cultura da mídia são duas dessas manifestações da sociedade. Entenda-se por cultura do mercado o modo de vida determinado pelo consumo, onde o produto deve ser apreciado e visualizado, daí o marketing ser pesado. A comunicação é que vende o produto hoje, a propaganda, definitivamente, é a “alma do negócio”.
A sociedade do espetáculo aderiu a mais um produto no mercado, o Evangelho. Não sei se verdadeiro ou não, mas há pessoas, e muitas, construindo verdadeiros impérios político-econômico-social em cima da fé dos outros. Aderiram completamente o lema da sociedade de consumo e vende o seu produto com mensagens assim: “Deus me chamou para ganhar almas, somente isso”. Mas esta não é mais uma verdade. Nos anos 80, como mostra um estudo do teólogo Hugo Assmann que inaugurou o termo “Igreja Eletrônica”, foi-se o tempo em que os meios de comunicação eram usados para atrair pessoas às igrejas. Hoje a ênfase da mensagem transmitida não é da “Igreja” e na adesão a ela, mas no cultivo de uma religiosidade que não depende da Igreja, mas que é intimista e autônoma, com uma característica totalmente individualizada. O que se enfatiza não é a Igreja, mas a experiência religiosa mediada pelo meio TV ou rádio, isto é, o meio possibilita o cultivo da religiosidade, independente da adesão a uma comunidade de fé. Daí o crescente número de membros de nossas igrejas que se transformam em patrocinadores do Show da Fé. A mensagem atrelada é sobre produtos e patrocínio. Os pastores televisivos vendem seus produtos e compram seus jatinhos em cima de um conceito de mercado: produto + propagando = dinheiro. Por isso há uma verdadeira batalha entre os neopentecostais por espaço na mídia, estão se gladiando no ar em busca de clientes, digo, fiéis.
Neste universo de internacionais, mundiais e universais e outros peixes pequenos, nós não entramos. O sistema batista não permite, não há nenhuma franquia de igrejas para sustentar horas e horas de programa para vender “milagres” e “curas”. O que nos resta? Será que precisamos mesmo de um sistema de comunicação como os católicos fizeram para confrontar com os neopentecostais? Será que temos necessidade de fazer parte da frutífera e salutar edificação aos sábados de manhã da Rede TV? Que tipo de comunicação precisamos ter? Um jornal apenas? Não se importar com essa guerra midiática e continuar onde estamos é o melhor a fazer? O que fazer?
14.5.10
A DESCONSTRUÇÃO DE UM DEUS METAFÍSICO
Apontamentos em Gianni Vattimo
Estamos diante de um fato: a pós-modernidade delineou um novo modo de se pensar e viver religião. Diante deste fenômeno, a filosofia da religião vem apontando caminhos para se pensar o religioso em outras matrizes. Esquemas que privilegie o diálogo, a abertura fraterna e honesta com os eixos da pós-modernidade. Um dos pontos que tanto teólogos quanto filósofos trabalham é o aspecto metafísico do conceito “Deus”. A construção teórica em torno de uma emancipação do conceito “Deus” da metafísica é tratada por F. Nietzsche com o seu famoso enunciado “Deus está morto”. Outro alemão que pensou sobre os limites da metafísica foi M. Heidegger. Com esses autores, o filósofo italiano Gianni Vattimo quer colocar a superação da metafísica. Sua intenção, a partir de Nietzsche e Heidegger, é desconstruir o “Deus” metafísico que norteou a cultura ocidental e apresentar novos rumos para o discurso sobre “Deus”.
O “Deus” gestado pelo Ocidente é o resultado da junção entre filosofia grega e escolástica (Santo Agostinho e Tomás de Aquino). Vattimo e outros filósofos concebem o retorno da religião como um fato; a ciência e a técnica não anularam o sentimento religioso do homem pós-moderno. Para Vattimo esse retorno se dá pelo esvaziamento de sentido, algo que a ciência e a filosofia não souberam trabalhar; uma maneira de preservar as culturas ancestrais, etc. Mas agora esse retorno corre alguns riscos e o principal deles é o fundamentalismo em suas diferentes vertentes.
O “Deus” metafísico da Idade Média proporcionava segurança, estabilidade. O ser era identificado com “Deus”. A partir da leitura de Nietzsche e Heidegger, Vattimo quer colocar a instabilidade de um solo que sempre se acreditou ser firme; “Deus” passa a ser não um fundamento imóvel, mas um vestígio, um traço. Para o filósofo italiano, “Deus” deixa de ser estrutura para se tornar evento. O discurso metafísico sobre “Deus” passa a não existir como um fato factível e torna-se evento, um “Deus” eventual.
O “Deus” metafísico desconstruído pela pós-modernidade e seus eixos, dá lugar agora a um pensamento que descobre os fragmentos do Sagrado por meio do vestígio, do evento histórico. Não é mais um “Deus” visto como absoluto, eterno, imóvel (Aristóteles), sem princípio e nem fim. Para aparecer este novo modo de interpretar e discursar sobre o Sagrado, Vattimo recorre ao conceito bíblico da encarnação. No entender do filósofo italiano, é o Cristianismo que supera o “Deus” metafísico! O Verbo encarnado assume a eventualidade do ser. Deus ter se tornado ser humano já é um enfraquecimento do “Deus” metafísico. Deixa de ser o “Deus” dos raios e trovões, o totalmente outro. O Deus que se torna ser humano come e bebe com malfeitores; assume as debilidades e fraquezas da vida; chama as pessoas de amigos.
O “Deus” metafísico é desconstruído e surge o Verbo, eventualidade do ser. A debilidade levou Vattimo ao Cristianismo. A encarnação torna-se elemento hermenêutico para um novo discurso sobre Deus, assumindo, portanto, a eventualidade do ser; algo em construção, em movimento, nunca fechado e inconcebível.
Estamos diante de um fato: a pós-modernidade delineou um novo modo de se pensar e viver religião. Diante deste fenômeno, a filosofia da religião vem apontando caminhos para se pensar o religioso em outras matrizes. Esquemas que privilegie o diálogo, a abertura fraterna e honesta com os eixos da pós-modernidade. Um dos pontos que tanto teólogos quanto filósofos trabalham é o aspecto metafísico do conceito “Deus”. A construção teórica em torno de uma emancipação do conceito “Deus” da metafísica é tratada por F. Nietzsche com o seu famoso enunciado “Deus está morto”. Outro alemão que pensou sobre os limites da metafísica foi M. Heidegger. Com esses autores, o filósofo italiano Gianni Vattimo quer colocar a superação da metafísica. Sua intenção, a partir de Nietzsche e Heidegger, é desconstruir o “Deus” metafísico que norteou a cultura ocidental e apresentar novos rumos para o discurso sobre “Deus”.
O “Deus” gestado pelo Ocidente é o resultado da junção entre filosofia grega e escolástica (Santo Agostinho e Tomás de Aquino). Vattimo e outros filósofos concebem o retorno da religião como um fato; a ciência e a técnica não anularam o sentimento religioso do homem pós-moderno. Para Vattimo esse retorno se dá pelo esvaziamento de sentido, algo que a ciência e a filosofia não souberam trabalhar; uma maneira de preservar as culturas ancestrais, etc. Mas agora esse retorno corre alguns riscos e o principal deles é o fundamentalismo em suas diferentes vertentes.
O “Deus” metafísico da Idade Média proporcionava segurança, estabilidade. O ser era identificado com “Deus”. A partir da leitura de Nietzsche e Heidegger, Vattimo quer colocar a instabilidade de um solo que sempre se acreditou ser firme; “Deus” passa a ser não um fundamento imóvel, mas um vestígio, um traço. Para o filósofo italiano, “Deus” deixa de ser estrutura para se tornar evento. O discurso metafísico sobre “Deus” passa a não existir como um fato factível e torna-se evento, um “Deus” eventual.
O “Deus” metafísico desconstruído pela pós-modernidade e seus eixos, dá lugar agora a um pensamento que descobre os fragmentos do Sagrado por meio do vestígio, do evento histórico. Não é mais um “Deus” visto como absoluto, eterno, imóvel (Aristóteles), sem princípio e nem fim. Para aparecer este novo modo de interpretar e discursar sobre o Sagrado, Vattimo recorre ao conceito bíblico da encarnação. No entender do filósofo italiano, é o Cristianismo que supera o “Deus” metafísico! O Verbo encarnado assume a eventualidade do ser. Deus ter se tornado ser humano já é um enfraquecimento do “Deus” metafísico. Deixa de ser o “Deus” dos raios e trovões, o totalmente outro. O Deus que se torna ser humano come e bebe com malfeitores; assume as debilidades e fraquezas da vida; chama as pessoas de amigos.
O “Deus” metafísico é desconstruído e surge o Verbo, eventualidade do ser. A debilidade levou Vattimo ao Cristianismo. A encarnação torna-se elemento hermenêutico para um novo discurso sobre Deus, assumindo, portanto, a eventualidade do ser; algo em construção, em movimento, nunca fechado e inconcebível.
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