Em abril comemoramos a Páscoa. A maior festa cristã. Só entristeço-me em ver que o Natal continua sendo a data mais propagada e falada. É uma pena, porque o cristianismo não vive do nascimento de Jesus, mas sim de sua ressurreição. A base da nossa fé, o sentido da nossa esperança está na ressurreição. Embora o Novo Testamento apresente diversos relatos sobre a ressurreição de Jesus – os Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) interpretam a ressurreição de uma maneira diferente que o apóstolo Paulo, este desconhece túmulo vazio e aparições relatadas pelos evangelhos, para ele a manifestação do Ressuscitado foi espiritual e revelacional para algumas testemunhas (1Co 15) – o fato é que a ressurreição de Jesus deu fôlego aos discípulos e dá fôlego à Igreja hoje.
Em que a ressurreição de Jesus tem contribuído para a visão da Igreja? Nós a reduzimos a conquista da salvação, algo que já estava determinado por Deus. A morte-ressurreição é a coroação dos planos de Deus para Jesus, seu Filho. A teologia calvinista vai mais além, a morte-ressurreição foi limitada apenas para os eleitos e predestinados. Daí a teologia do sacrifício expiatório. Jesus morreu para recompensar a justiça divina. O Filho nada mais é do que uma oblação ao Pai.
A teologia bíblica nos mostrou outro quadro de Jesus. Não aquele pintado pelos concílios recheados de filosofia grega. Mas um Jesus que foi vítima de sua própria mensagem: o Reino de Deus. É difícil, como atesta Rudolf Bultmann, tentar adivinhar a consciência messiânica de Jesus, se ele se via ou não como enviado predestinado de Deus, como o Messias esperado etc. O fato é que Jesus iniciou seu ministério anunciando o Reino de Deus, e não a si mesmo. Foi vítima de um sistema religioso que combinava poder, dinheiro e Sagrado. Por não concordar com a maneira que o povo era tratado pelo poder religioso instituído, ele ousou bater de frente e sua condenação teve seus dias contados com o incidente do templo revirando mesas e expulsando cambistas. Vítima de seu discurso, ele foi torturado, maltratado e crucificado. Mas ressuscitou.
A ressurreição de Jesus é uma ponte de esperança. Assim como ele enfrentou os opositores do Reino, hoje enfrentamos também. O poder econômico que marginaliza todos os dias centenas de pessoas, principalmente em tempos de crise, quando os grandes executivos de multinacionais têm seus fundos preservados, os trabalhadores pagam com o desemprego as bobagens que são feitas no universo capitalista; a política feita no país de forma desavergonhada, com super favorecimento de obras, castelos medievais no interior de Minas Gerais; a violência que ceifa todos os dias vidas de adolescentes e jovens; a impotência do cidadão para mudar a maneira abusiva em que são cobrados os impostos, constatando ainda a ineficiência do Estado para sanar as necessidades básicas da população como transporte, educação, saúde, estradas, infra-estruturas, segurança. Diante disso, a ressurreição de Jesus é uma saída, uma luz no fim do túnel.
A Bíblia é bem clara quanto à predileção de Deus para com os fracos, pobres e marginalizados da sociedade. Jesus foi vítima de sua mensagem, o Reino de Deus, mas Deus ressuscitou um crucificado. Com isso Deus não somente expressa seu poder sobre a morte, mas também sobre a injustiça, a marginalidade. A ressurreição é o aval divino para a mensagem de Jesus. Nos mostra ainda, que a esperança não morreu com o crucificado, ela ressuscitou com o ressuscitado, por isso há esperança para os crucificados de hoje.
Esta aí a tarefa da Igreja. Como lugar-presença do Ressuscitado, a Igreja é a manifestação real dessa cristologia. A ela é dada a tarefa de denunciar os valores do anti-reino, do discurso egoísta, do charlatanismo religioso vigente, da desumanização. Cabe a Igreja a tarefa de presenciar a misericórdia de Deus e o amor de Jesus para com o que sofre; proporcionar meios de convivência e comunhão na comunidade de fé e, principalmente, atualizar a mensagem do Reino de Deus e, assim como Jesus Cristo, descer da cruz os crucificados de hoje.
"Escrever é construir, através do texto, um modelo específico de leitor" (Humberto Eco)
3.4.09
PARABÉNS! O EMPREENDEDORISMO NEOPENTECOSTAL COMEMORA
O neopentecostalismo esta comemorando. Romildo Ribeiro Soares, o R. R., esta conclamando o seu “povo” para comemorar os 40 anos de seu batismo no Espírito Santo. Isso não pode passar despercebido, portanto haverá duas grandes comemorações nas duas maiores cidades do país: São Paulo e Rio de Janeiro. Outro que esta comemorando também é o recém midiático “apóstolo” Valdemiro Santiago com seus 11 anos (Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada em 1998 como cisma da Igreja Universal do Reino de Deus) de discurso exclusivista de que “a mão de Deus está aqui” somente na Mundial do Poder de Deus.
Estes dois acontecimentos não poderiam passar despercebidos, devem ser comemorados. R. R. Soares comemora seus 40 anos de portador do poder do Espírito Santo em sua vida. Isso ocorre porque no neopentecostalismo o Espírito Santo é prerrogativa para “curar enfermos e expulsar demônios”. A ênfase no Espírito Santo é evidente nos movimentos neopentecostais. A Universal não tem a cruz como símbolo, mas uma pompa. R. R. Soares comemora porque sabe que a legitimidade mágica e centralizadora passa pela reivindicação do poder de Deus por meio do Espírito Santo. Como regra, o Espírito Santo é identificado com a voz do dono da igreja, no caso R. R. Soares. A hermenêutica passa pelo seu crivo, a bênção também, a palavra de ordem nem se fala. Afinal de contas é o “homem de Deus” quem esta mandando. O culto a personalidade não é mera inocência, é propositadamente consciente.
Pois aqui vão os parabéns à R. R. Soares por estar criando verdadeiros paranóicos religiosos que pagam até mesmo o que não tem para ter em casa uma tal “Nossa TV”; parabéns por transformar o evangelho em marketing, Jesus com certeza derrubaria os pôsteres espalhados pelos templos com a imagem do “missionário”.
Outro que merece os parabéns é Valdemiro Santiago. Conseguiu reativar a primeira estratégia da IURD com suas “agências de cura divina”. Com seu discurso arcaico e prepotente, o tido como “apóstolo” reivindica o poder de Deus para a sua igreja, e para isso usa e abusa da mídia. Há 11 anos quer ter seu lugar ao sol, afinal de contas um empreendimento neopentescostal é lucrativo. Ele exibe com muito orgulho os quase 1 milhão de dizimistas que a igreja tem em apenas 11 anos.
Estamos passando por momentos delicados como igreja evangélica. Durante muito tempo as igrejas históricas pouco se posicionaram contra essas aberrações doutrinárias e litúrgicas. Por isso estamos sentido os efeitos danosos disso. Estamos vendo um evangelho imagético e descompromissado com a cruz de Cristo; movimentos tidos como igrejas que não se parecem nenhum pouco com igreja neotestamentária, onde há uma comunidade em que todos se conhecem e o foco principal é adoração ao Senhor, o que vemos são interesses utilitários. É de ficar empolgado com a pretensão dos neopentecostais em querer provocar um avivamento genuíno no Brasil; como eles querem através da mídia apontar os desmandos e abusos dos políticos do país; é impressionante o engajamento social para com os mais pobres; os “homens de Deus” não são vistos promovendo a “cura divina” nos hospitais, não entendo como elas só ocorrem nas grandes concentrações de pessoas e ao vivo para todo o país.
Parabéns, o empreendimento esta dando certo. É uma pena encontrar pelo caminho pessoas com uma mentalidade impregnada pela cultura pós-moderna e o decadente sistema capitalista como base de suas vidas. As desculpas vão para Jesus e sua ênfase no Reino de Deus com valores totalmente contrários a tudo isso. Não é por acaso que ele derrubou e expulsou os cambistas e comerciantes do templo de Jerusalém.
Estes dois acontecimentos não poderiam passar despercebidos, devem ser comemorados. R. R. Soares comemora seus 40 anos de portador do poder do Espírito Santo em sua vida. Isso ocorre porque no neopentecostalismo o Espírito Santo é prerrogativa para “curar enfermos e expulsar demônios”. A ênfase no Espírito Santo é evidente nos movimentos neopentecostais. A Universal não tem a cruz como símbolo, mas uma pompa. R. R. Soares comemora porque sabe que a legitimidade mágica e centralizadora passa pela reivindicação do poder de Deus por meio do Espírito Santo. Como regra, o Espírito Santo é identificado com a voz do dono da igreja, no caso R. R. Soares. A hermenêutica passa pelo seu crivo, a bênção também, a palavra de ordem nem se fala. Afinal de contas é o “homem de Deus” quem esta mandando. O culto a personalidade não é mera inocência, é propositadamente consciente.
Pois aqui vão os parabéns à R. R. Soares por estar criando verdadeiros paranóicos religiosos que pagam até mesmo o que não tem para ter em casa uma tal “Nossa TV”; parabéns por transformar o evangelho em marketing, Jesus com certeza derrubaria os pôsteres espalhados pelos templos com a imagem do “missionário”.
Outro que merece os parabéns é Valdemiro Santiago. Conseguiu reativar a primeira estratégia da IURD com suas “agências de cura divina”. Com seu discurso arcaico e prepotente, o tido como “apóstolo” reivindica o poder de Deus para a sua igreja, e para isso usa e abusa da mídia. Há 11 anos quer ter seu lugar ao sol, afinal de contas um empreendimento neopentescostal é lucrativo. Ele exibe com muito orgulho os quase 1 milhão de dizimistas que a igreja tem em apenas 11 anos.
Estamos passando por momentos delicados como igreja evangélica. Durante muito tempo as igrejas históricas pouco se posicionaram contra essas aberrações doutrinárias e litúrgicas. Por isso estamos sentido os efeitos danosos disso. Estamos vendo um evangelho imagético e descompromissado com a cruz de Cristo; movimentos tidos como igrejas que não se parecem nenhum pouco com igreja neotestamentária, onde há uma comunidade em que todos se conhecem e o foco principal é adoração ao Senhor, o que vemos são interesses utilitários. É de ficar empolgado com a pretensão dos neopentecostais em querer provocar um avivamento genuíno no Brasil; como eles querem através da mídia apontar os desmandos e abusos dos políticos do país; é impressionante o engajamento social para com os mais pobres; os “homens de Deus” não são vistos promovendo a “cura divina” nos hospitais, não entendo como elas só ocorrem nas grandes concentrações de pessoas e ao vivo para todo o país.
Parabéns, o empreendimento esta dando certo. É uma pena encontrar pelo caminho pessoas com uma mentalidade impregnada pela cultura pós-moderna e o decadente sistema capitalista como base de suas vidas. As desculpas vão para Jesus e sua ênfase no Reino de Deus com valores totalmente contrários a tudo isso. Não é por acaso que ele derrubou e expulsou os cambistas e comerciantes do templo de Jerusalém.
18.3.09
UNIVERSAL, INTERNACIONAL OU MUNDIAL: O NEOPENTECOSTALISMO IMAGÉTICO
O cenário religioso no Brasil sempre foi dinâmico. Aqui se pega de tudo. O trânsito religioso é intenso. A regra básica é a conveniência e a necessidade. Uma expressão cunhada por Eduardo Peagle (www3.est.edu.br/nepp) cabe muito bem neste quadro: é a “McDonalização” da fé. Esta geração fast food que espera tudo pronto a qualquer momento chegou também no imaginário religioso. Hoje há uma porção de possibilidades para se atender as mais diversas necessidades das pessoas.
A era da espetacularização chegou para ficar. Estamos presenciando uma briga nos meios de comunicação de gente que quer ser grande a qualquer custo. A igreja imagética e seus pastores, bispos e apóstolos televisivos, estão lutando para conquistar espaço na mídia e pessoas. Este processo começou com a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo em 1977 naquilo que os pesquisadores do fenômeno chamam de pentecostalismo de terceira onda. Seu cunhado, R. R. Soares, desgostoso com Edir rompe com este e cria a Igreja Internacional da Graça de Deus em 1980. Agora esta havendo um novo surto, é a Igreja Mundial do Poder de Deus com seu fundador o então “apóstolo” Valdomiro Santiago. Este, com problemas de relacionamento, acaba rompendo com a IURD e criando mais uma igreja que quer conquistar o mundo. Não é por acaso que estas igrejas têm em seus nomes adjetivos como universal, internacional e mundial.
Com uma forte presença, até mesmo com sinais claros de monopólio, a IURD tem na mídia a sua mensagem de prosperidade e saúde. Não é de hoje que os neopentecostais não se importam com a questão teológica e seu estudo, porque afinal de contas isso não interessa ao povo. O que o povo precisa é outra coisa. É a satisfação imediata de seus desejos. O apelo da Universal continua com a classe média. Os acessórios para a fé – sal, rosa, água do rio Jordão etc. – ainda chama atenção.
A Confissão Positiva é mais forte na Igreja Internacional da Graça de Deus. O apelo ao demônio como explicação plausível para as mazelas da vida continua sendo válido. O uso da TV é uma arma poderosa para conquistar novos patrocinadores. Embora tenha uma visão mais inclinada para as questões teológicas, a Internacional tem em seu estoque litúrgico a manipulação do Sagrado como maneira de arrebanhar mais adeptos. A figura de R. R. Soares é centralizadora na igreja.
Quem leu e aprendeu na cartilha da Universal não foi somente a Internacional, mas também a Mundial. Valdomiro Santiago ganhou espaço na mídia com suas concentrações de milagres que tem como lema “a mão de Deus está aqui”. Com isso parece que tem arrumado briga com a Universal que chega a sentir nostalgia dos tempos em que estava começando, agora a institucionalização já chegou à IURD também. Os elementos mágicos são os mesmos, só muda a clientela, que é de baixa renda e extremamente necessitada. Isso é um prato cheio para as sessões de “curas e milagres” como sinais claros de que a Mundial é a igreja de Deus no momento. Somando a isso, há um verdadeiro culto à personalidade de Valdomiro. Assim como na Universal e Internacional, na Mundial há os que imitam claramente seu mentor e fundador na fala, postura e gestos.
As pessoas estão tendo uma imagem equivocada do evangelho devido a essas igrejas eletrônicas. Há um novo corpo doutrinário hoje: Deus abençoa quem se sacrifica, Deus honra quem persevera. Há uma nova relação com a Divindade, uma relação baseada nas necessidades atendidas – quase sempre financeira e física. Uma nova mentalidade foi inaugurada, a de que as bênçãos de Deus devem ser conquistadas e elas não veem pela sua graça.
O lema de João Batista era simples: “importa que ele cresça e que eu diminua”. O lema dos neopentecostais é: “importa que o outro diminua e eu cresça”. Entre Universal, Internacional e Mundial prefiro ficar com a igreja Local. Um lugar onde posso participar das debilidades e alegrais do meu irmão; um lugar onde a Bíblia se torne instrumento de consolo, ensino e comunhão; um lugar onde o Sagrado é solenizado e a sua manifestação é percebida com a reunião do corpo de Cristo e no partir do pão.
A era da espetacularização chegou para ficar. Estamos presenciando uma briga nos meios de comunicação de gente que quer ser grande a qualquer custo. A igreja imagética e seus pastores, bispos e apóstolos televisivos, estão lutando para conquistar espaço na mídia e pessoas. Este processo começou com a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo em 1977 naquilo que os pesquisadores do fenômeno chamam de pentecostalismo de terceira onda. Seu cunhado, R. R. Soares, desgostoso com Edir rompe com este e cria a Igreja Internacional da Graça de Deus em 1980. Agora esta havendo um novo surto, é a Igreja Mundial do Poder de Deus com seu fundador o então “apóstolo” Valdomiro Santiago. Este, com problemas de relacionamento, acaba rompendo com a IURD e criando mais uma igreja que quer conquistar o mundo. Não é por acaso que estas igrejas têm em seus nomes adjetivos como universal, internacional e mundial.
Com uma forte presença, até mesmo com sinais claros de monopólio, a IURD tem na mídia a sua mensagem de prosperidade e saúde. Não é de hoje que os neopentecostais não se importam com a questão teológica e seu estudo, porque afinal de contas isso não interessa ao povo. O que o povo precisa é outra coisa. É a satisfação imediata de seus desejos. O apelo da Universal continua com a classe média. Os acessórios para a fé – sal, rosa, água do rio Jordão etc. – ainda chama atenção.
A Confissão Positiva é mais forte na Igreja Internacional da Graça de Deus. O apelo ao demônio como explicação plausível para as mazelas da vida continua sendo válido. O uso da TV é uma arma poderosa para conquistar novos patrocinadores. Embora tenha uma visão mais inclinada para as questões teológicas, a Internacional tem em seu estoque litúrgico a manipulação do Sagrado como maneira de arrebanhar mais adeptos. A figura de R. R. Soares é centralizadora na igreja.
Quem leu e aprendeu na cartilha da Universal não foi somente a Internacional, mas também a Mundial. Valdomiro Santiago ganhou espaço na mídia com suas concentrações de milagres que tem como lema “a mão de Deus está aqui”. Com isso parece que tem arrumado briga com a Universal que chega a sentir nostalgia dos tempos em que estava começando, agora a institucionalização já chegou à IURD também. Os elementos mágicos são os mesmos, só muda a clientela, que é de baixa renda e extremamente necessitada. Isso é um prato cheio para as sessões de “curas e milagres” como sinais claros de que a Mundial é a igreja de Deus no momento. Somando a isso, há um verdadeiro culto à personalidade de Valdomiro. Assim como na Universal e Internacional, na Mundial há os que imitam claramente seu mentor e fundador na fala, postura e gestos.
As pessoas estão tendo uma imagem equivocada do evangelho devido a essas igrejas eletrônicas. Há um novo corpo doutrinário hoje: Deus abençoa quem se sacrifica, Deus honra quem persevera. Há uma nova relação com a Divindade, uma relação baseada nas necessidades atendidas – quase sempre financeira e física. Uma nova mentalidade foi inaugurada, a de que as bênçãos de Deus devem ser conquistadas e elas não veem pela sua graça.
O lema de João Batista era simples: “importa que ele cresça e que eu diminua”. O lema dos neopentecostais é: “importa que o outro diminua e eu cresça”. Entre Universal, Internacional e Mundial prefiro ficar com a igreja Local. Um lugar onde posso participar das debilidades e alegrais do meu irmão; um lugar onde a Bíblia se torne instrumento de consolo, ensino e comunhão; um lugar onde o Sagrado é solenizado e a sua manifestação é percebida com a reunião do corpo de Cristo e no partir do pão.
10.3.09
UM DEUS DE EMOÇÕES
Preguei na comunidade esses dias sobre Oséias, um dos profetas menores. Tentei chamar atenção da congregação para a empatia de Deus no texto. Aquela figura simbólica de Oséias e Gômer, os dois filhos – Desfavorecida e Não Meu Povo – como mensagem de Deus para Israel. Com uma linguagem marital, o enredo quer mostrar uma história de amor e infidelidade: Oséias e Gômer, Deus e Israel. A forma como Deus ama seu povo, o modo como ele quer tratar seu povo, é surpreendente no texto.
O ápice disso esta no capítulo 11 versos 7 e 8: “meu coração está comovido dentro em mim, as minhas compaixões à uma se acendem”. A atribuição de emoções humanas a Deus é conhecido como antropopatismo. O texto de Oséias esta cheio disso, coisa linda de se ler.
A nossa teologia foi muito influenciada pela cosmovisão grega. Os gregos não aceitavam as emoções, as quais eles chamavam de pathos, como algo bom. Quando alguém era afetado por emoções e tinha seu interior modificado, logo se acreditava que essa pessoa era fraca. Portanto para os gregos, Deus não poderia ter sentimentos e muito menos pathos, pois eles acreditavam que a Divindade não poderia sofrer influência exterior. Já que ele é o causador de tudo, como poderia alguma coisa causar qualquer emoção em Deus. Aristóteles já havia formulado: “ele é o Motor Imóvel”; os estóicos não admitiam qualquer alteração na Divindade, mas apenas na criação.
Por este fato, que a tradição cristã se apegou demasiadamente no conceito de poder de Deus, formulando ideias como onipotência, onisciência, onipresença. A Bíblia está cheia de emoções atribuídas a Deus, os profetas falam disso com uma naturalidade incrível.
O filósofo e místico judeu Abraham Joshua Heschel (1907-1972) foi um dos líderes do movimento denominado hassidismo (tradução simples: piedoso). Uma visão mística de Deus a partir de dentro e não de fora da realidade. Neste processo de contemplação, Heschel formula três caminhos: o caminho do sentimento da presença de Deus no mundo; o caminho do sentimento de sua presença na Bíblia; o caminho de sua presença nos atos sagrados. Com a clara intenção de renovar a condição humana, no que ele chama de humanização, com o intuito de despertar a profundidade dessa condição humana no homem. Neste sentido, Heschel formula não uma teologia de Deus, mas uma antropologia de Deus: “a Bíblia é mais uma antropologia de Deus do que uma teologia do homem. Os profetas não falaram tanto do interesse do homem por Deus, como no interesse de Deus pelo homem”. E neste interesse de Deus pelo homem que a linguagem é puramente emocional, pois afinal de contas somos mais pathos que logos.
O ápice disso esta no capítulo 11 versos 7 e 8: “meu coração está comovido dentro em mim, as minhas compaixões à uma se acendem”. A atribuição de emoções humanas a Deus é conhecido como antropopatismo. O texto de Oséias esta cheio disso, coisa linda de se ler.
A nossa teologia foi muito influenciada pela cosmovisão grega. Os gregos não aceitavam as emoções, as quais eles chamavam de pathos, como algo bom. Quando alguém era afetado por emoções e tinha seu interior modificado, logo se acreditava que essa pessoa era fraca. Portanto para os gregos, Deus não poderia ter sentimentos e muito menos pathos, pois eles acreditavam que a Divindade não poderia sofrer influência exterior. Já que ele é o causador de tudo, como poderia alguma coisa causar qualquer emoção em Deus. Aristóteles já havia formulado: “ele é o Motor Imóvel”; os estóicos não admitiam qualquer alteração na Divindade, mas apenas na criação.
Por este fato, que a tradição cristã se apegou demasiadamente no conceito de poder de Deus, formulando ideias como onipotência, onisciência, onipresença. A Bíblia está cheia de emoções atribuídas a Deus, os profetas falam disso com uma naturalidade incrível.
O filósofo e místico judeu Abraham Joshua Heschel (1907-1972) foi um dos líderes do movimento denominado hassidismo (tradução simples: piedoso). Uma visão mística de Deus a partir de dentro e não de fora da realidade. Neste processo de contemplação, Heschel formula três caminhos: o caminho do sentimento da presença de Deus no mundo; o caminho do sentimento de sua presença na Bíblia; o caminho de sua presença nos atos sagrados. Com a clara intenção de renovar a condição humana, no que ele chama de humanização, com o intuito de despertar a profundidade dessa condição humana no homem. Neste sentido, Heschel formula não uma teologia de Deus, mas uma antropologia de Deus: “a Bíblia é mais uma antropologia de Deus do que uma teologia do homem. Os profetas não falaram tanto do interesse do homem por Deus, como no interesse de Deus pelo homem”. E neste interesse de Deus pelo homem que a linguagem é puramente emocional, pois afinal de contas somos mais pathos que logos.
19.2.09
CONSTRUTORES DO REINO
Uma reflexão a partir da teologia do seguimento de Jon Sobrino
O Reino de Deus nunca foi um tema central na cristologia. A reflexão sempre girou em torno da pessoa de Jesus e não de sua mensagem. Tanto teólogos católicos quanto protestantes, se debruçaram na obra salvífica de Jesus de Nazaré. A sentença era: berço, cruz e pedra – nascimento, morte e ressurreição.
O Reino de Deus, na teologia protestante, sempre foi vinculado com ideias milenaristas. O amilenismo compreende a presença do Reino em seu caráter provisório; o pré-minelismo entende que o Reino ainda virá e Jesus irá reinar mil anos, literais; o pós-milenismo acredita na realidade presente do Reino, e não o concebe como algo celestial e futuro. Somando a isso, a ideia de que tudo está caminhando para um acerto final de contas com Deus. Os cristãos estão de passagem, são agentes de Deus para povoar o céu. Diante disso, os eventos que ocorrem no mundo são apenas os “sinais dos tempos”. Esta postura inviabiliza totalmente um estar-no-mundo. O mundo passa a ser apenas um trampolim para a eternidade e os crentes expectadores dos acontecimentos. O resultado é uma total desatenção para com os alvos do Reino de Deus e sua expansão.
A teologia bíblica atestou: a mensagem central de Jesus era o Reino de Deus. Os estudiosos do Jesus histórico não negam, o Reino de Deus dominou a vida de Jesus. Qualquer pesquisador sério do Novo Testamento verá que o Reino de Deus é a chave para compreender o propósito de Jesus.
A cristologia da América Latina tem no Reino de Deus a sua centralidade. Leonardo Boff e sua abordagem antropológica do Reino como topia de uma existência plena; Juan Luis Segundo e sua clave política; Jon Sobrino enxerga no seguimento de Jesus a continuidade da construção do Reino de Deus. A teologia da libertação, em suas bases metodológicas, não se dá sem o Reino de Deus.
O teólogo salvadorenho, Jon Sobrino, tem contribuindo para uma reflexão sobre o Reino de Deus. Para ele, entender o Reino é preciso ir a Jesus, para conhecer Jesus é preciso ir ao Reino de Deus. Este caminho se faz pelo seguimento de Jesus.
A teologia do seguimento se dá na prática de Jesus: na valorização dos excluídos e marginalizados da sociedade; na compaixão e no perdão; na promoção da paz e da justiça como meio equitativo de convivência. A teologia do seguimento não se dá na imitação, mas no comportamento do cristão e suas consequências práticas, uma vez a impossibilidade de reproduzir os atos concretos de Jesus no seu tempo.
Para Sobrino o Reino de Deus esta sendo construído pelos seguidores de Jesus. Os valores do anti-Reino – como a desumanização; a violência; a injustiça social; a morte precoce do pobre – precisam ser combatidos. Uma espiritualidade que valorize o seguir Jesus com sua ênfase no Reino de Deus é urgente.
O Reino de Deus nunca foi um tema central na cristologia. A reflexão sempre girou em torno da pessoa de Jesus e não de sua mensagem. Tanto teólogos católicos quanto protestantes, se debruçaram na obra salvífica de Jesus de Nazaré. A sentença era: berço, cruz e pedra – nascimento, morte e ressurreição.
O Reino de Deus, na teologia protestante, sempre foi vinculado com ideias milenaristas. O amilenismo compreende a presença do Reino em seu caráter provisório; o pré-minelismo entende que o Reino ainda virá e Jesus irá reinar mil anos, literais; o pós-milenismo acredita na realidade presente do Reino, e não o concebe como algo celestial e futuro. Somando a isso, a ideia de que tudo está caminhando para um acerto final de contas com Deus. Os cristãos estão de passagem, são agentes de Deus para povoar o céu. Diante disso, os eventos que ocorrem no mundo são apenas os “sinais dos tempos”. Esta postura inviabiliza totalmente um estar-no-mundo. O mundo passa a ser apenas um trampolim para a eternidade e os crentes expectadores dos acontecimentos. O resultado é uma total desatenção para com os alvos do Reino de Deus e sua expansão.
A teologia bíblica atestou: a mensagem central de Jesus era o Reino de Deus. Os estudiosos do Jesus histórico não negam, o Reino de Deus dominou a vida de Jesus. Qualquer pesquisador sério do Novo Testamento verá que o Reino de Deus é a chave para compreender o propósito de Jesus.
A cristologia da América Latina tem no Reino de Deus a sua centralidade. Leonardo Boff e sua abordagem antropológica do Reino como topia de uma existência plena; Juan Luis Segundo e sua clave política; Jon Sobrino enxerga no seguimento de Jesus a continuidade da construção do Reino de Deus. A teologia da libertação, em suas bases metodológicas, não se dá sem o Reino de Deus.
O teólogo salvadorenho, Jon Sobrino, tem contribuindo para uma reflexão sobre o Reino de Deus. Para ele, entender o Reino é preciso ir a Jesus, para conhecer Jesus é preciso ir ao Reino de Deus. Este caminho se faz pelo seguimento de Jesus.
A teologia do seguimento se dá na prática de Jesus: na valorização dos excluídos e marginalizados da sociedade; na compaixão e no perdão; na promoção da paz e da justiça como meio equitativo de convivência. A teologia do seguimento não se dá na imitação, mas no comportamento do cristão e suas consequências práticas, uma vez a impossibilidade de reproduzir os atos concretos de Jesus no seu tempo.
Para Sobrino o Reino de Deus esta sendo construído pelos seguidores de Jesus. Os valores do anti-Reino – como a desumanização; a violência; a injustiça social; a morte precoce do pobre – precisam ser combatidos. Uma espiritualidade que valorize o seguir Jesus com sua ênfase no Reino de Deus é urgente.
7.2.09
ESPIRITUALIDADE NO PROTESTANTISMO: ANÁLISE E PERSPECTIVAS
Não tenho a pretensão de encontrar definições para espiritualidade. Gostaria apenas de analisar alguns modelos de espiritualidade fazendo uma leitura do protestantismo em diálogo com outras formas em que se dá a dimensão da espiritualidade. Com isso, a intenção é buscar convergências com outras vertentes da espiritualidade religiosa e sua inserção no imaginário religioso.
O protestantismo tem um modelo de espiritualidade. A Reforma Protestante inaugura um modelo centrado no texto bíblico. Dotada de autoridade, a Bíblia ganha status de revelação e único meio de comunicação estabelecido entre Deus e o crente. A ortodoxia protestante marcada pelo intelectualismo dá origem ao pietismo alemão como fuga da severidade doutrinária sem paixão. O modelo de espiritualidade no protestantismo sempre foi protagonizado por Lutero e Calvino, que desenvolveram modelos que prezavam o texto bíblico. Na Inglaterra de João Wesley o movimento holiness (santidade) foi mais intimista que coletivo. Uma busca por santidade individual que valorizava o ascetismo e a pecaminosidade do corpo. A teologia dos avivamentos nos Estados Unidos preconizava o medo da punição eterna, a soberania implacável de Deus e a doutrina calvinista da eleição.
A espiritualidade protestante é marcada pelo individualismo. A dificuldade de conciliação entre as denominações é uma herança do liberalismo. A definição protestante de espiritualidade é individualista. Alguém definiu espiritualidade no protestantismo da seguinte maneira: “espiritualidade é, portanto, algo de cunho pessoal. Ela se evidencia através de formas distintas, como jejum, reunião de oração, serviço cristão e leitura da Bíblia”. É um modelo. Mas é um modelo subjetivo e fragmentário. Desprovido de consciência coletiva e interação social. Os manuais de espiritualidade são carregados de noções que valorizam os aspectos interiores do crente. Um exemplo disso é o livro de John Bunyan, O Peregrino, que influenciou vários missionários no Brasil com sua temática e linguagem que exalta a dimensão da eternidade para o crente.
Há uma dicotomia na espiritualidade brasileira. Uma que enfatiza a busca intimista do Sagrado na forma de texto bíblico – para esses orar três vezes ao dia e ler a Bíblia diariamente é o suficiente; outra que se alimenta do desejo consumista e vê nisso o mover de Deus. É necessário ver outros modelos e práticas que coadunem com o atual momento que vivemos.
O protestantismo dessacralizou o mundo, tornando-o utilitário, secular e passageiro. O Sagrado não é visitado na dimensão planetária, não é percebido misticamente. Como necessitamos de uma espiritualidade ecológica que contemple a Criação e se deixe extasiar pela sua mística. Uma espiritualidade panenteísta, que consiga enxergar Deus nas pequenas coisas da Criação.
Necessitamos de uma espiritualidade que leve a sério a dimensão política da Igreja. Um engajamento político-social no cotidiano com uma profunda preocupação com os rumos da economia e da sociedade.
A igreja anseia por uma espiritualidade comunitária e solidária. Onde o outro seja a ponte para ver Deus; a reunião em torno da Bíblia seja carregada de entusiasmo comunitário; a oração não seja para buscar poder, pelo contrário, seja para fortalecimento mútuo e oportunidade de adoração coletiva; que a ceia não seja apenas um acessório do culto, mas uma celebração de alegria e louvor pela comunhão com os irmãos.
São perspectivas que procuro compartilhar com a comunidade. Nesta tentativa, bebo no poço de outras vertentes da espiritualidade religiosa, e confesso que alguns autores fora dos arraiais evangélicos são dotados de modelos espirituais mais pertinentes para a atual conjuntura dos nossos tempos. Uma espiritualidade integradora.
O protestantismo tem um modelo de espiritualidade. A Reforma Protestante inaugura um modelo centrado no texto bíblico. Dotada de autoridade, a Bíblia ganha status de revelação e único meio de comunicação estabelecido entre Deus e o crente. A ortodoxia protestante marcada pelo intelectualismo dá origem ao pietismo alemão como fuga da severidade doutrinária sem paixão. O modelo de espiritualidade no protestantismo sempre foi protagonizado por Lutero e Calvino, que desenvolveram modelos que prezavam o texto bíblico. Na Inglaterra de João Wesley o movimento holiness (santidade) foi mais intimista que coletivo. Uma busca por santidade individual que valorizava o ascetismo e a pecaminosidade do corpo. A teologia dos avivamentos nos Estados Unidos preconizava o medo da punição eterna, a soberania implacável de Deus e a doutrina calvinista da eleição.
A espiritualidade protestante é marcada pelo individualismo. A dificuldade de conciliação entre as denominações é uma herança do liberalismo. A definição protestante de espiritualidade é individualista. Alguém definiu espiritualidade no protestantismo da seguinte maneira: “espiritualidade é, portanto, algo de cunho pessoal. Ela se evidencia através de formas distintas, como jejum, reunião de oração, serviço cristão e leitura da Bíblia”. É um modelo. Mas é um modelo subjetivo e fragmentário. Desprovido de consciência coletiva e interação social. Os manuais de espiritualidade são carregados de noções que valorizam os aspectos interiores do crente. Um exemplo disso é o livro de John Bunyan, O Peregrino, que influenciou vários missionários no Brasil com sua temática e linguagem que exalta a dimensão da eternidade para o crente.
Há uma dicotomia na espiritualidade brasileira. Uma que enfatiza a busca intimista do Sagrado na forma de texto bíblico – para esses orar três vezes ao dia e ler a Bíblia diariamente é o suficiente; outra que se alimenta do desejo consumista e vê nisso o mover de Deus. É necessário ver outros modelos e práticas que coadunem com o atual momento que vivemos.
O protestantismo dessacralizou o mundo, tornando-o utilitário, secular e passageiro. O Sagrado não é visitado na dimensão planetária, não é percebido misticamente. Como necessitamos de uma espiritualidade ecológica que contemple a Criação e se deixe extasiar pela sua mística. Uma espiritualidade panenteísta, que consiga enxergar Deus nas pequenas coisas da Criação.
Necessitamos de uma espiritualidade que leve a sério a dimensão política da Igreja. Um engajamento político-social no cotidiano com uma profunda preocupação com os rumos da economia e da sociedade.
A igreja anseia por uma espiritualidade comunitária e solidária. Onde o outro seja a ponte para ver Deus; a reunião em torno da Bíblia seja carregada de entusiasmo comunitário; a oração não seja para buscar poder, pelo contrário, seja para fortalecimento mútuo e oportunidade de adoração coletiva; que a ceia não seja apenas um acessório do culto, mas uma celebração de alegria e louvor pela comunhão com os irmãos.
São perspectivas que procuro compartilhar com a comunidade. Nesta tentativa, bebo no poço de outras vertentes da espiritualidade religiosa, e confesso que alguns autores fora dos arraiais evangélicos são dotados de modelos espirituais mais pertinentes para a atual conjuntura dos nossos tempos. Uma espiritualidade integradora.
5.2.09
O PULSAR DA VIDA
Uma homenagem ao Fred (recém-nascido) e seus pais, Evanice e Sérgio
Quando surge a vida? Perguntar pelo surgimento da vida é o mesmo que perguntar pelo surgimento do universo. Ele esta acima de nossas cabeças e muitos não fazem idéia de como ele é. É por isso que os cientistas estudam e observam o universo há anos, na tentativa de entendê-lo. É coisa grandiosa, gigantesca que muitos não fazem idéia de como funciona. E a vida, de onde vêm?
O nascimento da vida é coisa impressionante. Não é minha pretensão dar aula de biologia, mas observar algumas coisas.
Vinte e quatro cromossomos do pai e vinte e quatro da mãe. É coisa minúscula aos olhos. Como se estivessem dançando, o núcleo da célula originária começa um processo de divisão: em duas, em quatro, em oito e finalmente em milhões de células. Juntos, cromossomos e células se dividem igualmente permitindo assim que todas as células no novo ser levem consigo o número idêntico de cromossomos. Essas células começam a se diferenciar como se cada uma soubesse exatamente o que esta fazendo, e no grande baile da vida começam a formar órgãos e tecidos diferentes. Ninguém sabe como isso acontece e nem como é feito, pois no início cada célula tem o mesmo potencial para ser qualquer coisa no novo ser, mas por alguma razão, que não tem explicação, uma forma o estômago e outras o cérebro e assim por diante. É a vida.
Lá pelo segundo mês de gestação a vida com seus frágeis músculos, provocam contrações e puxões. Nos próximos meses seu corpinho irá se desenvolver e a sua sensibilidade visual, juntamente com o aparelho auditivo, se darão na última fase de gestação. O pulsar da vida interrompe o silêncio com um choro provocado pelo ar em seus informes pulmões.
A vida é dádiva de Deus. Cuidar da vida é responsabilidade humana.
A nossa geração esta acostumada a banalizar a vida. Cenas de violência e guerra urbana não causam mais espanto; a vida é tratada cada vez mais com desprezo e intolerância. As relações pessoais são marcadas pelo interesse financeiro. As pessoas há muito tempo perderam a noção de existência.
Educar uma criança neste mundo caótico requer atenção dobrada. Os padrões educacionais não são os mesmos. A educação dos pais não é a mesma dos filhos, e nem adianta impor um regime antigo porque os tempos de fato mudaram. A mudança de comportamentos não deve ser pretexto para agir com pessimismo, alegando que as coisas estão ruins mesmo e nunca irá mudar. Se fosse assim a Igreja de Cristo não teria mais razão de ser.
O desafio dos pais é coadunar educação com amizade; disciplina com companheirismo; autoridade com amor. Não estamos mais na época de reproduzir padrões retrógados, mas criar novos paradigmas educacionais. O filósofo inglês John Locke ensinava que as pessoas aprendiam com a experiência, o conhecido método empirista. Para Locke o ser humano vem ao mundo como uma folha em branco, cabendo a ele a escrita de sua história. É claro que o ambiente vivencial de uma criança contribui e muito para a formação de seu caráter e dignidade, mas os pais são os primeiros a escrever a história de uma criança.
Ajudem seus filhos a escrever uma história de amor, carinho, companheirismo e dignidade humana. Principalmente uma história que coloque Deus como co-autor.
Quando surge a vida? Perguntar pelo surgimento da vida é o mesmo que perguntar pelo surgimento do universo. Ele esta acima de nossas cabeças e muitos não fazem idéia de como ele é. É por isso que os cientistas estudam e observam o universo há anos, na tentativa de entendê-lo. É coisa grandiosa, gigantesca que muitos não fazem idéia de como funciona. E a vida, de onde vêm?
O nascimento da vida é coisa impressionante. Não é minha pretensão dar aula de biologia, mas observar algumas coisas.
Vinte e quatro cromossomos do pai e vinte e quatro da mãe. É coisa minúscula aos olhos. Como se estivessem dançando, o núcleo da célula originária começa um processo de divisão: em duas, em quatro, em oito e finalmente em milhões de células. Juntos, cromossomos e células se dividem igualmente permitindo assim que todas as células no novo ser levem consigo o número idêntico de cromossomos. Essas células começam a se diferenciar como se cada uma soubesse exatamente o que esta fazendo, e no grande baile da vida começam a formar órgãos e tecidos diferentes. Ninguém sabe como isso acontece e nem como é feito, pois no início cada célula tem o mesmo potencial para ser qualquer coisa no novo ser, mas por alguma razão, que não tem explicação, uma forma o estômago e outras o cérebro e assim por diante. É a vida.
Lá pelo segundo mês de gestação a vida com seus frágeis músculos, provocam contrações e puxões. Nos próximos meses seu corpinho irá se desenvolver e a sua sensibilidade visual, juntamente com o aparelho auditivo, se darão na última fase de gestação. O pulsar da vida interrompe o silêncio com um choro provocado pelo ar em seus informes pulmões.
A vida é dádiva de Deus. Cuidar da vida é responsabilidade humana.
A nossa geração esta acostumada a banalizar a vida. Cenas de violência e guerra urbana não causam mais espanto; a vida é tratada cada vez mais com desprezo e intolerância. As relações pessoais são marcadas pelo interesse financeiro. As pessoas há muito tempo perderam a noção de existência.
Educar uma criança neste mundo caótico requer atenção dobrada. Os padrões educacionais não são os mesmos. A educação dos pais não é a mesma dos filhos, e nem adianta impor um regime antigo porque os tempos de fato mudaram. A mudança de comportamentos não deve ser pretexto para agir com pessimismo, alegando que as coisas estão ruins mesmo e nunca irá mudar. Se fosse assim a Igreja de Cristo não teria mais razão de ser.
O desafio dos pais é coadunar educação com amizade; disciplina com companheirismo; autoridade com amor. Não estamos mais na época de reproduzir padrões retrógados, mas criar novos paradigmas educacionais. O filósofo inglês John Locke ensinava que as pessoas aprendiam com a experiência, o conhecido método empirista. Para Locke o ser humano vem ao mundo como uma folha em branco, cabendo a ele a escrita de sua história. É claro que o ambiente vivencial de uma criança contribui e muito para a formação de seu caráter e dignidade, mas os pais são os primeiros a escrever a história de uma criança.
Ajudem seus filhos a escrever uma história de amor, carinho, companheirismo e dignidade humana. Principalmente uma história que coloque Deus como co-autor.
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