A reflexão em torno do reino de Deus sempre foi motivo de disputa. No protestantismo o tema foi desvirtuado para o Milênio. As chamadas teologias sistemáticas colocaram o reino de Deus na seção Escatologia sempre vinculando com o amilenismo, pós-milenismo ou pré-milenismo. Na seção de Cristologia, o tema, quando não totalmente omitido, é suprimido pelos ofícios de Jesus, pela questão da hipostasia (termo grego que não tem nada haver com Bíblia) para falar das duas “naturezas” de Jesus. Por conta dessa verdadeira avalanche de teologias sistemáticas, diga se de passagem oriundas, na sua maioria, dos EUA, a teologia latino-americana foi suplantada quase por completo dos seminários e faculdades teológicas protestantes. Se aprendeu, se ensinou, se pregou que o reino de Deus será concretizado no Milênio, com isso se adormeceu, se omitiu, se conformou com o contexto social e suas mazelas na confiança de que Deus irá estabelecer o seu reino quando na consumação do mundo.
Como esta ideia foi disseminada por aqui. Há seminários que são completamente confessionais quando se trata do pré-milenismo; bíblias de estudo totalmente imparciais no estudo no assunto; teólogos que perdem amigos por não concordar com a sua posição sobre o Milênio. Quem perde com isso é a igreja que se acostumou a olhar o mundo, a sociedade, os acontecimentos pela perspectiva do futuro reino de Deus que se dará no Milênio. Influenciados pela teologia estadunidense, nossos seminários e faculdades ainda reproduzem essa visão maniqueísta e dualista da fé cristã, uma fé desvinculada da realidade social, desvinculada das questões que afetam a todos.
Para dar um exemplo. Recentemente recebi um texto de um amigo do pastor presbiteriano John MacArthur Jr. Ele escreveu o livro A sós com Deus; o poder e a paixão pela oração (Ed. Palavra). No capítulo “Venha o teu reino” MacArthur Jr. trata dos problemas morais e sociais dos EUA e dá a sua posição como teólogo sobre o reino de Deus. Segue:
A igreja tem uma única missão neste mundo: levar pessoas destinadas a passar a eternidade no inferno ao conhecimento salvador de Jesus Cristo e à eternidade no céu. Se as pessoas morrerem em um governo comunista ou em uma democracia, sob um ditador tirano ou benevolente, acreditando que a homossexualidade é certa ou errada, ou acreditando que o aborto é direito fundamental de escolha da mulher ou simplesmente um homicídio em massa, nada disso tem relação com onde elas passarão a eternidade. Se elas nunca conheceram Cristo e nunca o receberam como Senhor e Salvador, passarão a eternidade no inferno.
Em outro trecho ele completa:
Um dia o Senhor voltará para estabelecer o seu próprio reino perfeito. Então finalmente perceberemos o que temos esperado com tanta ansiedade - e o que os discípulos de Cristo do primeiro século desejavam ver - Cristo governar na terra e os povos do mundo prostrados de joelhos perante Ele.
É uma pena que ainda muitos tenham esta mentalidade ufanista e triunfalista da igreja - os escolhidos e separados do mundo vivendo num gueto que está a caminho do céu. Resumir a tarefa da igreja a céu ou inferno é um reducionismo que não tem cabimento na atual circunstância que o mundo passa. A igreja é agente do reino de Deus, ela é a mediadora desse reino. O “venha a nós o teu reino” se dá, primeiramente, na terra.
"Escrever é construir, através do texto, um modelo específico de leitor" (Humberto Eco)
16.10.10
6.10.10
DO CHALITA AO TIRIRICA
O teste de inteligência do eleitor
“Foi sensacional (...) coisa de Deus mesmo”.
Tiririca.
Não fiquei nenhum pouco surpreso com a votação maciça no palhaço Tiririca. A imprensa internacional divulgou o seu feito de ter mais de um milhão de votos para a Câmara Federal, de fato um fenômeno. Agora o coitado, que foi usado, precisa comprovar que sabe ler e escrever e ainda desmentir a reportagem da Revista Época que o acusa de ter falsificado o seu registro no TRE-SP, isto é, se não acabar em pizza é claro. Mais uma brecha da legislação brasileira que permite que pessoas apenas alfabetizadas concorram a cargos públicos e logo esses que irão fazer leis e priorizar a educação, isso sim é palhaçada.
Não sou cientista político, mas quero fazer uma reflexão, de cunho bem subjetivo mesmo, sobre a inteligência política de quem votou no Chalita e no Tiririca.
Quem votou no Chalita conhece a sua história. O seu eleitor sabe que a sua formação se deu na PUC-SP (filosofia e comunicação social); sabe que ele foi Secretária da Educação no Governo Alckmin; é um defensor ferrenho da educação, buscando alternativas e apontando caminhos; é católico não por falta de opção religiosa, mas por comprometimento mesmo; sua saída do PSDB se deu por não concordar com políticas públicas que não favorecia a educação e desvalorizava o professor; é escritor na área de filosofia; já foi ouvido em diversos programas de TV; foi o vereador mais votado da cidade de São Paulo; o segundo deputado federal mais votado do Estado de São Paulo, só perdendo para o Tiririca.
Quem votou no Chalita conhece a sua militância e trajetória política. É alguém que gostaria de ter um representante à altura do Estado de São Paulo na Câmara Federal, com ideias esclarecidas e discurso coerente. Os seus eleitores mostraram que é possível sim ter pessoas com dignidade e competência representando o povo. Foi um voto de basta de parlamentares que acham que o dinheiro público é seu também; foi um voto a favor da ética na política; foi um voto de quem entende que os políticos estão lá para defender os interesses da população e não os seus próprios; foi um voto inteligente.
Quem votou no Tiririca o conhece da sua brilhante carreira de comediante e sua poética música – “Florentina, Florentina, Florentina de Jesus, não sei se tu me amas pra que tu me seduz” (nem mesmo sei se é assim). É alguém que também gostaria de mandar um recado: “estamos cansados dessa palhaçada, de dinheiro na cueca, dos aloprados, das ambulâncias superfaturadas; estamos cansados de deputado rindo e roubando dinheiro em câmeras escondidas; estamos cansados de sermos feitos de palhaços”. É uma reivindicação de protesto! Mas colocar mais um palhaço naquele circo, chamado de Câmara dos Deputados, não adianta. O homem não consegue nem mesmo falar; é acusado de ser analfabeto; não apresentou nenhuma proposta no tempo mais que longo de TV, apenas fez piadas com os seus eleitores – “você sabe o que um deputado faz? Não! Nem eu. Vota em mim que eu te conto; vote no Tiririca, pior do que tá não fica” – ficará pior se ele vier assumir o seu mandato. O eleitor do Tiririca não foi inteligente dando mais de um milhão de votos a ele porque não conhece o sistema eleitoral brasileiro, que é irracional, que trabalha com o quociente eleitoral e a proporcionalidade, ou seja, os votos excedentes do palhaço Tiririca foram para outros candidatos do seu partido. Nesse caso, os eleitores do comediante garantiu a eleição de mais três candidatos que nem mesmo sabe quem são. Isso não é ser inteligente.
“Foi sensacional (...) coisa de Deus mesmo”.
Tiririca.
Não fiquei nenhum pouco surpreso com a votação maciça no palhaço Tiririca. A imprensa internacional divulgou o seu feito de ter mais de um milhão de votos para a Câmara Federal, de fato um fenômeno. Agora o coitado, que foi usado, precisa comprovar que sabe ler e escrever e ainda desmentir a reportagem da Revista Época que o acusa de ter falsificado o seu registro no TRE-SP, isto é, se não acabar em pizza é claro. Mais uma brecha da legislação brasileira que permite que pessoas apenas alfabetizadas concorram a cargos públicos e logo esses que irão fazer leis e priorizar a educação, isso sim é palhaçada.
Não sou cientista político, mas quero fazer uma reflexão, de cunho bem subjetivo mesmo, sobre a inteligência política de quem votou no Chalita e no Tiririca.
Quem votou no Chalita conhece a sua história. O seu eleitor sabe que a sua formação se deu na PUC-SP (filosofia e comunicação social); sabe que ele foi Secretária da Educação no Governo Alckmin; é um defensor ferrenho da educação, buscando alternativas e apontando caminhos; é católico não por falta de opção religiosa, mas por comprometimento mesmo; sua saída do PSDB se deu por não concordar com políticas públicas que não favorecia a educação e desvalorizava o professor; é escritor na área de filosofia; já foi ouvido em diversos programas de TV; foi o vereador mais votado da cidade de São Paulo; o segundo deputado federal mais votado do Estado de São Paulo, só perdendo para o Tiririca.
Quem votou no Chalita conhece a sua militância e trajetória política. É alguém que gostaria de ter um representante à altura do Estado de São Paulo na Câmara Federal, com ideias esclarecidas e discurso coerente. Os seus eleitores mostraram que é possível sim ter pessoas com dignidade e competência representando o povo. Foi um voto de basta de parlamentares que acham que o dinheiro público é seu também; foi um voto a favor da ética na política; foi um voto de quem entende que os políticos estão lá para defender os interesses da população e não os seus próprios; foi um voto inteligente.
Quem votou no Tiririca o conhece da sua brilhante carreira de comediante e sua poética música – “Florentina, Florentina, Florentina de Jesus, não sei se tu me amas pra que tu me seduz” (nem mesmo sei se é assim). É alguém que também gostaria de mandar um recado: “estamos cansados dessa palhaçada, de dinheiro na cueca, dos aloprados, das ambulâncias superfaturadas; estamos cansados de deputado rindo e roubando dinheiro em câmeras escondidas; estamos cansados de sermos feitos de palhaços”. É uma reivindicação de protesto! Mas colocar mais um palhaço naquele circo, chamado de Câmara dos Deputados, não adianta. O homem não consegue nem mesmo falar; é acusado de ser analfabeto; não apresentou nenhuma proposta no tempo mais que longo de TV, apenas fez piadas com os seus eleitores – “você sabe o que um deputado faz? Não! Nem eu. Vota em mim que eu te conto; vote no Tiririca, pior do que tá não fica” – ficará pior se ele vier assumir o seu mandato. O eleitor do Tiririca não foi inteligente dando mais de um milhão de votos a ele porque não conhece o sistema eleitoral brasileiro, que é irracional, que trabalha com o quociente eleitoral e a proporcionalidade, ou seja, os votos excedentes do palhaço Tiririca foram para outros candidatos do seu partido. Nesse caso, os eleitores do comediante garantiu a eleição de mais três candidatos que nem mesmo sabe quem são. Isso não é ser inteligente.
4.10.10
SURPRESA? NÃO, DEMOCRACIA!
A minha solidariedade para com os eleitores de Marina Silva
Alguns chamaram de “zebra”; outros de surpresa. O fato é que a candidata à presidência da República, Marina Silva (PV), foi destaque na imprensa internacional e dentro do país. Os analistas, cientistas políticos, sociólogos, estão falando da Marina e não de Dilma ou Serra.
Permita-me, meus poucos leitores, tentar fazer uma radiografia dos eleitores de Marina. Primeiro, eles são independentes. São eleitores que não se importaram nenhum pouco se iria ou não “perder” o voto votando nela; são eleitores suprapartidários, não estão vinculados a nenhum partido de hegemonia como PT ou PSDB; esses eleitores foram os únicos que votaram com inteligência, pois compreenderam de que esse sistema PT-PSDB não é a única opção, portanto, entenderam que essa eleição não era um plebiscito; além do mais, foram esses quase 20 milhões de eleitores que provocaram o 2º turno, o Serra deveria agradecer de joelhos a ela.
A candidata do PT teve que assumir: “quero parabenizar a candidata Marina Silva pelo ótimo desempenho no pleito”. Foi ótimo mesmo, é verdade. Foi ótimo porque um partido pequeno, como o PV, com o tempo mais que reduzido de TV, com a falta de marketing pesado, em comparação às outras candidaturas, conseguiu quebrar a prepotência daqueles que achavam que essa eleição estava garantida logo no 1º turno, isso foi ótimo. Os eleitores de Marina foi uma pedra no meio do caminho, parafraseando o grande poeta Carlos Drummond de Andrade.
É claro que a dinâmica dos partidos políticos é chegar ao poder, por isso não causaria nenhum espanto o PV decidir apoia um dos candidatos, ainda que seja improvável isso acontecer, mas acredito que não vou ter o desprazer de ver Marina no palanque com Dilma, praticamente impossível, ou com Serra falando assim: “vocês votando nele/a é o mesmo que está votando em mim”, aliás, essa frase me lembra alguém..., mas deixa isso pra lá. Marina não associaria a sua imagem a nenhum dos que restaram para o 2º turno, afinal de contas, os dois são bem parecidos, como bem dizia ela.
Aos eleitores de Marina a minha solidariedade. Não adiantou pastor, político ou qualquer celebridade ofuscar a sua candidatura. Não foi surpresa, foi o pleno exercício da democracia. Aos seus eleitores a confiança, 2014 ela estará de volta e aí “no meio do caminho tinha uma pedra (...) tinha uma pedra no meio do caminho (...) tinha uma pedra (...) no meio do caminho tinha uma pedra”. E que pedra...
Alguns chamaram de “zebra”; outros de surpresa. O fato é que a candidata à presidência da República, Marina Silva (PV), foi destaque na imprensa internacional e dentro do país. Os analistas, cientistas políticos, sociólogos, estão falando da Marina e não de Dilma ou Serra.
Permita-me, meus poucos leitores, tentar fazer uma radiografia dos eleitores de Marina. Primeiro, eles são independentes. São eleitores que não se importaram nenhum pouco se iria ou não “perder” o voto votando nela; são eleitores suprapartidários, não estão vinculados a nenhum partido de hegemonia como PT ou PSDB; esses eleitores foram os únicos que votaram com inteligência, pois compreenderam de que esse sistema PT-PSDB não é a única opção, portanto, entenderam que essa eleição não era um plebiscito; além do mais, foram esses quase 20 milhões de eleitores que provocaram o 2º turno, o Serra deveria agradecer de joelhos a ela.
A candidata do PT teve que assumir: “quero parabenizar a candidata Marina Silva pelo ótimo desempenho no pleito”. Foi ótimo mesmo, é verdade. Foi ótimo porque um partido pequeno, como o PV, com o tempo mais que reduzido de TV, com a falta de marketing pesado, em comparação às outras candidaturas, conseguiu quebrar a prepotência daqueles que achavam que essa eleição estava garantida logo no 1º turno, isso foi ótimo. Os eleitores de Marina foi uma pedra no meio do caminho, parafraseando o grande poeta Carlos Drummond de Andrade.
É claro que a dinâmica dos partidos políticos é chegar ao poder, por isso não causaria nenhum espanto o PV decidir apoia um dos candidatos, ainda que seja improvável isso acontecer, mas acredito que não vou ter o desprazer de ver Marina no palanque com Dilma, praticamente impossível, ou com Serra falando assim: “vocês votando nele/a é o mesmo que está votando em mim”, aliás, essa frase me lembra alguém..., mas deixa isso pra lá. Marina não associaria a sua imagem a nenhum dos que restaram para o 2º turno, afinal de contas, os dois são bem parecidos, como bem dizia ela.
Aos eleitores de Marina a minha solidariedade. Não adiantou pastor, político ou qualquer celebridade ofuscar a sua candidatura. Não foi surpresa, foi o pleno exercício da democracia. Aos seus eleitores a confiança, 2014 ela estará de volta e aí “no meio do caminho tinha uma pedra (...) tinha uma pedra no meio do caminho (...) tinha uma pedra (...) no meio do caminho tinha uma pedra”. E que pedra...
2.10.10
O POPULISMO DO LULISMO
De forma bem geral populismo é um modo de governar em que o presidente se utiliza de diversos recursos para obter apoio popular, de preferência a ala mais pobre. Com linguagem simples, com uma imagem pessoal bem construída, além do carismatismo.
Foi Getúlio quem, no seu segundo mandato (1951), eleito com mais de 48% dos votos, assumiu o populismo de forma aberta quando em sua posse disse: “o povo subirá comigo as escadas do Catete, e comigo ficará no governo”. Assumiu o apelido de “pai dos pobres” quando direcionou políticas públicas de subsistência. Com o discurso “o petróleo é nosso” criou a Petrobrás como uma das maneiras de diminuir a pobreza no país, consolida-se, ainda mais, o getulismo. A história conta que o fim de Getúlio foi trágico. Pressionado pelos militares para renunciar, esperando o apoio popular que não veio por conta da sua repressão, comete suicídio.
O populismo de Getúlio promovia grandes manifestações populares, como a do Dia 1º de Maio (Dia do Trabalho) em que dá aumento exagerado aos trabalhadores no ano de 1954. Ao mesmo tempo, nunca se provou, mas o seu guarda-costas foi acusado de tentativa de homicídio contra o polêmico e oposicionista Carlos Lacerda. O populismo de Getúlio usava a propaganda para divulgar as ações do seu governo; não respeitou a liberdade de expressão e tinha um claro plano de se perpetuar no poder. Olhe para Hugo Chávez hoje, era Getúlio ontem.
Os historiados dizem que a história sempre se repete, começo a acreditar nisso. O PT deixou bem claro que sua intenção era um plano de poder e não de governo quando alguns do partido e o então Ministro da Casa Civil, José Dirceu, armaram o mensalão. A ideologia do PT sempre foi: o Estado a serviço do povo. Quanto mais o Estado ser fortalecido, mais ele ajudará o povo. O presidente Lula com o seu famoso jargão – “meus amigos e minhas amigas, nunca na história desse país” – conquistou as classes desfavorecidas quando ampliou o Bolsa Família; colocou mais jovens no PROUNI; levou energia elétrica com o Luz para Todos; implantou o Fome Zero; conseguiu que a classe média chegasse quase a 36 milhões de brasileiros. De fato o “pai dos pobres”. A popularidade é amplamente reconhecida no país, mas principalmente nas regiões norte e nordeste.
Em contra partida, “nunca na história desse país”, vimos tantos escândalos envolvendo os políticos de Brasília. O mensalão proporcionou uma das melhores novelas do Brasil com os debates em cadeia nacional dos processos na Câmara dos Deputados. De um lado Roberto Jefferson, dizendo para o Zé: “você provoca em mim os sentimentos mais primitivos”. Do outro, o Zé: “não tenho nada haver com essa história”. No fim foi o Delúbio, o Marcos Valério, condenados a nada. A sucessora que o presidente escolheu para substituí-lo, se envolveu em escândalos atrás de escândalos. Primeiro ela diz que a Drª Lina estava mentindo quando disse que ela, Dilma, pediu para fazer vistas grossas no caso do Sarney com a Receita Federal. Recentemente a sua mui amiga e pessoa de alta confiança, Erenice Guerra, se envolveu com tráfico de influência por conta dos filhos que começou atuar no governo depois da sua entrada na Casa Civil.
É sabido que o lulismo é maior que o PT. O maior tesouro do PT hoje é o nordestino que veio para São Paulo, foi metalúrgico, que se transformou sindicalista, que concorreu a todas as eleições para presidente desde a redemocratização do país, ou seja, desde 1989, e está é a única vez em que não estará concorrendo à presidência, é o Lula. Um dos índices mais elevados de aprovação popular.
Como em seu partido não havia ninguém para substituí-lo, ele fabrica a Dilma. Se a Dilma vier a ganhar no 1º turno neste domingo, o populismo do lulismo estará consolidado e a democracia brasileira enfraquecida. O povo estará atestando que a sua visão de país ainda é individualista; estará afirmando que o populismo do Lula conseguiria eleger até mesmo um poste se quisesse. Com todos os seus defeitos e qualidades, o Lula foi bom para o Brasil, acontece que a Dilma não é o Lula.
Foi Getúlio quem, no seu segundo mandato (1951), eleito com mais de 48% dos votos, assumiu o populismo de forma aberta quando em sua posse disse: “o povo subirá comigo as escadas do Catete, e comigo ficará no governo”. Assumiu o apelido de “pai dos pobres” quando direcionou políticas públicas de subsistência. Com o discurso “o petróleo é nosso” criou a Petrobrás como uma das maneiras de diminuir a pobreza no país, consolida-se, ainda mais, o getulismo. A história conta que o fim de Getúlio foi trágico. Pressionado pelos militares para renunciar, esperando o apoio popular que não veio por conta da sua repressão, comete suicídio.
O populismo de Getúlio promovia grandes manifestações populares, como a do Dia 1º de Maio (Dia do Trabalho) em que dá aumento exagerado aos trabalhadores no ano de 1954. Ao mesmo tempo, nunca se provou, mas o seu guarda-costas foi acusado de tentativa de homicídio contra o polêmico e oposicionista Carlos Lacerda. O populismo de Getúlio usava a propaganda para divulgar as ações do seu governo; não respeitou a liberdade de expressão e tinha um claro plano de se perpetuar no poder. Olhe para Hugo Chávez hoje, era Getúlio ontem.
Os historiados dizem que a história sempre se repete, começo a acreditar nisso. O PT deixou bem claro que sua intenção era um plano de poder e não de governo quando alguns do partido e o então Ministro da Casa Civil, José Dirceu, armaram o mensalão. A ideologia do PT sempre foi: o Estado a serviço do povo. Quanto mais o Estado ser fortalecido, mais ele ajudará o povo. O presidente Lula com o seu famoso jargão – “meus amigos e minhas amigas, nunca na história desse país” – conquistou as classes desfavorecidas quando ampliou o Bolsa Família; colocou mais jovens no PROUNI; levou energia elétrica com o Luz para Todos; implantou o Fome Zero; conseguiu que a classe média chegasse quase a 36 milhões de brasileiros. De fato o “pai dos pobres”. A popularidade é amplamente reconhecida no país, mas principalmente nas regiões norte e nordeste.
Em contra partida, “nunca na história desse país”, vimos tantos escândalos envolvendo os políticos de Brasília. O mensalão proporcionou uma das melhores novelas do Brasil com os debates em cadeia nacional dos processos na Câmara dos Deputados. De um lado Roberto Jefferson, dizendo para o Zé: “você provoca em mim os sentimentos mais primitivos”. Do outro, o Zé: “não tenho nada haver com essa história”. No fim foi o Delúbio, o Marcos Valério, condenados a nada. A sucessora que o presidente escolheu para substituí-lo, se envolveu em escândalos atrás de escândalos. Primeiro ela diz que a Drª Lina estava mentindo quando disse que ela, Dilma, pediu para fazer vistas grossas no caso do Sarney com a Receita Federal. Recentemente a sua mui amiga e pessoa de alta confiança, Erenice Guerra, se envolveu com tráfico de influência por conta dos filhos que começou atuar no governo depois da sua entrada na Casa Civil.
É sabido que o lulismo é maior que o PT. O maior tesouro do PT hoje é o nordestino que veio para São Paulo, foi metalúrgico, que se transformou sindicalista, que concorreu a todas as eleições para presidente desde a redemocratização do país, ou seja, desde 1989, e está é a única vez em que não estará concorrendo à presidência, é o Lula. Um dos índices mais elevados de aprovação popular.
Como em seu partido não havia ninguém para substituí-lo, ele fabrica a Dilma. Se a Dilma vier a ganhar no 1º turno neste domingo, o populismo do lulismo estará consolidado e a democracia brasileira enfraquecida. O povo estará atestando que a sua visão de país ainda é individualista; estará afirmando que o populismo do Lula conseguiria eleger até mesmo um poste se quisesse. Com todos os seus defeitos e qualidades, o Lula foi bom para o Brasil, acontece que a Dilma não é o Lula.
12.9.10
DEUS NÃO TEM TÍTULO DE ELEITOR
“É preciso lembrar a igreja que ela não é senhora nem serva do Estado, mas, sim, a consciência dele. A igreja tem o dever de o criticar e o orientar, sem nunca se tornar para ele num instrumento”.
Martin Luther King Jr.
Prêmio Nobel da Paz
Quando chega esta época é a mesma coisa. Os políticos fazem suas alianças, combinam suas barganhas, prometem o impossível e compram alguns votos, infelizmente. No cenário evangélico chega a ser até mesmo bizarro algumas coisas. Os pretensos “eleitos do Senhor” usam o púlpito, transformando-o em palanque e com a conivência do líder/pastor, despeja um punhado de asneiras para convencer o povo de Deus de que ele e não outro é o “escolhido de Deus” para o cargo. Já vi este filme: sacos de cimento são “doados”; tijolos comprados e latas de tinta adquiridas tudo em nome da “providência divina” que ouviu as orações da igreja. Chega a ser hilário.
O uso da religião para fins eleitoreiros não é de hoje. No primeiro mandato do Presidente Lula muito se ouviu que o PT iria fechar igrejas caso o Lula ganhasse. Fez-se um verdadeiro terrorismo em cima disso. Hoje os mesmos que criticaram lá atrás dão o púlpito para a sua pretensa sucessora falar em “nome de Deus”, pertencendo a um partido que tem ideias claras quanto ao aborto, união civil de homossexuais, o chamado Programa Nacional de Direitos Humanos que será alvo de discussões na próxima legislatura. Para participar do poder se vende princípios, se esquece da orientação bíblica. É sabidamente que igrejas ganham eleição. É por isso que no Congresso Nacional há diversos parlamentares defendendo os interesses coorporativos de sua denominação. Para ganhar votos o discurso é o mesmo: “irmão vota em irmão”; “Deus não nos colocou para sermos calda, mas cabeça”. Em alguns lugares há até mesmo “revelação” de Deus confirmando o candidato X. Em algumas igrejas o candidato leva a igreja de “porteira fechada” e aí daquele que não cumprir com os “propósitos de Deus”. Cidadania, direito de votar em quem quiser não existe.
Reina no inconsciente eleitoral tido como evangélico a figura de um messias, alguém que irá salvar a sociedade brasileira. Essa tendência de teocratizar o Estado não é de hoje. Calvino, por exemplo, pretendia estabelecer em Genebra um sistema totalitário onde pudesse controlar a vida dos cidadãos usando como pressuposto a Bíblia. Ele queria na verdade uma aristocracia dos eleitos, para isso queimou pessoas contrarias as suas pretensões. A perseguição religiosa promovida pela monarquia inglesa foi legitimada pela Igreja Anglicana, surgindo daí grupos contrários à união Igreja-Estado, dentre eles os batistas levantando a bandeira da separação entre Igreja e Estado no século XVII. Parece que em época de eleições o povo evangélico respira ares teocráticos. O candidato tem como legitimação a “vontade de Deus” e sendo assim Deus irá fazê-lo ganhar. Não é democracia onde o povo elege seus representantes pelo seu plano de governo e biografia pública, mas é teocracia, Deus movendo os eleitores para eleger o irmão que é “servo do Senhor”.
Deus não tem título de eleitor e muito menos preferência partidária. É preciso entender que a história é conduzida por homens e suas decisões têm consequências. Durante muito tempo se ouvia em nossas igrejas que cristão não se envolvia com política, é por isso que a classe política do país é menos respeitada de todas as instituições. O não envolvimento levou a igreja a uma profunda omissão na vida política do país. Na Bíblia há diversos exemplos de homens que lutaram contra um sistema político que marginalizava e oprimia as pessoas. Os profetas: Jeremias, Amós, um Isaías. Em comum há uma mensagem profética de repúdio as práticas desumanas e parciais dos reis! João Batista no Novo Testamento, não ficou calado diante da corrupção e imoralidade de Herodes, perdeu a cabeça por conta disso. O próprio Jesus que contrario os poderosos sacerdotes quando expulsou os ladrões que abusavam da boa fé do povo no templo de Jerusalém.
A frase que sempre se ouve para justificar os desmandos, a corrupção, a falta de atendimento adequado do Estado para a população foi: “o mundo jaz do maligno mesmo”. O cristão é cidadão e como tal deve zelar pelas leis e o pleno desenvolvimento humano da sociedade; a igreja, como voz profética, não pode ficar quieta e calada com atrocidades envolvendo o dinheiro público. Não foi Deus quem colocou Hitler no poder que por sua vez dizimou milhares de judeus e marcou a história humana com uma desgraça sem precedentes; não foi Deus quem colocou George W. Bush no poder, aliás, foi em nome dele que ele conseguiu o segundo mandato, um Presidente desastroso e responsável por duas guerras no mundo. Gandhi ficou decepcionado com o Cristianismo por ver os protestantes ingleses oprimir o povo indiano; os protestantes holandeses foram os responsáveis pela segregação racial criminosa na África do Sul.
Deus não tem título de eleitor muito menos partido, nós sim! A história humana é conduzida por homens. A corrupção nasce no coração humano; é o homem que se acha no direito de subjugar o próximo. Não cabe a igreja dizer em quem se deve votar ou não, aliás, como batista isto é inadmissível. Um dos nossos princípios é a liberdade de opinião e consciência, portanto, seria infringir este princípio impelindo o povo a votar nesse ou naquele. Agora cabe a igreja ser voz ativa e quando for do interesse da sociedade denunciar ou ajudar o Estado no bem comum do povo, porque isso é avançar com os valores do Reino de Deus.
Ser de uma igreja X ou Y não credencia ninguém a cargo político, muito menos a pedir votos em nome de Deus. Ser cidadão e cristão comprometido com a justiça, com o bem comum do povo, com os valores do Reino de Deus, sim.
Martin Luther King Jr.
Prêmio Nobel da Paz
Quando chega esta época é a mesma coisa. Os políticos fazem suas alianças, combinam suas barganhas, prometem o impossível e compram alguns votos, infelizmente. No cenário evangélico chega a ser até mesmo bizarro algumas coisas. Os pretensos “eleitos do Senhor” usam o púlpito, transformando-o em palanque e com a conivência do líder/pastor, despeja um punhado de asneiras para convencer o povo de Deus de que ele e não outro é o “escolhido de Deus” para o cargo. Já vi este filme: sacos de cimento são “doados”; tijolos comprados e latas de tinta adquiridas tudo em nome da “providência divina” que ouviu as orações da igreja. Chega a ser hilário.
O uso da religião para fins eleitoreiros não é de hoje. No primeiro mandato do Presidente Lula muito se ouviu que o PT iria fechar igrejas caso o Lula ganhasse. Fez-se um verdadeiro terrorismo em cima disso. Hoje os mesmos que criticaram lá atrás dão o púlpito para a sua pretensa sucessora falar em “nome de Deus”, pertencendo a um partido que tem ideias claras quanto ao aborto, união civil de homossexuais, o chamado Programa Nacional de Direitos Humanos que será alvo de discussões na próxima legislatura. Para participar do poder se vende princípios, se esquece da orientação bíblica. É sabidamente que igrejas ganham eleição. É por isso que no Congresso Nacional há diversos parlamentares defendendo os interesses coorporativos de sua denominação. Para ganhar votos o discurso é o mesmo: “irmão vota em irmão”; “Deus não nos colocou para sermos calda, mas cabeça”. Em alguns lugares há até mesmo “revelação” de Deus confirmando o candidato X. Em algumas igrejas o candidato leva a igreja de “porteira fechada” e aí daquele que não cumprir com os “propósitos de Deus”. Cidadania, direito de votar em quem quiser não existe.
Reina no inconsciente eleitoral tido como evangélico a figura de um messias, alguém que irá salvar a sociedade brasileira. Essa tendência de teocratizar o Estado não é de hoje. Calvino, por exemplo, pretendia estabelecer em Genebra um sistema totalitário onde pudesse controlar a vida dos cidadãos usando como pressuposto a Bíblia. Ele queria na verdade uma aristocracia dos eleitos, para isso queimou pessoas contrarias as suas pretensões. A perseguição religiosa promovida pela monarquia inglesa foi legitimada pela Igreja Anglicana, surgindo daí grupos contrários à união Igreja-Estado, dentre eles os batistas levantando a bandeira da separação entre Igreja e Estado no século XVII. Parece que em época de eleições o povo evangélico respira ares teocráticos. O candidato tem como legitimação a “vontade de Deus” e sendo assim Deus irá fazê-lo ganhar. Não é democracia onde o povo elege seus representantes pelo seu plano de governo e biografia pública, mas é teocracia, Deus movendo os eleitores para eleger o irmão que é “servo do Senhor”.
Deus não tem título de eleitor e muito menos preferência partidária. É preciso entender que a história é conduzida por homens e suas decisões têm consequências. Durante muito tempo se ouvia em nossas igrejas que cristão não se envolvia com política, é por isso que a classe política do país é menos respeitada de todas as instituições. O não envolvimento levou a igreja a uma profunda omissão na vida política do país. Na Bíblia há diversos exemplos de homens que lutaram contra um sistema político que marginalizava e oprimia as pessoas. Os profetas: Jeremias, Amós, um Isaías. Em comum há uma mensagem profética de repúdio as práticas desumanas e parciais dos reis! João Batista no Novo Testamento, não ficou calado diante da corrupção e imoralidade de Herodes, perdeu a cabeça por conta disso. O próprio Jesus que contrario os poderosos sacerdotes quando expulsou os ladrões que abusavam da boa fé do povo no templo de Jerusalém.
A frase que sempre se ouve para justificar os desmandos, a corrupção, a falta de atendimento adequado do Estado para a população foi: “o mundo jaz do maligno mesmo”. O cristão é cidadão e como tal deve zelar pelas leis e o pleno desenvolvimento humano da sociedade; a igreja, como voz profética, não pode ficar quieta e calada com atrocidades envolvendo o dinheiro público. Não foi Deus quem colocou Hitler no poder que por sua vez dizimou milhares de judeus e marcou a história humana com uma desgraça sem precedentes; não foi Deus quem colocou George W. Bush no poder, aliás, foi em nome dele que ele conseguiu o segundo mandato, um Presidente desastroso e responsável por duas guerras no mundo. Gandhi ficou decepcionado com o Cristianismo por ver os protestantes ingleses oprimir o povo indiano; os protestantes holandeses foram os responsáveis pela segregação racial criminosa na África do Sul.
Deus não tem título de eleitor muito menos partido, nós sim! A história humana é conduzida por homens. A corrupção nasce no coração humano; é o homem que se acha no direito de subjugar o próximo. Não cabe a igreja dizer em quem se deve votar ou não, aliás, como batista isto é inadmissível. Um dos nossos princípios é a liberdade de opinião e consciência, portanto, seria infringir este princípio impelindo o povo a votar nesse ou naquele. Agora cabe a igreja ser voz ativa e quando for do interesse da sociedade denunciar ou ajudar o Estado no bem comum do povo, porque isso é avançar com os valores do Reino de Deus.
Ser de uma igreja X ou Y não credencia ninguém a cargo político, muito menos a pedir votos em nome de Deus. Ser cidadão e cristão comprometido com a justiça, com o bem comum do povo, com os valores do Reino de Deus, sim.
5.9.10
MAIS DO MESMO? NÃO!
Estamos em um momento ímpar no país. Embora o povo não se envolva com a política do país como se envolve com a Copa do Mundo, o fato é que no dia três de outubro vamos todos a urna eleger um presidente para conduzir o país nos próximos anos. Considerando que o horário obrigatório eleitoral é uma verdadeira maquiagem dos candidatos, além é claro de nos fazer rir e muito, o fato é que temos uma ideologia dominante no país: o metalúrgico que nunca trabalhou e nem mesmo estudou, consegue a proeza de ter 80% da aprovação popular. A sua pupila quer continuar o seu suposto legado.
Uma das características da democracia é a alternância no poder. Um projeto que vise à perpetuação no poder nunca será bom para o desenvolvimento da democracia e o fortalecimento das instituições do país.
Se o povo aceitar Dilma estará aceitando continuar mais do mesmo. Os mesmos nomes que apoiaram Lula como José Sarney e seus crimes encobertos pelo PT, blindando o presidente do Senado; ainda teremos mais do mesmo um Fernando Collor; Renan Calheiros e seus escândalos, coronel em Alagoas; José Dirceu estará de volta; Palocci nem se fala. O grande problema é que a sociedade brasileira tem amnésia, sofre de memória desgastada. Não se lembra que o mensalão envolveu todos esses e apenas o presidente assegurou que não sabia: o que é pior saber ou não saber que seus companheiros estão arquitetando um plano para se perpetuar no poder?
Essas eleições parecem que há somente duas opções: mais do mesmo, Dilma; mais do antigo, Serra. Formou-se no imaginário político no país a ideia de que há somente dois partidos, PSDB e PT. Aqui não é os Estados Unidos! Há outras opções e não passa por quem está no poder e quer continuar, a qualquer custo, e aqueles que querem retornar, a qualquer custo também.
As pesquisas de intenção de voto apontam a candidata petista na frente, ganhando ainda no primeiro turno, o que seria uma catástrofe para a democracia brasileira. É sinal de que o Lula conseguiria eleger até mesmo um poste, se quisesse. As pesquisas exercem uma sensação psicológica incrível sobre as pessoas e instaura a velha ideia: “xiiii, já ganhou”. Enquanto isso predomina, as pessoas não conseguem enxergar que há outra opção, de que não temos apenas dois candidatos com chance de ganharem, mas sim três!
Eu não quero mais do mesmo. Quero saber o que este governo fez durante esses oito anos; quero saber se houve desvios de verbas no famoso PAC, embora não tenha dúvidas disso; quero pelo menos tentar com outro presidente, para ver se a tributação diminui e se o governo pode controlar gastos e aplicar melhor os recursos que tem, que não são poucos.
Uma das características da democracia é a alternância no poder. Um projeto que vise à perpetuação no poder nunca será bom para o desenvolvimento da democracia e o fortalecimento das instituições do país.
Se o povo aceitar Dilma estará aceitando continuar mais do mesmo. Os mesmos nomes que apoiaram Lula como José Sarney e seus crimes encobertos pelo PT, blindando o presidente do Senado; ainda teremos mais do mesmo um Fernando Collor; Renan Calheiros e seus escândalos, coronel em Alagoas; José Dirceu estará de volta; Palocci nem se fala. O grande problema é que a sociedade brasileira tem amnésia, sofre de memória desgastada. Não se lembra que o mensalão envolveu todos esses e apenas o presidente assegurou que não sabia: o que é pior saber ou não saber que seus companheiros estão arquitetando um plano para se perpetuar no poder?
Essas eleições parecem que há somente duas opções: mais do mesmo, Dilma; mais do antigo, Serra. Formou-se no imaginário político no país a ideia de que há somente dois partidos, PSDB e PT. Aqui não é os Estados Unidos! Há outras opções e não passa por quem está no poder e quer continuar, a qualquer custo, e aqueles que querem retornar, a qualquer custo também.
As pesquisas de intenção de voto apontam a candidata petista na frente, ganhando ainda no primeiro turno, o que seria uma catástrofe para a democracia brasileira. É sinal de que o Lula conseguiria eleger até mesmo um poste, se quisesse. As pesquisas exercem uma sensação psicológica incrível sobre as pessoas e instaura a velha ideia: “xiiii, já ganhou”. Enquanto isso predomina, as pessoas não conseguem enxergar que há outra opção, de que não temos apenas dois candidatos com chance de ganharem, mas sim três!
Eu não quero mais do mesmo. Quero saber o que este governo fez durante esses oito anos; quero saber se houve desvios de verbas no famoso PAC, embora não tenha dúvidas disso; quero pelo menos tentar com outro presidente, para ver se a tributação diminui e se o governo pode controlar gastos e aplicar melhor os recursos que tem, que não são poucos.
UMA "NOVA" ESPIRITUALIDADE
Leituras em Marià Corbí Quiñonero e Dietrich Bonhoeffer
É claro que aqui não é a Europa. Por lá o Cristianismo passou por um processo de secularização decorrente das duas guerras mundiais. O surgimento da Filosofia da Vida e a preocupação de teólogos como Paul Tillich dentre outros, buscaram fazer uma ponte entre aquela realidade e o Cristianismo. A contribuição de Tillich no debate Cristianismo e Cultura foram essenciais.
Os dois pensadores do subtítulo em questão fizeram o mesmo caminho: compreender a realidade e buscar pontes, meios para um diálogo entre Religião e Sociedade, mais especificamente com a pós-modernidade. Bonhoeffer foi encarcerado no regime totalitário de Adolf Hitler a partir de cinco de abril de 1943. O seu templo foi a prisão, seu gabinete pastoral foi uma cela, suas ovelhas foram os presos, sua espiritualidade era para os não-religiosos. Bonhoeffer faz questão de frisar que Jesus nunca, e nem se quer deixou, a impressão de mostrar às pessoas que elas eram realmente piores quando na verdade eram de fato; com os ladrões na cruz ele não fez nenhuma tentativa de convencimento, até que um deles dirigiu a palavra a ele. Essa tentativa de ser mais religioso que Deus é pedantismo espiritual. É por isso que o luterano preferia a companhia de “não-crentes” à de piedosos que só falavam a respeito de Deus.
Outro pensador é Marià Corbí Quiñonero. Para Corbí a espiritualidade hoje precisa passar por novos modelos. Partindo sobre os pressupostos de que o mundo passa/ou por transformações e mudanças culturais, Marià Corbí entende que vivemos um grande trânsito cultural, não há mais condições para um etnocentrismo ou o fundamentalismo coexistir com esta dinâmica, ainda que haja em países e culturas esta mentalidade, mas, segundo ele, será inevitável a superação dessas formas de vê o mundo pela globalização e a secularização. Entendendo que as religiões foram desenvolvidas em uma época pré-industrial, e, que, portanto, as crenças e a maneira de ver o mundo passa pelo mito, pelos símbolos, pelas narrações sagradas, Corbí acredita que esta maneira de ver o mundo foi superada ocorrendo a primeira secularização. Esta se deu quando o cristianismo travou sangrentas guerras em nome de Deus, de forma inevitável, a secularização abarcou o Estado e a vida pública das pessoas, deixando a opção religiosa sob a escolha de cada um. Este processo teve como impulsionador o Iluminismo. Com isso Corbí entende que as religiões entraram numa crise de sentido por não saber dialogar ou se inserir neste processo, surgindo então dois caminhos: postura conciliatória de diálogo e compreensão dos novos tempos ou fundamentalismo, se fechando para o mundo e suas transformações. Mas isso não é tudo nesta crise religiosa, o espanhol entende que a segunda secularização é pior que a primeira. Na primeira é dado ao indivíduo escolher, ainda uma religião institucional, a segunda secularização passa pela espiritualidade, ou seja, é quando o indivíduo entende que não precisa da mediação institucional ou ortodoxa para vivenciar a sua espiritualidade. Desse modo a religião e a espiritualidade não são mais inseparáveis, são dicotômicas de fato.
Recentemente a Revista Época publicou uma reportagem intitulada “A nova reforma protestante”. Além de ouvir alguns pastores/teólogos sobre o tema, a revista trouxe uma reportagem sobre o senhor Rani Rosique. Um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. Este homem reúne-se periodicamente com vizinhos, conhecidos e amigos, umas quinze pessoas ao todo, para falar sobre a Bíblia, orar e cantar na área de uma casa. Depois a confraternização: chá com bolachas. Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Para a Revista Época, Rani pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estou em uma cidade pequena em que a religiosidade ainda é uma marca. Mas já vivenciamos discursos claros que envolvem a separação entre espiritualidade e o pertencimento a uma igreja. Penso que é um momento de reformular mesmo os modelos e a forma que entendemos um grupo de pessoas que se reúne periodicamente entre quatro paredes. Se não surgir um Cristianismo que propõe o seguimento de Jesus, a comunhão de fato, a maneira de vivenciar a fé e sua incrível necessidade de diálogo, irá surgir cada vez mais grupos como o do senhor Rani Rosique, o que é salutar também.
É claro que aqui não é a Europa. Por lá o Cristianismo passou por um processo de secularização decorrente das duas guerras mundiais. O surgimento da Filosofia da Vida e a preocupação de teólogos como Paul Tillich dentre outros, buscaram fazer uma ponte entre aquela realidade e o Cristianismo. A contribuição de Tillich no debate Cristianismo e Cultura foram essenciais.
Os dois pensadores do subtítulo em questão fizeram o mesmo caminho: compreender a realidade e buscar pontes, meios para um diálogo entre Religião e Sociedade, mais especificamente com a pós-modernidade. Bonhoeffer foi encarcerado no regime totalitário de Adolf Hitler a partir de cinco de abril de 1943. O seu templo foi a prisão, seu gabinete pastoral foi uma cela, suas ovelhas foram os presos, sua espiritualidade era para os não-religiosos. Bonhoeffer faz questão de frisar que Jesus nunca, e nem se quer deixou, a impressão de mostrar às pessoas que elas eram realmente piores quando na verdade eram de fato; com os ladrões na cruz ele não fez nenhuma tentativa de convencimento, até que um deles dirigiu a palavra a ele. Essa tentativa de ser mais religioso que Deus é pedantismo espiritual. É por isso que o luterano preferia a companhia de “não-crentes” à de piedosos que só falavam a respeito de Deus.
Outro pensador é Marià Corbí Quiñonero. Para Corbí a espiritualidade hoje precisa passar por novos modelos. Partindo sobre os pressupostos de que o mundo passa/ou por transformações e mudanças culturais, Marià Corbí entende que vivemos um grande trânsito cultural, não há mais condições para um etnocentrismo ou o fundamentalismo coexistir com esta dinâmica, ainda que haja em países e culturas esta mentalidade, mas, segundo ele, será inevitável a superação dessas formas de vê o mundo pela globalização e a secularização. Entendendo que as religiões foram desenvolvidas em uma época pré-industrial, e, que, portanto, as crenças e a maneira de ver o mundo passa pelo mito, pelos símbolos, pelas narrações sagradas, Corbí acredita que esta maneira de ver o mundo foi superada ocorrendo a primeira secularização. Esta se deu quando o cristianismo travou sangrentas guerras em nome de Deus, de forma inevitável, a secularização abarcou o Estado e a vida pública das pessoas, deixando a opção religiosa sob a escolha de cada um. Este processo teve como impulsionador o Iluminismo. Com isso Corbí entende que as religiões entraram numa crise de sentido por não saber dialogar ou se inserir neste processo, surgindo então dois caminhos: postura conciliatória de diálogo e compreensão dos novos tempos ou fundamentalismo, se fechando para o mundo e suas transformações. Mas isso não é tudo nesta crise religiosa, o espanhol entende que a segunda secularização é pior que a primeira. Na primeira é dado ao indivíduo escolher, ainda uma religião institucional, a segunda secularização passa pela espiritualidade, ou seja, é quando o indivíduo entende que não precisa da mediação institucional ou ortodoxa para vivenciar a sua espiritualidade. Desse modo a religião e a espiritualidade não são mais inseparáveis, são dicotômicas de fato.
Recentemente a Revista Época publicou uma reportagem intitulada “A nova reforma protestante”. Além de ouvir alguns pastores/teólogos sobre o tema, a revista trouxe uma reportagem sobre o senhor Rani Rosique. Um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. Este homem reúne-se periodicamente com vizinhos, conhecidos e amigos, umas quinze pessoas ao todo, para falar sobre a Bíblia, orar e cantar na área de uma casa. Depois a confraternização: chá com bolachas. Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Para a Revista Época, Rani pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estou em uma cidade pequena em que a religiosidade ainda é uma marca. Mas já vivenciamos discursos claros que envolvem a separação entre espiritualidade e o pertencimento a uma igreja. Penso que é um momento de reformular mesmo os modelos e a forma que entendemos um grupo de pessoas que se reúne periodicamente entre quatro paredes. Se não surgir um Cristianismo que propõe o seguimento de Jesus, a comunhão de fato, a maneira de vivenciar a fé e sua incrível necessidade de diálogo, irá surgir cada vez mais grupos como o do senhor Rani Rosique, o que é salutar também.
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