Uma leitura de Lc 1, 31-53
É uma ótima época para presentear, comprar presente, festejar, comer, estar à mesa com a família e os amigos. A nossa cultura consumista conseguiu desvirtuar e transformar todas as comemorações religiosas em comércio. A páscoa deu lugar ao “coelhinho” o natal ao “papai Noel”. Tudo gira em torno de mercadoria, até Deus não escapa a isso.
Quando olhamos para as narrativas do nascimento nos evangelhos de Mateus (Mt) e Lucas (Lc), observamos o quanto os autores teologizou em torno do nascimento de Jesus. Embora não seja o objetivo discutir os enfoques teológicos de cada um, é interessante comparar as duas narrativas apenas para fim de constatação. Enquanto Mt se interessa por José, Lc por Maria; em Mt José e Maria moram em Belém, para Lc José foi para Belém por causa de um recenseamento; Mt faz Jesus ir para o Egito, em Lc Jesus volta para Nazaré; Mt coloca os “magos” como coadjuvantes, em Lc são os pastores. Isso mostra a particularidade de cada autor/comunidade e seu objetivo com a narrativa, cada um tentando buscar seu referencial teológico e comunitário. No evangelho de Mateus Jesus é apresentado como o novo Moisés, e por isso ele vai para o Egito, assim como Moisés, e Herodes manda matar criancinhas recém-nascidas assim como o Faraó; já Lucas quer mostrar a entrada da salvação na história – “Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Lc não está preocupado em verificar fatos históricos e exatos. É mais um estilo literário, uma linguagem artística, uma narração livre com o fim de edificar e iluminar as vidas de seus leitores/ouvintes.
Se atendo, especificamente, no evangelho de Lucas, vemos a sua preocupação com os desfavorecidos, com os marginalizados, com os oprimidos pelo sistema político (representado pelos romanos), social (a divisão de classes entre os judeus) e religioso (o templo de Jerusalém como dominador do imaginário religioso). Ele tem um olhar todo especial para as mulheres. Logo no início de seu texto, Lc coloca como protagonistas Maria e Isabel. Numa cultura em que mulher não tinha nenhum valor, quer político, social, econômico e religioso, Lc dá proeminência às mulheres.
No texto de Lc 1, 31-53 está o que ficou conhecido como o “Cântico de Maria” ou o Magnificat. O anúncio do nascimento de Jesus, na teologia de Lc, provocou uma renovação de esperanças e forças; era a concretização dos sonhos do povo de Israel. Lc coloca na boca de Maria uma canção subversiva, contestatória, revolucionária. O nascimento de Jesus passa a significar a inversão dos valores, outrora considerados corretos; o nascimento passa a significar a redistribuição dos bens. Para Lc o nascimento de Jesus é um protesto, da parte de Deus, contra o abuso do necessitado pelo rico; é, ao mesmo tempo, a libertação dos oprimidos e dos fracos.
O “Cântico de Maria” significa a quebra de barreiras e preconceitos contra a mulher e o início da igualdade nas relações de gênero. Ocorre o surgimento de novas relações, não mais baseadas na exploração e no descaso pelo outro, mas na equidade. Se outrora o orgulho, aquele que se considera acima dos outros, detinha o poder, ele é destronado; se outrora os poderosos/ricos menosprezava e condenava o pobre ao descaso, agora ele é esvaziado de sua arrogância. Os humildes, aqueles que, no entender de Lc, não almejam o poder, são exaltados.
Para Lc o natal é contestação da situação de exploração econômica, social e religiosa. O nascimento do Messias é um nivelador das relações humanas; é a inversão daquilo que se considerava correto; é o desmantelamento de estruturas de poder que oprime e marginaliza pessoas.
Como seria bom se o natal de Lc fosse comemorado hoje.
"Escrever é construir, através do texto, um modelo específico de leitor" (Humberto Eco)
10.12.10
HOMENAGEM AOS FORMANDOS DO 3º ANO 2010
A vida é feita de etapas. Ontem vocês estavam saindo do Ensino Fundamental, hoje vocês conquistam o Ensino Médio. Muitas coisas mudaram neste período, hoje, mais maduros, vocês estão sendo convocados a fazer a diferença.
O que esperar de uma das melhores turmas do 3º ano que já tive oportunidade de trabalhar nesta Escola? Gostaria que esse meu discurso, que tenho o privilegio de proferir a vocês, fosse a minha última aula. Uma aula em que não vou pedir “silêncio turma”, ou solicitar para alguém ler um texto e nem se sentar. Mas uma aula sobre esperança, sobre desejar sorte, e vocês terão, sobre como ser diferentes, e vocês serão, e fazer a diferença, e vocês farão.
O que valeu a pena neste tempo que passamos juntos não foram, somente, os textos lidos, os filósofos estudados, a bronca dada, a nota conquistada, os apertos de mãos, a amizade cultivada. O que valeu a pena mesmo foi o momento em que uma ideia, uma frase, um pensamento foi interiorizado e, a partir disso, ajudou vocês a ver a vida de outra maneira. O que valeu a pena mesmo foi aquele momento que ninguém sabe quando ele vai chegar. O descobrimento de que sabe, de que conhece. Momento esse que o professor, por mais que seja bom, não consegue forjar no aluno se ele não estiver disposto. E vocês estavam.
A educação nunca pode ser vista como um objeto, mas como uma autopromoção do aluno. Tratei vocês não como um objeto em que se depositam fórmulas, teses, leituras, mas como pessoas dotadas de individualidade, capacidade criativa, energia e espírito crítico. Como dizia Nietzsche, educar é ensinar a ver. E foi isso que procurei fazer. É por isso que a educação nunca poderá ser reduzida a ter um bom emprego, ela sempre será mais que isso, será a construção de indivíduos, será a contribuição na formação de cidadãos. Escola nunca poderá ser uma gaiola onde se prende os alunos, porque os alunos são como pássaros, em busca do voo cada vez mais alto. Educação ensina a treinar os olhos, tornando-os aguçados e críticos para que, desta forma, seja possível fazer uma leitura correta da realidade que está à volta.
Como alunos inteligentes que são, e aprenderam a arte de ver, gostaria de dar uma última aula a vocês com um conteúdo que não está na grade de disciplinas escolares, mas que todos nós somos capazes de aprender.
Eu diria...
Cultivem a excelência no que se propuserem a fazer, não se contentem em serem simplesmente bons; não sejam medíocres ao ponto de achar que sabem apenas o necessário e que está bom assim, deem passos largos, busquem algo que esteja além, ousem sonhar!
Exerçam a cidadania; assumam as responsabilidades de serem construtores de uma cidade melhor, um Estado melhor, de um país melhor. Exercer a cidadania é buscar aprender a fazer a diferença, é quebrar paradigmas, é ousar modificar mentalidades; sejam revolucionários! Usem a capacidade de vocês para fazer o bem ao próximo, mas também para contribuir para que as coisas não fiquem sempre do mesmo modo. Tenha opinião própria sobre os assuntos, não se deixem ser manipulados por ninguém.
Estudem. Moramos num país que, no ranking educacional mundial, é o quinquagésimo terceiro. Há milhares de pessoas analfabetas e ainda outras mil semianalfabetas. É por isso que temos pessoas, sem o Ensino Médio, que podem tirar sua Carteira de Habilitação e deputado semianalfabeto pode ser eleito. Não se contentem apenas com o Ensino Médio, está noite é apenas mais uma etapa de colação de grau e que outras noites como essa seja possível para cada um de vocês.
A escola é assim...
Uns gostaram de vir, mas não souberam aproveitar bem o momento que passaram aqui; outros não viam a hora de sair, não aguentavam mais, o que é compreensível também. Mas alguns aproveitaram o momento, porque perceberam que sem a escola a vida não seria como é, e esses deixarão saudades.
Alguns sentimentos cabem aqui...
Saudade: dos momentos de risadas, brincadeiras e trabalhos.
Esperança: que muitos de vocês sejam ímpares na sociedade de hoje; verdadeiros cidadãos que deem orgulho para está cidade.
Gostaria de encerrar com uma frase de Cecília Meireles: “Há pessoas que nos falam e nem as escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre”.
A recíproca é verdadeira no caso de vocês.
Boa sorte a todos!
O que esperar de uma das melhores turmas do 3º ano que já tive oportunidade de trabalhar nesta Escola? Gostaria que esse meu discurso, que tenho o privilegio de proferir a vocês, fosse a minha última aula. Uma aula em que não vou pedir “silêncio turma”, ou solicitar para alguém ler um texto e nem se sentar. Mas uma aula sobre esperança, sobre desejar sorte, e vocês terão, sobre como ser diferentes, e vocês serão, e fazer a diferença, e vocês farão.
O que valeu a pena neste tempo que passamos juntos não foram, somente, os textos lidos, os filósofos estudados, a bronca dada, a nota conquistada, os apertos de mãos, a amizade cultivada. O que valeu a pena mesmo foi o momento em que uma ideia, uma frase, um pensamento foi interiorizado e, a partir disso, ajudou vocês a ver a vida de outra maneira. O que valeu a pena mesmo foi aquele momento que ninguém sabe quando ele vai chegar. O descobrimento de que sabe, de que conhece. Momento esse que o professor, por mais que seja bom, não consegue forjar no aluno se ele não estiver disposto. E vocês estavam.
A educação nunca pode ser vista como um objeto, mas como uma autopromoção do aluno. Tratei vocês não como um objeto em que se depositam fórmulas, teses, leituras, mas como pessoas dotadas de individualidade, capacidade criativa, energia e espírito crítico. Como dizia Nietzsche, educar é ensinar a ver. E foi isso que procurei fazer. É por isso que a educação nunca poderá ser reduzida a ter um bom emprego, ela sempre será mais que isso, será a construção de indivíduos, será a contribuição na formação de cidadãos. Escola nunca poderá ser uma gaiola onde se prende os alunos, porque os alunos são como pássaros, em busca do voo cada vez mais alto. Educação ensina a treinar os olhos, tornando-os aguçados e críticos para que, desta forma, seja possível fazer uma leitura correta da realidade que está à volta.
Como alunos inteligentes que são, e aprenderam a arte de ver, gostaria de dar uma última aula a vocês com um conteúdo que não está na grade de disciplinas escolares, mas que todos nós somos capazes de aprender.
Eu diria...
Cultivem a excelência no que se propuserem a fazer, não se contentem em serem simplesmente bons; não sejam medíocres ao ponto de achar que sabem apenas o necessário e que está bom assim, deem passos largos, busquem algo que esteja além, ousem sonhar!
Exerçam a cidadania; assumam as responsabilidades de serem construtores de uma cidade melhor, um Estado melhor, de um país melhor. Exercer a cidadania é buscar aprender a fazer a diferença, é quebrar paradigmas, é ousar modificar mentalidades; sejam revolucionários! Usem a capacidade de vocês para fazer o bem ao próximo, mas também para contribuir para que as coisas não fiquem sempre do mesmo modo. Tenha opinião própria sobre os assuntos, não se deixem ser manipulados por ninguém.
Estudem. Moramos num país que, no ranking educacional mundial, é o quinquagésimo terceiro. Há milhares de pessoas analfabetas e ainda outras mil semianalfabetas. É por isso que temos pessoas, sem o Ensino Médio, que podem tirar sua Carteira de Habilitação e deputado semianalfabeto pode ser eleito. Não se contentem apenas com o Ensino Médio, está noite é apenas mais uma etapa de colação de grau e que outras noites como essa seja possível para cada um de vocês.
A escola é assim...
Uns gostaram de vir, mas não souberam aproveitar bem o momento que passaram aqui; outros não viam a hora de sair, não aguentavam mais, o que é compreensível também. Mas alguns aproveitaram o momento, porque perceberam que sem a escola a vida não seria como é, e esses deixarão saudades.
Alguns sentimentos cabem aqui...
Saudade: dos momentos de risadas, brincadeiras e trabalhos.
Esperança: que muitos de vocês sejam ímpares na sociedade de hoje; verdadeiros cidadãos que deem orgulho para está cidade.
Gostaria de encerrar com uma frase de Cecília Meireles: “Há pessoas que nos falam e nem as escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre”.
A recíproca é verdadeira no caso de vocês.
Boa sorte a todos!
8.12.10
POR UMA ECLESIOLOGIA PÚBLICA
A eclesiologia protestante sempre foi ad intra. Uma igreja marcada pelo apego ao templo com uma visão maniqueísta do mundo, onde preservar os “bons costumes” foi confundido com a completa omissão para com a sociedade. A maneira reducionista de entender, pregar e vivenciar a mensagem do evangelho teve como fatores importantes o pré-milenismo e o fundamentalismo. Assimila-se a cultura estadunidense e esquece-se da cultura brasileira, criando uma concepção eclesiológica em que separa os justos (quem frequenta a igreja) dos injustos (os pecadores que estão no “mundo”).
Dentro da discussão, ainda recente no Brasil, sobre teologia pública, se faz necessário uma eclesiologia pública onde as principais matrizes do evangelho como missão, Reino de Deus, política e pastoral se tornem relevantes para a sociedade com mediações pastorais que contemplem as mazelas do cotidiano de uma cidade/sociedade.
A partir de constatações de que os movimentos eclesiológicos não comportam uma dimensão pública, pelo contrário, a visibilidade que a mídia proporciona para alguns grupos religiosos não abrange a sociedade, mas apenas indivíduos, com um discurso hedonista e exclusivista, formando pessoas que privatizam a fé e a fazem refém de um individualismo radical, não possibilitando a inserção dos cristãos no espaço público, temos como resultado disso uma igreja intimista, voltada para as carências pessoais e míope com relação a sua volta, se esquivando das exigências do evangelho que propõe uma pastoral comprometida com a cidade/sociedade, e não apenas com as pessoas que habitam as quatro paredes de um templo.
A tarefa é árdua, mas extremamente necessária, fomentar uma eclesiologia que seja pública, ou seja, uma eclesiologia dinâmica com recursos teóricos e uma práxis relevante.
A igreja que o protestantismo de missão deixou para os brasileiros é uma igreja com uma ligação com a cultura religiosa norte-americana, menos estável e em constante ebulição, com tendência para manter confronto com a cultura brasileira. Essa igreja tem no seu discurso um forte apelo individualista, ou seja, olha apenas para o indivíduo entendendo que a sua “conversão” melhora a sociedade. A igreja que os missionários nos deixaram é uma igreja com um fundamentalismo bíblico exagerado e um puritanismo extremo que contribuiu para que ela negasse a sociedade, compreendendo igreja como um reduto daqueles que aguardam os “céus”. Essa mentalidade é vista, principalmente, nos cancioneiros das igrejas protestantes. Cânticos que representam uma teologia da espera e isola a igreja do seu entorno.
A eclesiologia pública pretende definir a atuação da igreja na sociedade civil, procurando ampliar sua ação em realidades públicas. Conforme Jürgen Moltmann, “não existe identidade cristã que não tenha relevância pública”.
Para a igreja ter esta dimensão de atuação no espaço público, é preciso, antes de tudo, ter uma clara noção de cidadania. Uma eclesiologia que fomente a condição de cidadãos participantes do processo democrático da cidade aos seus membros.
Dentro da discussão, ainda recente no Brasil, sobre teologia pública, se faz necessário uma eclesiologia pública onde as principais matrizes do evangelho como missão, Reino de Deus, política e pastoral se tornem relevantes para a sociedade com mediações pastorais que contemplem as mazelas do cotidiano de uma cidade/sociedade.
A partir de constatações de que os movimentos eclesiológicos não comportam uma dimensão pública, pelo contrário, a visibilidade que a mídia proporciona para alguns grupos religiosos não abrange a sociedade, mas apenas indivíduos, com um discurso hedonista e exclusivista, formando pessoas que privatizam a fé e a fazem refém de um individualismo radical, não possibilitando a inserção dos cristãos no espaço público, temos como resultado disso uma igreja intimista, voltada para as carências pessoais e míope com relação a sua volta, se esquivando das exigências do evangelho que propõe uma pastoral comprometida com a cidade/sociedade, e não apenas com as pessoas que habitam as quatro paredes de um templo.
A tarefa é árdua, mas extremamente necessária, fomentar uma eclesiologia que seja pública, ou seja, uma eclesiologia dinâmica com recursos teóricos e uma práxis relevante.
A igreja que o protestantismo de missão deixou para os brasileiros é uma igreja com uma ligação com a cultura religiosa norte-americana, menos estável e em constante ebulição, com tendência para manter confronto com a cultura brasileira. Essa igreja tem no seu discurso um forte apelo individualista, ou seja, olha apenas para o indivíduo entendendo que a sua “conversão” melhora a sociedade. A igreja que os missionários nos deixaram é uma igreja com um fundamentalismo bíblico exagerado e um puritanismo extremo que contribuiu para que ela negasse a sociedade, compreendendo igreja como um reduto daqueles que aguardam os “céus”. Essa mentalidade é vista, principalmente, nos cancioneiros das igrejas protestantes. Cânticos que representam uma teologia da espera e isola a igreja do seu entorno.
A eclesiologia pública pretende definir a atuação da igreja na sociedade civil, procurando ampliar sua ação em realidades públicas. Conforme Jürgen Moltmann, “não existe identidade cristã que não tenha relevância pública”.
Para a igreja ter esta dimensão de atuação no espaço público, é preciso, antes de tudo, ter uma clara noção de cidadania. Uma eclesiologia que fomente a condição de cidadãos participantes do processo democrático da cidade aos seus membros.
1.12.10
QUEM EU SOU PARA O POVO?
Comecei trabalhar com a igreja sobre as imagens de Jesus que temos hoje. Não sendo muito especifico, apenas levantei algumas hipóteses de como Jesus é visto pelos principais ramos do fenômeno tido como evangélico (essa palavra está muito desgastada, a uso apenas para qualificar as igrejas e seus ramos). Apenas para constatação, as imagens de Jesus dentro do protestantismo são tratadas pelo Prof. Leonildo Silveira Campos em um estudo interessante sobre isso (Estudos de Religião, n.º 20, Jun. 2001, S. Bernardo do Campo, UMESP).
Falar sobre Jesus é sempre fazer interpretação, os Evangelhos é um exemplo claro disso, há três (sinóticos) e ainda João e nenhum deles são iguais. Na religiosidade brasileira há uma verdadeira diversidade de imagens sobre Jesus. Na tradição católica, ele é um Jesus sofredor; no protestantismo ele é celeste, habita o céu.
Tratei, recentemente, com a comunidade sobre o Jesus gospel.
Há um comércio altamente lucrativo, que não é nenhuma novidade mais, usando a marca Jesus. É um Jesus de vitrine, onde as pessoas se relacionam com ele através dos produtos.
A partir de estudos feitos pela pesquisadora Magali do Nascimento Cunha (UMESP), a cultura gospel se estabeleceu quando louvor e adoração se tornou sinônimo de música, apenas isso. Se adora, se louva a Deus cantando, com som nas alturas. Surgem as “Equipes de Louvor”, uma nomenclatura no mínimo infeliz. Jesus passa a ser consumido nos louvorzões, uma verdadeira festa. O cantor se transforma em celebridade, com direito a autógrafos e fotos. Os produtos são diversos e os slogans dos mais chamativos como: “enriqueça a sua igreja com o produto x”. Os programas dos pastores televisivos são mais comerciais do que qualquer outra coisa.
O Jesus gospel é badalado; ele é aclamado; pula-se nos estádios por ele; compram-se inúmeros produtos por ele; há marcas de roupa, cosméticos e até mesmo celulares dele, do Jesus gospel.
Se os discípulos pudessem perguntar para Jesus hoje quem ele é para o povo (Cf. Mc 8,27), o povo diria: alguns dizem que tu és milagreiro, cura e expulsa demônios; outros dizem que tu proporcionas riqueza, é o dono do ouro e da prata; outros ainda acham que tu estás no céu, apenas aguardando a chegada da igreja.
A mensagem do reino de Deus foi suplantada pelo movimento gospel, onde tudo é comercializado e as pessoas se relacionam com ele por meio dos produtos.
Falar sobre Jesus é sempre fazer interpretação, os Evangelhos é um exemplo claro disso, há três (sinóticos) e ainda João e nenhum deles são iguais. Na religiosidade brasileira há uma verdadeira diversidade de imagens sobre Jesus. Na tradição católica, ele é um Jesus sofredor; no protestantismo ele é celeste, habita o céu.
Tratei, recentemente, com a comunidade sobre o Jesus gospel.
Há um comércio altamente lucrativo, que não é nenhuma novidade mais, usando a marca Jesus. É um Jesus de vitrine, onde as pessoas se relacionam com ele através dos produtos.
A partir de estudos feitos pela pesquisadora Magali do Nascimento Cunha (UMESP), a cultura gospel se estabeleceu quando louvor e adoração se tornou sinônimo de música, apenas isso. Se adora, se louva a Deus cantando, com som nas alturas. Surgem as “Equipes de Louvor”, uma nomenclatura no mínimo infeliz. Jesus passa a ser consumido nos louvorzões, uma verdadeira festa. O cantor se transforma em celebridade, com direito a autógrafos e fotos. Os produtos são diversos e os slogans dos mais chamativos como: “enriqueça a sua igreja com o produto x”. Os programas dos pastores televisivos são mais comerciais do que qualquer outra coisa.
O Jesus gospel é badalado; ele é aclamado; pula-se nos estádios por ele; compram-se inúmeros produtos por ele; há marcas de roupa, cosméticos e até mesmo celulares dele, do Jesus gospel.
Se os discípulos pudessem perguntar para Jesus hoje quem ele é para o povo (Cf. Mc 8,27), o povo diria: alguns dizem que tu és milagreiro, cura e expulsa demônios; outros dizem que tu proporcionas riqueza, é o dono do ouro e da prata; outros ainda acham que tu estás no céu, apenas aguardando a chegada da igreja.
A mensagem do reino de Deus foi suplantada pelo movimento gospel, onde tudo é comercializado e as pessoas se relacionam com ele por meio dos produtos.
9.11.10
LIBERDADE OU LEGALISMO
O Protestantismo em geral tem um problema sério com a ascese. A santidade é mediada pelo comportamento ético, pela leitura bíblica, pelo ir aos cultos, pela rotineira oração no dia.
Nas últimas vezes que tive a oportunidade de ouvir mensagens, observei a maneira legalista de proferir o sermão. Apenas se pegando no que fazer ou não fazer; um Cristianismo de moralidade e legalismo que até mesmo os fariseus no tempo de Jesus perderiam.
É claro que é sempre mais fácil se apegar a regras, porque de certa forma, elas provocam a sensação de segurança, pois elas determinam o modo como se deve entender e se relacionar com Deus. Difícil mesmo é lidar com a liberdade que o Cristianismo propõe.
Trabalhei alguns conceitos sobre liberdade com a comunidade. A ideia era mostrar como o Cristianismo nas suas vertentes, Evangelhos (Jesus) e Paulo, lidaram com a liberdade em detrimento do legalismo.
Tenho consciência de que a liberdade apresentada por Jesus e por Paulo é um tema um tanto difícil de digerir. Reina em nossas igrejas a ideologia de que as práticas religiosas é o alvo da espiritualidade; o fazer é preferível ao ser; o não é mais fácil controlar que o sim. Infelizmente o legalismo venceu a liberdade.
Olhando a prática de Jesus, observa-se que ele possuía uma liberdade incrível diante das situações e contextos do seu tempo. Ele não rotulava as pessoas de pecadoras, como faziam os fariseus; ele não obrigava ninguém a fazer aquilo que não queria, o caso do homem rico e o vira as costas quando solicitado a distribuir seus bens com os pobres. Sua atitude é livre para com Deus. Enquanto se buscava Deus nos lugares sagrados, como o Templo, ele buscava no dia a dia; enquanto se colocava Deus no Templo, ele o encontrava no cotidiano das pessoas. Uma liberdade a serviço do próximo. Uma liberdade que rejeita a opressão da doutrinação dos sacerdotes; uma liberdade que estava acima da lei.
Conheci Dostoiévski a partir do meu amigo Pr. Claudinei (SIB em Jacupiranga). Conhecia o literato russo de ouvir falar e algumas coisas que li sem dar muita importância. Lendo um dos seus principais textos, Os irmãos Karamázovi, fiquei impressionado com o trecho sobre o Inquisidor, principalmente com o diálogo com o Jesus da liberdade de Dostoiévski, transcrevo: “em vez de dominar a consciência, vieste aprofundá-la ainda mais; em vez de cercear a liberdade dos homens, vieste alagar-lhes ainda mais o horizonte (...). Teu desejo era libertar os homens para o amor. Livre deve ele seguir-te, sentir-se atraído e preso por ti”.
A liberdade que Jesus proporciona não pede nada em troca, apenas indica o caminho.
É hora de deixar a liberdade vencer o legalismo.
Nas últimas vezes que tive a oportunidade de ouvir mensagens, observei a maneira legalista de proferir o sermão. Apenas se pegando no que fazer ou não fazer; um Cristianismo de moralidade e legalismo que até mesmo os fariseus no tempo de Jesus perderiam.
É claro que é sempre mais fácil se apegar a regras, porque de certa forma, elas provocam a sensação de segurança, pois elas determinam o modo como se deve entender e se relacionar com Deus. Difícil mesmo é lidar com a liberdade que o Cristianismo propõe.
Trabalhei alguns conceitos sobre liberdade com a comunidade. A ideia era mostrar como o Cristianismo nas suas vertentes, Evangelhos (Jesus) e Paulo, lidaram com a liberdade em detrimento do legalismo.
Tenho consciência de que a liberdade apresentada por Jesus e por Paulo é um tema um tanto difícil de digerir. Reina em nossas igrejas a ideologia de que as práticas religiosas é o alvo da espiritualidade; o fazer é preferível ao ser; o não é mais fácil controlar que o sim. Infelizmente o legalismo venceu a liberdade.
Olhando a prática de Jesus, observa-se que ele possuía uma liberdade incrível diante das situações e contextos do seu tempo. Ele não rotulava as pessoas de pecadoras, como faziam os fariseus; ele não obrigava ninguém a fazer aquilo que não queria, o caso do homem rico e o vira as costas quando solicitado a distribuir seus bens com os pobres. Sua atitude é livre para com Deus. Enquanto se buscava Deus nos lugares sagrados, como o Templo, ele buscava no dia a dia; enquanto se colocava Deus no Templo, ele o encontrava no cotidiano das pessoas. Uma liberdade a serviço do próximo. Uma liberdade que rejeita a opressão da doutrinação dos sacerdotes; uma liberdade que estava acima da lei.
Conheci Dostoiévski a partir do meu amigo Pr. Claudinei (SIB em Jacupiranga). Conhecia o literato russo de ouvir falar e algumas coisas que li sem dar muita importância. Lendo um dos seus principais textos, Os irmãos Karamázovi, fiquei impressionado com o trecho sobre o Inquisidor, principalmente com o diálogo com o Jesus da liberdade de Dostoiévski, transcrevo: “em vez de dominar a consciência, vieste aprofundá-la ainda mais; em vez de cercear a liberdade dos homens, vieste alagar-lhes ainda mais o horizonte (...). Teu desejo era libertar os homens para o amor. Livre deve ele seguir-te, sentir-se atraído e preso por ti”.
A liberdade que Jesus proporciona não pede nada em troca, apenas indica o caminho.
É hora de deixar a liberdade vencer o legalismo.
25.10.10
ENTRE O RUIM E O PIOR: UMA DIFÍCIL ESCOLHA
Como milhões de pessoas que votaram nela espera: Marina Silva não deu o seu “apoio” a nenhum dos dois, Serra ou Dilma. Não foi nenhuma surpresa.
Observando os rumos dessa campanha vejo que o povo brasileiro perdeu a oportunidade de levar para o segundo turno uma nova opção de governo, de caráter, de ética, de fibra e de projeto. Mais uma vez preferiu ver o mesmo filme que passou em 2006 quando Lula se reelegeu. Estão reclamando que a campanha está com um baixo nível incrível. Bem, quem escolheu este estilo de campanha foi o próprio povo quando decidiu colocar no segundo turno Dilma e Serra. Fazendo isso o povo escolheu ver os mesmos ataques de um contra o outro, essa baixaria em horário nobre na TV em que passa mais os podres de cada um dos candidatos do que propostas relevantes para o país. Votando em Dilma e Serra, o povo escolheu a mesma tônica das outras campanhas, a maldita comparação entre FHC e Lula, como se o país fosse dividido em períodos da história e não tivesse uma única história com contextos diferentes na história global. Foi difícil com FHC e a crise do México; foi difícil controlar a inflação que era exorbitante, herança de um presidente narcisista como o Collor e de um incompetente como o Sarney. Mas foi possível o Plano Real para normalizar o cambio e garantir a produtividade. Assim como qualquer governo no mundo, FHC teve os seus problemas também, assim como Lula que teve/tem seus méritos e deméritos, pois nenhum governo é perfeito.
Parece que as pessoas não sabiam que Dilma e Serra no segundo turno era a garantia de uma campanha baseada na troca de ofensas, na denúncia de corrupção de ambos os lados, na manipulação da mídia e do marketing pesado em cima da imagem dos candidatos, vendendo aquilo que não são para o povo. Não sei por que o espanto! Alguém tinha dúvida disso? Eu não! Ocorre que as pessoas não se aperceberam que aqui não é os Estados Unidos e o PT-PSDB não são replicas dos partidos Republicados e Democratas, embora haja por aqui um que se denomina de DEM, mas deixa isso pra lá. Preferiram dar o seu voto na mesma cúpula que governou o país por dezesseis anos e não tem critérios lógicos para dizer quem fez mais ou menos, pois um dependeu do outro. Sobre a campanha, o Presidente Fernando Henrique Cardoso disse recentemente que nunca viu uma campanha de tom tão individual e sem propósito como essa onde os candidatos disputam o poder e não a vida e o futuro do país. Palavras de FHC que foi suprimido da campanha do tucano José Serra.
Entre o pior e o ruim a opção era a Marina. A mulher tinha todas as qualidades para fazer um governo excepcional. Governou com o Presidente Lula e saiu por não concordar com este projeto de perpetuação no poder que este governo tem. Mesmo não sendo apoiada pela sua igreja, que não fez nenhuma falta também, ela mostrou do que é capaz e não quis associar a sua imagem a nenhum dos que estão aí.
Era isso que as pessoas queriam ver? Uma campanha que envolveu religião além da conta, transformando temas tão delicados como o aborto em algo tão fortuito e descompromissado, além, é claro, do terrorismo feito nas igrejas contra o PT e de “pastores” que se especializaram em virar a casaca como o senhor José Wellington que no seu aniversário recebeu Dilma no púlpito de sua igreja e disse que ela era a solução para o país, a enviada de Deus, e hoje aparece no horário eleitoral do Serra como se nada tivesse acontecido. Outro televisivo que perdeu a muito tempo a credibilidade mais alguns ainda não se deram conta disso é o profeta da prosperidade Silas Malafaia, que nas últimas semanas do primeiro turno soltou uma série de mentiras sobre Marina Silva quando percebeu que ela não iria para o segundo turno, este aparece no programa eleitoral do Serra querendo influenciar os votos dos seus seguidores mais fanáticos.
Agora a batata está nas mãos dos eleitores que decidiram ver o mesmo filme das últimas eleições, PT versus PSDB. A democracia é mesmo uma beleza.
Observando os rumos dessa campanha vejo que o povo brasileiro perdeu a oportunidade de levar para o segundo turno uma nova opção de governo, de caráter, de ética, de fibra e de projeto. Mais uma vez preferiu ver o mesmo filme que passou em 2006 quando Lula se reelegeu. Estão reclamando que a campanha está com um baixo nível incrível. Bem, quem escolheu este estilo de campanha foi o próprio povo quando decidiu colocar no segundo turno Dilma e Serra. Fazendo isso o povo escolheu ver os mesmos ataques de um contra o outro, essa baixaria em horário nobre na TV em que passa mais os podres de cada um dos candidatos do que propostas relevantes para o país. Votando em Dilma e Serra, o povo escolheu a mesma tônica das outras campanhas, a maldita comparação entre FHC e Lula, como se o país fosse dividido em períodos da história e não tivesse uma única história com contextos diferentes na história global. Foi difícil com FHC e a crise do México; foi difícil controlar a inflação que era exorbitante, herança de um presidente narcisista como o Collor e de um incompetente como o Sarney. Mas foi possível o Plano Real para normalizar o cambio e garantir a produtividade. Assim como qualquer governo no mundo, FHC teve os seus problemas também, assim como Lula que teve/tem seus méritos e deméritos, pois nenhum governo é perfeito.
Parece que as pessoas não sabiam que Dilma e Serra no segundo turno era a garantia de uma campanha baseada na troca de ofensas, na denúncia de corrupção de ambos os lados, na manipulação da mídia e do marketing pesado em cima da imagem dos candidatos, vendendo aquilo que não são para o povo. Não sei por que o espanto! Alguém tinha dúvida disso? Eu não! Ocorre que as pessoas não se aperceberam que aqui não é os Estados Unidos e o PT-PSDB não são replicas dos partidos Republicados e Democratas, embora haja por aqui um que se denomina de DEM, mas deixa isso pra lá. Preferiram dar o seu voto na mesma cúpula que governou o país por dezesseis anos e não tem critérios lógicos para dizer quem fez mais ou menos, pois um dependeu do outro. Sobre a campanha, o Presidente Fernando Henrique Cardoso disse recentemente que nunca viu uma campanha de tom tão individual e sem propósito como essa onde os candidatos disputam o poder e não a vida e o futuro do país. Palavras de FHC que foi suprimido da campanha do tucano José Serra.
Entre o pior e o ruim a opção era a Marina. A mulher tinha todas as qualidades para fazer um governo excepcional. Governou com o Presidente Lula e saiu por não concordar com este projeto de perpetuação no poder que este governo tem. Mesmo não sendo apoiada pela sua igreja, que não fez nenhuma falta também, ela mostrou do que é capaz e não quis associar a sua imagem a nenhum dos que estão aí.
Era isso que as pessoas queriam ver? Uma campanha que envolveu religião além da conta, transformando temas tão delicados como o aborto em algo tão fortuito e descompromissado, além, é claro, do terrorismo feito nas igrejas contra o PT e de “pastores” que se especializaram em virar a casaca como o senhor José Wellington que no seu aniversário recebeu Dilma no púlpito de sua igreja e disse que ela era a solução para o país, a enviada de Deus, e hoje aparece no horário eleitoral do Serra como se nada tivesse acontecido. Outro televisivo que perdeu a muito tempo a credibilidade mais alguns ainda não se deram conta disso é o profeta da prosperidade Silas Malafaia, que nas últimas semanas do primeiro turno soltou uma série de mentiras sobre Marina Silva quando percebeu que ela não iria para o segundo turno, este aparece no programa eleitoral do Serra querendo influenciar os votos dos seus seguidores mais fanáticos.
Agora a batata está nas mãos dos eleitores que decidiram ver o mesmo filme das últimas eleições, PT versus PSDB. A democracia é mesmo uma beleza.
16.10.10
VENHA A NÓS O TEU REINO
A reflexão em torno do reino de Deus sempre foi motivo de disputa. No protestantismo o tema foi desvirtuado para o Milênio. As chamadas teologias sistemáticas colocaram o reino de Deus na seção Escatologia sempre vinculando com o amilenismo, pós-milenismo ou pré-milenismo. Na seção de Cristologia, o tema, quando não totalmente omitido, é suprimido pelos ofícios de Jesus, pela questão da hipostasia (termo grego que não tem nada haver com Bíblia) para falar das duas “naturezas” de Jesus. Por conta dessa verdadeira avalanche de teologias sistemáticas, diga se de passagem oriundas, na sua maioria, dos EUA, a teologia latino-americana foi suplantada quase por completo dos seminários e faculdades teológicas protestantes. Se aprendeu, se ensinou, se pregou que o reino de Deus será concretizado no Milênio, com isso se adormeceu, se omitiu, se conformou com o contexto social e suas mazelas na confiança de que Deus irá estabelecer o seu reino quando na consumação do mundo.
Como esta ideia foi disseminada por aqui. Há seminários que são completamente confessionais quando se trata do pré-milenismo; bíblias de estudo totalmente imparciais no estudo no assunto; teólogos que perdem amigos por não concordar com a sua posição sobre o Milênio. Quem perde com isso é a igreja que se acostumou a olhar o mundo, a sociedade, os acontecimentos pela perspectiva do futuro reino de Deus que se dará no Milênio. Influenciados pela teologia estadunidense, nossos seminários e faculdades ainda reproduzem essa visão maniqueísta e dualista da fé cristã, uma fé desvinculada da realidade social, desvinculada das questões que afetam a todos.
Para dar um exemplo. Recentemente recebi um texto de um amigo do pastor presbiteriano John MacArthur Jr. Ele escreveu o livro A sós com Deus; o poder e a paixão pela oração (Ed. Palavra). No capítulo “Venha o teu reino” MacArthur Jr. trata dos problemas morais e sociais dos EUA e dá a sua posição como teólogo sobre o reino de Deus. Segue:
A igreja tem uma única missão neste mundo: levar pessoas destinadas a passar a eternidade no inferno ao conhecimento salvador de Jesus Cristo e à eternidade no céu. Se as pessoas morrerem em um governo comunista ou em uma democracia, sob um ditador tirano ou benevolente, acreditando que a homossexualidade é certa ou errada, ou acreditando que o aborto é direito fundamental de escolha da mulher ou simplesmente um homicídio em massa, nada disso tem relação com onde elas passarão a eternidade. Se elas nunca conheceram Cristo e nunca o receberam como Senhor e Salvador, passarão a eternidade no inferno.
Em outro trecho ele completa:
Um dia o Senhor voltará para estabelecer o seu próprio reino perfeito. Então finalmente perceberemos o que temos esperado com tanta ansiedade - e o que os discípulos de Cristo do primeiro século desejavam ver - Cristo governar na terra e os povos do mundo prostrados de joelhos perante Ele.
É uma pena que ainda muitos tenham esta mentalidade ufanista e triunfalista da igreja - os escolhidos e separados do mundo vivendo num gueto que está a caminho do céu. Resumir a tarefa da igreja a céu ou inferno é um reducionismo que não tem cabimento na atual circunstância que o mundo passa. A igreja é agente do reino de Deus, ela é a mediadora desse reino. O “venha a nós o teu reino” se dá, primeiramente, na terra.
Como esta ideia foi disseminada por aqui. Há seminários que são completamente confessionais quando se trata do pré-milenismo; bíblias de estudo totalmente imparciais no estudo no assunto; teólogos que perdem amigos por não concordar com a sua posição sobre o Milênio. Quem perde com isso é a igreja que se acostumou a olhar o mundo, a sociedade, os acontecimentos pela perspectiva do futuro reino de Deus que se dará no Milênio. Influenciados pela teologia estadunidense, nossos seminários e faculdades ainda reproduzem essa visão maniqueísta e dualista da fé cristã, uma fé desvinculada da realidade social, desvinculada das questões que afetam a todos.
Para dar um exemplo. Recentemente recebi um texto de um amigo do pastor presbiteriano John MacArthur Jr. Ele escreveu o livro A sós com Deus; o poder e a paixão pela oração (Ed. Palavra). No capítulo “Venha o teu reino” MacArthur Jr. trata dos problemas morais e sociais dos EUA e dá a sua posição como teólogo sobre o reino de Deus. Segue:
A igreja tem uma única missão neste mundo: levar pessoas destinadas a passar a eternidade no inferno ao conhecimento salvador de Jesus Cristo e à eternidade no céu. Se as pessoas morrerem em um governo comunista ou em uma democracia, sob um ditador tirano ou benevolente, acreditando que a homossexualidade é certa ou errada, ou acreditando que o aborto é direito fundamental de escolha da mulher ou simplesmente um homicídio em massa, nada disso tem relação com onde elas passarão a eternidade. Se elas nunca conheceram Cristo e nunca o receberam como Senhor e Salvador, passarão a eternidade no inferno.
Em outro trecho ele completa:
Um dia o Senhor voltará para estabelecer o seu próprio reino perfeito. Então finalmente perceberemos o que temos esperado com tanta ansiedade - e o que os discípulos de Cristo do primeiro século desejavam ver - Cristo governar na terra e os povos do mundo prostrados de joelhos perante Ele.
É uma pena que ainda muitos tenham esta mentalidade ufanista e triunfalista da igreja - os escolhidos e separados do mundo vivendo num gueto que está a caminho do céu. Resumir a tarefa da igreja a céu ou inferno é um reducionismo que não tem cabimento na atual circunstância que o mundo passa. A igreja é agente do reino de Deus, ela é a mediadora desse reino. O “venha a nós o teu reino” se dá, primeiramente, na terra.
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